A casa dos grandes pensadores
 
 
 

CARLOS ALBERTO MELO

 

ISABELLA

 

Penso que a publicidade toda, do caso Isabella, poderia servir a outros propósitos, acima da promoção dos profissionais de imprensa, policiais ou promotores, que estão em evidência há bastante tempo, à custa da dor alheia. O conhecimento do caso deveria ter servido de exemplo, para nós adultos, aumentarmos o amor e carinho por nossos filhos e netos que estão vivos e procurar tratá-los, conforme suas idades e grau de compreensão pedem. Infelizmente isto não aconteceu, na proporção da divulgação do caso, pela cena que presenciei junto com minha filha e netos, no sábado 19/05, no "Game Station" de um Shopping .
Como sabemos, para utilizar os brinquedos e atrativos da estação de brinquedos de um shopping, é necessária a aquisição de um cartão. Uma menina chorou e gritou tanto, porque os valores do cartão dela haviam acabado, para que o pai, que parecia não ter mais dinheiro, fosse recarregá-lo, que ele, esquecendo ser ela uma criança, deu-lhe um grito e uma tapa na frente de todos ali, e a mãe (acredito, não sei se era madrasta) ainda pegou-a pelo braço e gritou:
    - eu não disse que você ia apanhar, seu pai fez muito bem.
 Saíram arrastando a criança e o brutamonte ainda se virou e disse para uma senhora que ficou falando sobre a atitude dele:
    - vá cuidar da sua vida.
 Infelizmente eu fiquei parado, não procurei conversar com o pai, não chamei uma autoridade, não fiz nada. Não estou julgando a atitude das outras pessoas ali presentes, mas apenas comentando a minha. Claro, não podemos partir para agressão dos responsáveis, mas procurar com calma falarmos com eles, lembrando que violência gera violência.
Não sei, com certeza, o acontecido no caso de Isabella, porém se é verdade, o noticiado, tudo pode ter começado com algum tipo de descontrole emocional de um dos responsáveis pela criança, se foi, não poderíamos dizer que parte da responsabilidade estaria naqueles que apenas olharam, assistiram e se omitiram?
      Enquanto nós não aprendermos o verdadeiro sentido de cidadania e continuarmos omissos a determinadas atitudes, casos como o da Isabella continuarão acontecendo. É necessário que encaremos o caso Isabella, não, apenas como santificação para ela ou condenação para o pai e madrasta, mas que seja levado e discutido nas escolas, igrejas, associações, etc, de uma forma educativa, para outros pais e responsáveis, procurarem, ao máximo, controlar suas frustrações e emoções nas horas das corrigendas às crianças, a fim de que não tenhamos mais Isabellas. Que Deus a guarde e perdoe os responsáveis por sua morte.
 
Carlos Alberto Melo
Advogado OAB/PE 11576.   
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 10/06/2008