Nunca bebi cachaça.
Uma vez saí de Belo Horizonte, em um fim de verão, com roupas
de verão e nada de agasalho para algum imprevisto – fui a
Ponte Nova. Na volta, passei por Rio Casca.
No trecho entre Rio Casca e Monlevade, logo no início, o tempo
mudou de um calor sufocante – acho que se despedia
infernalmente do verão – para um friiio glacial, de endurecer
e doer até os ossos. Talvez a diferença de temperatura é que
tenha me causado tanto tremer, como se dentro de uma geladeira
eu encontrasse.
Parei no único posto de gasolina existente no trecho.
Lembrei-me da pinguinha, para esquentar o peito, vendida na
loja de meu pai. Todo acanhado, fui ao balcão e pedi uma dose
da branquinha:- Uma pinguinha, por favor!. Olhei para um lado,
olhei para o outro, e olhei para todos os lados, e pareceu-me
todos os freqüentadores do restaurante, até os do lado de
fora, mirando em mim, com aquele olhar não só de censura, mas
também de condenação. Nunca me senti tão olhado, tão censurado
e tão constrangido!
A pequena dose queimou-me por dentro e por fora.
Vai ser ruim assim lá na Cochinchina!
.- E há quem goste...!