A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
Aprovada a Ficha Limpa (um engodo, um logro!), vamos lutar para o Voto em Aberto e o fim da Imunidade Parlamentar, dois cancros de nossa pobre e enganosa política! E esses caras ainda se dizem nossos representantes!...
         Política seria poliética - poli = muito, pluralidade + ética? Parece e é... Pelo menos em Brasília é!
 
Os animais – a Kelly
 
         Estudava Ciências Exatas na Universidade de Coronel Fabriciano, e tive, como trabalho da aula de biologia, o comportamento de uma cachorra durante e depois de parir os filhotes, aproveitando que a Kelly, a cachorra lá de casa, tivera uma farta ninhada.
         As observações levaram-me a constatar que a Kelly, uma cachorra pastor-alemão, tinha o hábito de amamentar os filhotes exatamente quando batiam os sinos da Igreja de São Sebastião, para indicar cada hora. De hora em hora, com uma precisão suíça, dava a primeira badalada da hora e ela, já na espreita, entrava no ninho – diante de sua presença perto do  ninho, não adiantava os filhotes reclamarem que ela não adiantava seu relógio...
 
... deu polícia!...
 
         Mudei-me para Caratinga, MG, onde montei um laboratório de análises clínicas, quase um posto avançado de coleta de material para o laboratório de Fabriciano, e lá entrei na Faculdade da cidade, mas no curso de Matemática. A Kelly foi comigo.
         Um dia a Kelly sumiu. Procurei por toda cidade e nada de encontrá-la. Um mês depois, um colega de faculdade falou-me que a tinha visto no quintal de um hotel no centro da cidade. Lá fui eu e parei o carro exatamente em frente ao portão do quintal do hotel – ela se encontrava presa em um pátio interno a uns vinte metros de distância da rua.
         Conhecendo seu latido, chamei a cachorra pelo nome e ela começou a latir desesperadamente. O dono do hotel, diante de todo aquele barulho, apareceu. Falei-lhe que minha cachorra havia sumido e que ela latia, exatamente por sentir minha presença.
         O cara ficou uma fera, esbravejando e afirmando peremptoriamente que a cachorra era dele desde pequena. Como eu insistia, chamou dois policiais que se encontravam perto e conhecidos, acusando-me de perturbar o silêncio no hotel e ainda querer roubar-lhe a cachorra.
         - Senhores policiais, é fácil constatar se a cachorra é minha. Peça a ele que a solte e abra os portões. Pelas atitudes da cachorra os Senhores julgarão.
         Os soldados concordaram com a proposta e o dono, com uma tremenda má vontade dirigiu-se até os portões, abrindo-os. Enquanto isso entrei no carro e abaixei o vidro do caroneiro, chamando-a. A cachorra veio numa disparada, deu um pulo, entrando no carro e me agradando efusivamente.
         Um dos soldados, olhando para o dono do hotel, abrindo os braços e balançando a cabeça, disse-lhe apenas:
         - Diante disso...
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 09/06/2010