A fim de que
possamos ter um entendimento melhor sobre o assunto, permita-me
citar o que consta no Dicionário Aurélio sobre estas duas
palavras: 1) Esmola é aquilo que se dá ao necessitado; 2)
Caridade é uma das virtudes teologais, e, é o amor que move
nossa vontade, na busca efetiva do bem de outrem e procura
identificar-se com o amor de Deus.
O Premio Nobel
da Paz de 2006, foi concedido ao Sr. Muhammad Yunus, conhecido
como banqueiro dos pobres, face à filosofia que implantou em
ajudar às pessoas a procurarem seu próprio sustento. A idéia da
Academia, ao conceder o prêmio, é que a verdadeira paz só
existirá quando todos os homens puderem suprir suas
necessidades.
Certo dia o Sr.
Yunus descobriu que os bancos não emprestavam dinheiro aos mais
pobres, então ele fundou em 1983 um banco, “Grameen Bank”, cuja
especialidade era emprestar pequenas quantias às pessoas mais
necessitadas, principalmente mulheres, a fim de que essas
pudessem adquirir instrumentos de trabalhos, para poder ter seu
auto-sustento, assim, ele financiou: agulhas, linhas e tecidos,
pequenas máquinas de costura, financiamento da irrigação e da
pesca, etc, e o interessante é que a inadimplência do Grameen é
quase zero.
Outra teoria do
Sr. Yunus é que ele não dá esmola a um mendigo, cego ou
aleijado, ou mesmo a uma mãe com um bebê nos braços, quando lhes
estendem a mão em busca de um trocado; sobre isto ele declarou
em 2004, numa entrevista: “Eu me sinto mal, às vezes, eu me
sinto horrível, por negar algo a essas pessoas, mas eu me
contenho, nunca dou nada a elas”.
Em nossa Igreja,
o Padre, em algumas de suas homilias, já enfatizou esta mesma
teoria, de que precisamos ter a coragem necessária para negar a
esmola nas ruas, mas antes precisamos procurar a Igreja ou mesmo
uma instituição séria, que promova uma melhor distribuição entre
os que possuem e os que necessitam.
O Apóstolo Paulo
(1Cor 13, 13) coloca que “a caridade é a maior das virtudes”,
e também no versículo 3 do mesmo Capítulo, que “se desse toda
fortuna e não tivesse caridade nada seria”. Por outro lado em Mt
6, 3, Jesus diz que “quando deres esmola não saiba a tua mão
esquerda o que faz a tua direita”, ou seja, devemos esmolar com
total desprendimento, como sendo uma coisa natural, sem estar
pensando em recompensa ou muito menos em se livrar de um
problema. Por outro lado São Pedro (1Pd 4,8) diz textualmente:
“tende ardente caridade uns para com os outros; porque a
caridade cobrirá a multidão de pecados”, portanto na hora de
fazer a caridade, não precisamos nos preocupar em dizer ou não
ao mundo ou a Deus o que fizemos, porque isto é algo intrínseco.
A partir desses textos entendemos que quando damos esmola,
querendo nos livrar do pedinte, ou ainda, do limpador de
pára-brisa incômodo, ou porque não gostaríamos de estar naquela
situação, não estamos fazendo caridade, estamos possivelmente,
querendo nos livrar do “problema”, e viciando o ser humano e
pecando, pois indução ao vício pode ser um pecado, pois a
verdadeira caridade estar em ajudar o irmão a suprir suas
próprias necessidades.
A partir do que
vimos acima, não dê esmolas na rua, mas sob nenhuma hipótese
deixe de contribuir para as diversas pastorais da Igreja ou para
alguma instituição séria, mas se é para não fazer isto, é melhor
continuar dando esmola e como cita nosso Padre e a música
nordestina: “matando de vergonha ou viciando o cidadão”.
Como exemplo de
uma esmola indevida, citamos o que é feito equivocadamente, por
pessoas, nas ruas à noite ou nos domingos e feriados, quando
passam num carro, distribuindo donativos, e com isto, atraem
dezenas de indigentes, de outros lugares, para aquela área, os
quais trazem filhas e filhos menores, a partir da sexta-feira,
para melhor se posicionarem, dormindo ao relento, sob as
intempéries e sujeitando os menores a tarados e
narcotraficantes, sem contar o aumento no número de assaltos na
área. Se estas pessoas têm condições de fazer caridade e não
confiam em instituições, não somos contra, mas, porque não fazer
um cadastro desses carentes, verificarem suas aptidões e
fornecer, nos lugares em que estes vivem, os materiais
necessários para que possam trabalhar e se for o caso uma cesta
básica de alimentos, para os primeiros dias.
Finalmente, é
bom lembrar que esmola e caridade, nada têm a ver com o dízimo
ou a oferta que você faz durante as Missas, na hora do
Ofertório, para a continuação da Casa de Deus.