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- De acordo com meu entendimento, baseado no que
tenho visto e ouvido, considero que existem três formas de
solicitação do dízimo:
- FORMA I – O dízimo é solicitado no valor de 10% de todo
rendimento e dizendo-se que deve ser totalmente doado à Igreja e
esta solicitação é feita na base de ameaças, colocando,
indiretamente ou diretamente Deus como negociante ameaçador,
pois é dito claramente que se o cristão der R$ 1.000,00 é uma
coisa, se der R$ 10,00 é outra coisa, pois quem deu mais
dinheiro vai receber muito mais bens, ou seja, que tem muito
dinheiro para dar vai ter sempre muito mais, quem porém tem
pouco, vai demorar muito para ter tanto quanto o outro.
Dificilmente na hora da solicitação do dízimo são lembrados os
10 mandamentos, cujos cumprimentos é que darão a “salvação”, e
acredito que também darão uma vida tranqüila e cheia de bênçãos,
de paz e quem sabe de bens aqui na terra.
- A forma acima me lembra as vendas de indulgências na Igreja
Católica e que foram tão combatidas.
- Além do dízimo algumas igrejas, que consideramos incluídas
na “Forma I”, solicitam “doações” substanciais, como a que
presenciei assistindo um culto no templo maior de uma Igreja
neo-pentencostal, no Recife, lembro bem, pois foi no dia da
eleição de vereadores de 2004, um dos pastores daquela Igreja
lembrava a passagem em que Eliseu deitou-se sobre um morto e o
ressuscitou, fazendo no dizer do pastor, um grande milagre e ao
final de sua pregação ele se propôs pedir a benção de Deus para
fazer também um grande milagre na vida dos presentes, para isto,
distribuiu vários envelopes, e pediu que os cristãos de fé ali
presentes escrevessem uma grande necessidade deles e colocassem
dentro do envelope, em seguida pediu também que colocassem,
pasmem, R$ 100,00 ou R$ 50,00 dentro do envelope, sobre os quais
ele se deitaria e rogaria por todos aqueles pedidos e lembrava,
mais uma vez que Deus dava a cada um conforme sua generosidade e
encerrou aí, donde eu interpretei que quem tinha menos de R$
50,00, não seria digno de receber nenhum grande milagre. De
outras vezes escutei solicitações de ofertas naquela mesma
Igreja, sem que mencionassem que iriam fazer “um grande milagre”
só que começaram pedindo R$ 1.000,00, indo até menos de R$
10,00, ou seja, as pessoas participaram com qualquer valor.
Nesta mesma igreja assistimos um pastor pegar uma mulher pelos
cabelos, que se dizia possuída de um demônio e passar nisto
cerca de 30 minutos, durante este tempo a mulher gritava que o
Pastor não ia conseguir um bom valor de ofertas, ao final o
Pastor mandou as pessoas subirem ao palco para darem suas
ofertas e dizerem uma maldição qualquer contra aquele suposto
espírito maligno, ou seja, a fim de conseguir as ofertas o
Pastor contrariou todos os ensinamentos cristãos, fez um
espetáculo onde deixou aquela pobre mulher mais de 30 minutos
agarrada pelos cabelos, inclusive pelos seus ajudantes, sem
lembrar que quando Jesus encontrava algum endemoninhado
imediatamente Ele afastava o demônio e livrava a pessoa do
sofrimento.
- O pregador RR Soares, num
livreto intitulado “Perguntas e respostas sobre o dízimo” diz
que “a Lei de Deus prescreve maldição para quem não entrega o
dízimo” e cita Deuteronômio 28, a partir do versículo 15,
dizendo que: “são 54 versículos que nos falam de tudo o que se
passa com aquele que retém a parte do Senhor”, e isto é uma
deturpação da verdade, pois se formos acompanhar o Deuteronômio
veremos que no capítulo 27, 15-26, Moisés, através de maldições,
prescreve vários ensinamentos, baseado no Decálogo, e por
análise vemos que as maldições citadas por aquele pregador, são
referentes a desobediência ao conjunto dos mandamentos e leis de
Deus e não especificamente ao dízimo, este é citado no Capítulo
26 do qual falaremos mais adiante. Ou seja existe uma corrente
de dirigentes cristãos, que acima de qualquer outro ensinamento,
procura incutir o dízimo e as ofertas, na cabeça dos seguidores,
quando existem várias outras determinações de Deus muito mais
importantes, se lermos e analisarmos a Bíblia chegaremos a
conclusão que o dízimo, representa cerca de 2 a 5% das
obrigações, mas no entanto em algumas igrejas o dízimo e as
ofertas financeiras é colocado como cerca de 80% das obrigações
do povo de Deus.
- FORMA II – O dízimo e a oferta
são solicitados sempre por amor e por agradecimento, incutindo
no dizimista e ofertante o desejo de contribuição para que a
Palavra de Deus seja cada vez mais e melhor difundida, e sempre
colocando para as pessoas, que o amor a Deus e ao próximo é o
verdadeiro caminho para a salvação e também o caminho aqui na
terra para uma vida cheia de bênçãos, paz e prosperidade.
Baseado nos conceitos e nos ensinamentos bíblicos que citamos
abaixo a doação poderá ser no mínimo, 1/3 dos 10% de nossos
rendimentos diretamente para a Igreja, sem esquecer de procurar
formas e meios, junto com a Igreja, seja através de ajudas,
trabalhos comunitários, participação com as pastorais, grupos,
etc, para oferecer aos mais necessitados os 2/3 restantes. Sem
confundir o dízimo com as doações espontâneas. O último
mandamento de nossa Igreja Católica diz para darmos o dízimo
conforme o costume; e o costume ou direito consuetudinário, é
feito por nós. Como cristãos devemos contribuir, mas procurar
acima de tudo fazer esta contribuição em comunidade e difundi-la
para que se torne um costume, e nunca fazer a contribuição
individualmente e falar apenas na hora que alguém questiona
dizendo, como já ouvi de um companheiro: “eu dou, se os outros
não dão é problema deles”, pois não se acende a lâmpada e se
coloca embaixo da mesa, mas no velador para que dê luz a todos.
- Para termos um entendimento
melhor desta que chamamos “Forma II”, nos reportamos em parte ao
livro Acorda Brasil de Valvim Dutra, que tem como base o
Deuteronômio cap. 14, 22-29, neste Livro da Bíblia é determinado
que o homem dê o dízimo de tudo que recolher, mas com a ressalva
de que deste dízimo ele se alimentará na casa do Senhor, ou
seja, usará parte destes dízimos em proveito próprio, mas no
lugar em que Deus escolher para habitar seu nome (tenda, templo,
igreja, mesquita, etc), acrescenta mais o citado texto que
daqueles bens ele fará caridade e apenas a cada três, ele
destinará o dízimo aos levitas (sacerdotes, pastor, pregador,
etc), ou seja, 1/3 ou 33% do dízimo. Fica claro que em momento
nenhum foi dito para se pegar os 10% e se dar ao homem de Deus
para que este os utilize a maneira que achar conveniente, ou
seja, valorizando seus patrimônios, construindo templos
suntuosos, fazendo caridade onde melhor lhe interessar,
carregando em malas, etc, muitas vezes propagando a caridade
feita com o dinheiro dos outros para conseguir eleições
políticas e pior sem a devida prestação de contas e sem o
acompanhamento semanal, mensal ou mesmo semestral do dizimista e
sem dar oportunidade a este de opinar sobre o emprego de seu
dizimo, pois de acordo com o citado versículo bíblico cabe ao
dizimista, também, o trabalho da divisão com os mais
necessitados e uma das formas de ele participar é tomando
conhecimento imediato dos valores arrecadados e das despesas
efetivadas, abrindo-se um caminho para que o dizimista possa
sugerir alguma forma de distribuição. O Deuteronômio no capitulo
26 nos seus versículos 10/11 ensina que o dizimo deve ser
dedicado a Deus como forma de agradecimento, quando diz
textualmente: “Eis que agora trago as primícias dos frutos da
terra que tu, ó Senhor me destes... Alegrar-te-ás por todo o bem
que o Senhor teu Deus, te tem dado a ti e a tua casa”, ou seja,
ele deve doar seu dízimo, com alegria, por agradecimento e pelo
amor e não por temor ou mesmo por obrigação ou apenas
pretendendo que Deus se sinta obrigado a lhe devolver em
quantidades bem maiores. O Apóstolo Paulo em II Coríntios 9, 7,
diz: “Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza
nem constrangimento. Deus ama quem dá com alegria.”. Se você é
constrangido ou ameaçado, dificilmente dará com alegria. Devemos
lembrar que Deus é todo poderoso e continuará vivendo por toda a
eternidade, mesmo que não receba nosso dízimo, quando Ele,
através dos Profetas nos admoesta para darmos o dízimo, que
servirá para dar maiores condições de se pregar a sua palavra e
ajudar os mais necessitados, Ele está apenas lembrando de toda a
sua misericórdia àqueles que O esquecem com facilidade, pois a
partir do momento em que o homem esquece aquele que lhe permite
a visão, os membros e todo o seu corpo, este homem mereceria
também ser esquecido por Deus. Mesmo assim devemos nos lembrar
da imensa misericórdia de Deus e de todos os seus 10
mandamentos, sem, no entanto esquecermos de dizimar. Mister é
lembrar que jamais devemos dizimar baseado em mentiras, ou seja,
ao darmos o valor correspondente ao dízimo, caso o valor
ofertado a Igreja seja menor ou maior que 10% dos rendimentos
sempre devemos deixar claro para nossa comunidade, assim como
para Deus, de quem nada podemos esconder, que aquele valor não
representa os 10%, lembremo-nos sempre que Ananias e Safira, em
Atos 5, 1-11, foram castigados não pelo valor que ofereceram,
mas porque tentaram enganar sobre o valor.
- FORMA III – O dizimo é
solicitado conforme o costume do lugar e onde ninguém tem o
costume de dizimar a Igreja também não se movimenta para cobrar
um costume qualquer dos paroquianos, sendo assim a recomendação
do dízimo é geralmente omitida.
- Consideramos que esta é a pior forma das três, porque todos
nós cometemos o pecado da omissão. A Igreja silencia talvez
porque o que recebe de doações já lhe bastem para o dia a dia,
mas quantas coisas novas em matéria de pregação da Palavra
talvez deixem de realizar por falta de dinheiro?? O católico de
uma forma geral, também comete o pecado da omissão, porque se a
Igreja e as pastorais não se movimentam ele também não oferece,
se omite. O problema como diz o dito popular, é mais embaixo, é
que não se trata só do vil metal, mas acima de tudo de se
cumprir uma recomendação de Deus e que foi lembrada por Jesus em
Mateus 23, 23 quando Ele colocou o dízimo abaixo da justiça, da
misericórdia e da fidelidade, mas não o eliminou, quando disse
que primeiro deveriam ser cumpridos os três preceitos citados,
sem no entanto esquecer o dízimo. Quanto a forma e o costume
nós deveremos faze-lo, mas nunca nos omitir ou permitir e
incentivar que outros se omitam, porque estaríamos incentivando
que fosse descumprida uma solicitação do próprio Deus,
relembrada e recomendada por Jesus.
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- Carlos Alberto Melo
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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04/05/2007

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