- ISABELLA
- Penso que a
publicidade toda, do caso Isabella, poderia servir a outros
propósitos, acima da promoção dos profissionais de imprensa,
policiais ou promotores, que estão em evidência há bastante
tempo, à custa da dor alheia. O conhecimento do caso deveria ter
servido de exemplo, para nós adultos, aumentarmos o amor e
carinho por nossos filhos e netos que estão vivos e procurar
tratá-los, conforme suas idades e grau de compreensão pedem.
Infelizmente isto não aconteceu, na proporção da divulgação do
caso, pela cena que presenciei junto com minha filha e netos, no
sábado 19/05, no "Game Station" de um Shopping .
- Como
sabemos, para utilizar os brinquedos e atrativos da estação de
brinquedos de um shopping, é necessária a aquisição de um
cartão. Uma menina chorou e gritou tanto, porque os valores do
cartão dela haviam acabado, para que o pai, que parecia não ter
mais dinheiro, fosse recarregá-lo, que ele, esquecendo ser ela
uma criança, deu-lhe um grito e uma tapa na frente de todos ali,
e a mãe (acredito, não sei se era madrasta) ainda pegou-a pelo
braço e gritou:
- - eu não disse que você ia
apanhar, seu pai fez muito bem.
- Saíram
arrastando a criança e o brutamonte ainda se virou e disse para
uma senhora que ficou falando sobre a atitude dele:
- - vá cuidar da sua vida.
-
Infelizmente eu fiquei parado, não procurei conversar com o
pai, não chamei uma autoridade, não fiz nada. Não estou julgando
a atitude das outras pessoas ali presentes, mas apenas
comentando a minha. Claro, não podemos partir para agressão dos
responsáveis, mas procurar com calma falarmos com eles,
lembrando que violência gera violência.
- Não sei,
com certeza, o acontecido no caso de Isabella, porém se é
verdade, o noticiado, tudo pode ter começado com algum tipo de
descontrole emocional de um dos responsáveis pela criança, se
foi, não poderíamos dizer que parte da responsabilidade estaria
naqueles que apenas olharam, assistiram e se omitiram?
-
Enquanto nós não aprendermos o verdadeiro sentido de cidadania e
continuarmos omissos a determinadas atitudes, casos como o da
Isabella continuarão acontecendo. É necessário que encaremos o
caso Isabella, não, apenas como santificação para ela ou
condenação para o pai e madrasta, mas que seja levado e
discutido nas escolas, igrejas, associações, etc, de uma forma
educativa, para outros pais e responsáveis, procurarem, ao
máximo, controlar suas frustrações e emoções nas horas das
corrigendas às crianças, a fim de que não tenhamos mais
Isabellas. Que Deus a guarde e perdoe os responsáveis por sua
morte.
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- Carlos
Alberto Melo
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Advogado
OAB/PE 11576.
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- Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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10/06/2008
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