-
O milagre da clara de ovo:
-
No caso de queimadura, seja lá a extensão que for, a primeira
providência é colocar a parte afetada debaixo de água fria
corrente até que o calor diminua e pare de queimar outras
camadas de pele. Depois devemos passar – uma ou mais vezes -
clara de ovo, levemente batida. A parte queimada é totalmente
recuperada pelo colágeno existente na clara de ovos, que na
verdade é uma placenta cheia de vitaminas.
-
"O que mais
preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem
dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o
silêncio dos bons."
Martin Luther King
-
-
RIO DE JANEIRO
- Tônia Carreiro na minha cama
-
-
Levei Tônia Carreiro para minha cama... Acreditam?
-
Tônia Carreiro, artista de teatro, TV e cinema,
casada com um dos maiores diretores de cinema do mundo e mãe
do Cécil Thiré, na época a mulher mais bonita do Brasil, foi
parar na minha cama...
-
Quando cheguei ao Rio, bem recebido pelos primos José
Morais e Vianney - moravam em Santa Tereza (na casa da Jujú).
Por dois longos meses, residi no início da Rua Mem de Sá, no
bairro da Lapa, por onde passavam os caminhões, dia e noite,
noite e dia, levando a terra do desmonte do morro Santo
Antonio, para o aterro da Glória, Flamengo e Botafogo. Meu
quarto, no segundo andar, era o da frente da pensão. Imaginem
viver no meio da poeira; acho difícil alguém fazer idéia de
como era tanta e terrível a sujeira - meu lençol ficava da cor
da rua. Além das boates, uma de cada lado, a famosa Boite
Novo México e outra em frente, passavam ainda os
carros e ônibus, assim como os bondes com seu tremendo
barulho. Dividia o quarto com o Eugênio, um polonês criado no
Paraná, um poliglota que trabalhava como intérprete em um
hotel de luxo em Copacabana e insistia para eu aprender
polonês - acabei falando algumas palavras, mas é uma língua
difícil para nós brasileiros.
-
-
Copacabana
-
-
Mudei-me para Copacabana, na Barata Ribeiro, visinho
da Dircinha e Linda Batista. Na rua vi a Dolores Duran, no
auge da carreira, com sucessos nas rádios; no centro do Rio
esbarrei com o Dorival Caime - um passante virou-se para mim e
falou:- Esse cara é o compositor do "Boi da cara preta".
Conheci o Severino, um nordestino analfabeto, admirado na
região, pois conhecia todos os ônibus e seus roteiros, que
passavam pela Rua Barata Ribeiro; dava suas informações em
frente à casa onde eu morava e trabalhava na construção de um
prédio ao lado. Naquela época, as escolas noturnas eram raras,
mas havia uma perto. Consegui convencer o Severino a se
matricular, apesar do trabalho duro de ajudante de pedreiro -
mais tarde chegou a concluir o curso superior - mandou-me o
convite para a formatura.
-
-
Catete
-
-
No Catete, na Rua Santo Amaro, 51, AP 602, no
edifício em frente aos portões colossais e coloniais
da Beneficência Portuguesa, tive como companheiro de quarto o
Toninho, um mineiro inhapinhense, secretário do presidente da
Brahma. Quando a Usiminas começou, pedi ao Toninho que
conversasse com o presidente para me arranjar a concessão da
Brahma para a região de Fabriciano. A resposta foi positiva,
contanto que eu fosse para lá e adquirisse um caminhão para
começar a distribuição. Conversei com papai, mas ele não tinha
condições para ajudar-me - eu nada tinha.
-
Depois de algum tempo, fui para o apartamento dos
baianos Sô Joaquim e Dona Júlia, onde eu, além de morar,
jantava durante a semana e almoçava aos domingos. Os dois
nasceram no início do quarto quartel do século XIX. Sô Joaquim
não se cansava de narrar as aventuras amorosas de moçoilo, no
início do século XX - um galã, chamado de Bonitinho,
filho do homem mais rico da Bahia. Dona Júlia era exímia
cozinheira e suas comidas baianas eram o máximo - mesmo nos
melhores restaurantes da Bahia, Salvador, onde estive algumas
vezes, a comida não chegava aos pés da dela.
-
-
Nanai
-
-
O apartamento da Dona Júlia era o de número 102. No
101 morava uma velhinha muito simpática, a mãe de um cantor e
compositor de muito sucesso, e por isso foi parar nos Estados
Unidos - depois de uma turnê no México com a cantora Elizete
Cardoso, a Divina - chamava-se Nanai. .
-
Nanai chegou dos Estados Unidos e seu apartamento foi
alvo de uma procissão de grandes e famosos artistas, os mais
variados: grandes compositores e cantores, como a Emilinha
Borba, Marlene, Tito Madi, Ciro Monteiro e até mesmo a Elis
Regina, não falando de sua maior amiga a Elizete Cardoso.
-
Na época, telefone era coisa rara - na casa do Nanai
não havia; quando precisavam, usavam o da casa da Dona Júlia.
Era muito comum, ao chegar, encontrar o Nanai ou algum dos
artistas no corredor, em pé, telefonando. Um dia deparei-me
com uma deusa grega, uma figura imponente e belíssima, cabeça
e cabelos fulgurantes, corpo estonteante,
no corredor e em frente à porta de meu quarto.
Convidei-a a entrar e sentar-se. Não se fez de rogada, entrou
e sentou-se na minha cama.
-
Tônia Carreiro, a mais famosa e formosa artista
brasileira, na minha cama... acreditem!
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 26/11/2009
|