A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
            Sempre me invoquei com o fato de as faxineiras colocarem o balde e a vassoura no meio da passagem das portas e corredores – chamo-lhes atenção. Uma me respondeu:
            - Interessante é que sempre pensei que ninguém passaria por aqui quando eu estivesse trabalhando...
            ...Engoli a seco... e saí de fininho...
 
 
 
O vaso sanitário II
 
A boa babá
 
         A preocupação diminuía um bocado, quando pensavam na boa e dedicada empregada doméstica, a Lili, havia um ano em casa.
         Como na firma Pedro acabava sendo chamado para resolver algo aqui e ali, decidiu, depois do almoço, ir ao serviço, buscar as coisas referentes a um projeto que desenvolvia e levá-las para o escritório em casa, onde poderia trabalhar tranqüilamente.
         A entrada do escritório totalmente independente. Pedro entrou devagar e em silêncio, pois assim a empregada e o filhinho não o perceberiam e nem o perturbariam, atrasando o serviço.
         Passado algum tempo, notou que começava, de quando em quando, a bater com as mãos nas orelhas... observou um chorinho de criança ao longe... perturbava-o... deixava-o nervoso.
         Lili saiu por instantes, uma meia hora. Voltou... e deve ter ido e voltado em companhia do garoto... ou ele dormia.
         O choro ao longe era constante... mas pai e mãe são pai e mãe e estão atentos aos filhos sempre - antena ligada.
 
O choro
 
         O choro contínuo e o projeto não desenvolvendo, a preocupação aumentava, o Pedro resolveu descobrir de onde vinha o tal choro um tanto perturbador. Pé ante pé, entrou em casa e viu a empregada na lavanderia, nos fundos do grande quintal. O choro vinha de lá... e era do filho! Nem chorava, choramingava. .
         No instante em que a empregada entrou em um quarto ao lado da lavanderia, Pedro foi rápido até lá, sem que ela percebesse, e viu o filhinho, num choro lamurioso e acompanhado de leves soluços, sentado no vaso - completamente desnudo.
 
O banheiro
 
         O banheiro muito simples e nem assento sanitário tinha. O menino no vaso frio. Por ser muito pequeno, ficava com as perninhas para cima e os bracinhos para trás, agüentando quase totalmente o peso do corpo - com o passar do tempo deveria ter dores horríveis por todo o corpo. Chegava um momento em que os bracinhos não suportavam mais e o corpinho afundava para dentro do vaso, como fora encontrado pelo pai.
        As reações do pai e do filho, no momento do encontro, foi impressionante: o pai abraça-o, como nunca o tinha feito, e o filho sentindo-se aliviado e seguro, agarra o pai num gesto de desespero, mas com sensação de desopressão e consolo.
         Dessa maneira a dedicada empregada Lili cuidou do menino  aproximadamente um ano - colocava-o sentado no vaso sanitário por horas e então aproveitava para fazer o trabalho de casa e para dar as saídas para conversas com as colegas ou namorado - confessou.
         Com praticamente mais da metade da vida perdida, sofrendo dores horríveis durante quase todo o dia, com a descoberta...
         O pequeno Carlos e seus pais recomeçaram a viver!
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Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 19/03/2010