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Tatiana, três anos e meio, falava feito pobre na chuva.
Adorava atender ou discar o telefone. Discando números
aleatórios, acertou um existente, alguém atendeu, e ela:
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- Quem qui fala?
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Ela largou o fone assustadíssima, tremendo e
sem voz, correu para o colo da mãe. A mãe perguntou o
havido, e ela:
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- O lobo mau falô no telefone!
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- Que isso menina!
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- Ele falô:- Aqui é o lobo maau!
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Por algum tempo ela deu sossego ao telefone...
e a nós!
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Que abraço! 2
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Dava assistência técnica, tratamento de água industrial
e caldeiras, a um frigorífico em uma cidade da Grande
Belo Horizonte. Nessas visitas, aproveitava para ver
meus parentes, residentes na cidade.
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Em uma dessas visitas, encontrei-me com um dos primos e
sua esposa; traziam para passear em Minas uma sobrinha,
que enxergava praticamente nada - tendo sido operada
em alguns hospitais dos mais famosos, como me
confessaram a sobrinha e os tios. Falei-lhes, sobre um
hospital especializado e de conceito máximo no Brasil,
situado em Belo Horizonte, e onde clinicava o Dr.
Hilton Rocha - para nós o melhor e o mais famoso médico
oftalmologista do Brasil.
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Ofertei à menina uma consulta com o Dr. Hilton Rocha.
Pouco esperançosa, mas aceitou de bom grado. Eu mesmo
marcaria a consulta.
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Como morava perto do Hospital São Geraldo, onde o Dr.
Hilton Rocha trabalhava, fui, e, logo numa saleta na
entrada, sua secretária atendia. Estávamos em janeiro e
a consulta foi marcada para setembro do mesmo ano.
Argumentei para a secretária que a menina morava no
norte do país e não teria condições, e nem recursos,
para estar indo e vindo de lá para cá. Meu apelo
adiantou pouco - apenas ela adiantou a consulta para o
mês de julho.
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A Madame
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Da saleta, no primeiro andar, avistava-se a Avenida logo
em frente, onde estacionou um carro, Mercedes Benz,
importado, dos mais luxuosos. Saiu um motorista
uniformizado, entrou na saleta e marcou uma consulta
para a madame sua patroa, para aquele mesmo dia,
pagando uma fortuna pelo horário extra.
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Como permanecia no local, com a intenção de conseguir
com a secretária que minha parente fosse atendida
na semana seguinte, ouvi e vi atentamente a conversa do
motorista da cliente, recém-chegada do Rio de Janeiro,
com a secretária. Assim que o motorista se retirou da
sala, eu disse algo para a secretária, e não me lembro
bem o que lhe falei. Só sei que ela teve um ataque de
riso; riu tanto da bobagem que soltei, que demorou
alguns minutos para me dirigir a palavra novamente.
Estávamos numa sexta-feira. Após respirar fundo, com um
grande sorriso:
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- Traga a menina na próxima terça-feira...
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Corri para minha casa e telefonei para a tia da menina.
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Não mais tive notícias da garota e, no próximo encontro
com seus tios, um ano após, nem me lembrei, e nem eles,
de tocarmos no nome e nos problemas da menina.
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Algumas pessoas de minha família, e alguns amigos, deram
uma tremenda importância ao fato de eu ter conseguido a
tal consulta; pensavam que eu tinha alguma peixada ou um
bom relacionamento com o pessoal do Dr. Hilton Rocha.
Não adiantava eu explicar que foi apenas uma brincadeira
que deu certo e com o tal bom resultado.
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Um ano e meio depois
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No ano seguinte, em julho, como de costume, passei na
casa de meus parentes, e me encontrei com os tios da
menina.
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Mais de uma hora depois de haver chegado, entrei na sala
e, de repente, alguém me abraçou por trás - um abraço
forte... bem forte! Senti que era um abraço de uma moça
- e um abraço diferente. Sem saber quem e o porquê, foi
um abraço de amizade e me deu uma santa satisfação. A
pessoa foi me largando aos poucos e me virando, mas
tampando meus olhos com as mãos. Ela, na minha frente,
soltou as mãos, me olhou forte, fitou-me por instantes,
e me abraçou chorando... era a garota que me via pela
primeira vez! Soube que fora à consulta e, logo na
primeira olhada do Dr. Hilton Rocha, ele lhe deu as
melhores esperanças de ela voltar a enxergar. Marcou
para dois dias após, na quinta-feira, a cirurgia em um
dos olhos. Alguns dias depois, o outro olho foi operado
- tudo sem ônus para a paciente; coisa que o Dr. Hilton
Rocha praticava sempre. A recuperação, praticamente
total, foi só questão de um pós-operatório não muito
longo.
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Inesquecível!... Que abraço!
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Benedito Franco
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Você pode ser um doador de sangue.
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Você pode ser um doador de medula.
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Você pode ser um doador de órgãos...
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Já pensou nisso?
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 27/08/2008
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