A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 

Uma pinguinha!

Nunca bebi cachaça.

Uma vez saí de Belo Horizonte, em um fim de verão, com roupas leves e nada de agasalho para algum imprevisto – fui a Ponte Nova, MG. Ida por Ouro Preto e Mariana e na volta passei por Rio Casca.

No trecho entre Rio Casca e Monlevade, logo no início, o tempo mudou de um calor sufocante – acho que se despedia infernalmente do verão, para um friiio glacial de endurecer e doer até os ossos. Talvez a diferença de temperatura é que tenha me causado tanto tremer, como se dentro de uma geladeira eu me encontrasse.

Parei no único posto de gasolina existente no trecho. Lembrei-me da pinguinha dos velhos tempos, para esquentar o peito, vendida na loja de meu pai. Aliás, a cachaça esquenta no frio e esfria no verão – palavras dos bebuns!.. Todo acanhado, fui ao balcão e pedi uma dose da branquinha:- Uma pinguinha, por favor! Olhei para um lado, olhei para o outro, e olhei para todos os lados, e a mim me pareceu que todos os freqüentadores do restaurante, até os do lado de fora, miravam em mim, com aquele olhar não só de censura, mas também de condenação. Nunca me senti tão olhado, tão censurado e tão constrangido!

A pequena dose queimou-me por dentro e por fora.

Vai ser ruim assim lá na Cochinchina!

.,,E há quem gosta!...

Artes

          Em Belo Horizonte, minhas meninas, desde os quatro, a Fernanda, e cinco anos, a Tatiana, levava-as ao teatro todos os fins de semana possíveis. Terminada a peça, íamos a uma exposição de arte. Como mensalmente passava por Ouro Preto, São João Del Rei, Tiradentes, tinha, e tenho, o costume de visitar igrejas, principalmente as barrocas, em todas as cidades por onde passo - as meninas seguiam-me constantemente. Pra falar a verdade, nem sempre adoravam essas visitas, mas mesmo assim iam.

         Estudei algum tempo na Escola Grinhard, no Palácio das Artes. As meninas acompanhavam-me, sendo paparicadas por todos. Ganhavam folhas de papel e desenhavam, assim como olhavam curiosas os escultores e outros artistas, dando seus palpites e suas opiniões – a Tatiana falava feito pobre na chuva – agradava e era agradada!

         Em uma novela que fez muito sucesso, a protagonista foi a Sônia Braga. Terminada a novela, a Sônia apresentava-se numa peça teatral em um teatro na Avenida Princesa Izabel, no Rio de Janeiro. De Belo Horizonte, levei-as para assistirem a tal peça. Normalmente, acabada a apresentação, nas peças infantis, os artistas apareciam no palco e recebiam mui carinhosamente as crianças, respondendo-lhes as perguntas e dando-lhes sorrisos e abraços. A meninada esperou, esperou... cansou... e a Sônia saiu sorrateiramente pelos fundos, não dando satisfação à criançada. Decepção total.

         Até hoje, minhas meninas (mulheres casadas!) gostam muito de teatro.

         Vá e leve os seus ao teatro! Teatro é cultura!

 
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 17/11/2010