A casa dos grandes pensadores
 
 
 

CARLOS ALBERTO MELO

 

OS MEIOS DE COMUNICAÇÕES - NOVELAS 

Nossa Igreja fez, como todos os anos, uma Semana da Comunicação com a Pastoral da Comunicação, da qual participo, fazendo palestras e debates em várias comunidades, sobre a influência da comunicação nos jovens e nas famílias. A vedete da vez tem sido a mídia e em especial a televisão e mais especial ainda as novelas da Rede Globo, como destruidora dos casamentos e consequentemente das famílias. Como propostas, têm aparecido sugestões difíceis de serem cumpridas ou até utópicas como: - pedir que os anunciadores deixem de anunciar no horário desse tipo de novela (estas novelas é que dão IBOPE); - desligar a televisão na hora da novela (os pais colocam uma televisão em cada dependência da casa e cada um se torna “dono”, logo só ele vai desligar, e, onde fica a democracia); portanto, entendemos que o caminho não é crítica às novelas e muito menos à mídia, a qual em muitos casos é super educativa, informativa e necessária.

Só para se ter uma idéia, algum tempo atrás, participava de uma dessas reuniões, e uma senhora dessas “carolas”, falava mal e chegava a insultar casais de segundo casamentos, e os motivos de suas separações, dizendo-se baseada no Papa. Quase ao final da reunião, quando não lembravam mais, em tom de brincadeira perguntei, quem estava vendo a novela das oito na Globo, onde a personagem Maria Luiza traía o esposo Antenor? De imediato a senhora “dona da verdade” disse: ela faz muito bem, porque o marido é um safado! Ante o olhar de todos, quando notou a besteira que tinha dito, ela apenas completou: mas ali é novela. Então aproveitei para dar minha sugestão que vai abaixo:

1º) Não vamos divulgar o conteúdo que consideramos errado das novelas, parece até propaganda da Globo, porque até quem não assiste fica curioso para ver.

2º) Novela desse tipo, que citei, ou cenas como a mencionada, de adultério, pode ser vista, pela família, e nós ditos religiosos devemos fazer comentários (na hora da propaganda para ninguém reclamar) da seguinte forma: tornou-se uma pecadora tanto quanto o Antenor; na Igreja vão ser vistos com outros olhos, nem comungar podem mais; financeiramente vão ficar numa situação pior, porque vão ter que dividir a fortuna e ainda gastar com advogados e o que é pior, vão arranjar outras pessoas para dividir ainda mais o que tem e possivelmente cometer os mesmos erros; ou seja: comentários que mostrem o lado ruim daquele ato para que outras pessoas, principalmente nossos jovens, não queiram copiá-lo e nunca comentário como foi feito pela “dona da verdade” acima, considerando que a atitude da mulher que trai é perfeita.

3º) A família, dificilmente é destruída, quando vai junto à Igreja, professa uma mesma fé, trabalha em pastorais ajudando os mais necessitados e tem uma determinada hora em casa, para conversar sobre suas atividades. Esta afirmativa provém de pesquisas que tenho feito dentro das Igrejas que freqüento. Porque é quase impossível o esfacelamento da família que escuta sempre de uma mesma forma, falar sobre Jesus, e o jeito como ele pregava a união da família. Claro que as exceções existem, mas são exceções e como tal devem ser tratadas. Os protagonistas dessas exceções devem receber o respeito de todos, sejam cléricos ou leigos.

4º) Com respeito aos jovens, fiquei abismado com um casal de namorados, jovens de cerca de 20 anos, o qual freqüenta a Igreja, mas vai a barzinho, a balada, etc, igual a qualquer jovem. Os dois dizem abertamente que são castos e que vão esperar o casamento. Para muitos, ditos cristãos, isso é exagero, mas seria ótimo que todos pensassem como esses jovens. Há 40 anos atrás quando casei, a grande maioria pensava desse jeito e ninguém morria por isto, hoje, se a castidade tivesse continuado, seria prejudicial apenas para os fabricantes de camisinhas.

Carlos Alberto Melo
Advogado OAB/PE 11576.   
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 29/08/2008