A casa dos grandes pensadores
 
 
 

CARLOS ALBERTO MELO

 

SER FELIZ SOZINHO É SONHAR ACORDADO
 
                                                            -"ninguém é feliz sozinho, metade do caminho está percorrido
                                                               quando   encontramos alguém”
                                                            - Paulo Coelho, na Itália, para o “Bate-papo UOL”, em 26/09/07.
 
            Alguém nos enviou um texto onde a autora Sueli Nogueira, expressa que para ser feliz, não precisa do esposo, nem de ninguém, pode ser feliz sozinha. Como discordo de tal afirmativa resolvi então trazer o tema para o debate daqueles que pretenderem.
            Em primeiro lugar há de se fazer uma diferenciação entre dois termos que são confundidos e em alguns casos até empregados como sinônimos que são: felicidade e contentamento; e a grande diferença é que o primeiro é bem mais profundo e duradouro que o segundo.
Na minha percepção, felicidade é um estado de espírito, que invade o corpo através da mente, trazendo-nos conforto e inspirando-nos bons sentimentos para conosco e para com os que nos cercam.
Contentamento é um dos sentimentos, proveniente ou causador da felicidade, mas não é a própria. Eu fico contente quando chego em casa cansado e encontro o banheiro limpo, a toalha e o sabonete nos lugares e o chuveiro com água, mas isso é muito pouco para ser felicidade. Podemos ficar contentes porque o “céu está azul e estrelado”, mas ficaremos felizes se o contemplarmos de mãos entrelaçadas com a pessoa que amamos; caso o leitor concorde com esta afirmativa note que a expressão do primeiro sentimento se fez sozinha e no segundo, que é a felicidade, só foi possível encontrá-la a dois.   
A pessoa com a qual convivemos, seja esposa(o), namorada(o), companheira(o), é sim complementadora do que chamamos a felicidade da nossa vida amorosa, dizer que somos felizes na vida amora, quando a pessoa que escolhemos para isto, não nos ama e até nos despreza é masoquismo ou pura balela. Mesmo nos casos de amor, na sua expressão mais pura, quando se abre mão da pessoa amada para que ela encontre sua felicidade ao lado de outra,  a pretensa felicidade de quem abriu mão só foi possível por conta de outro ser.
Quando perdemos uma pessoa a quem amamos, por menor que seja o carinho que devotamos a ela, o sentimento da perda, traz a angustia, a tristeza, o ódio, que são causadores da infelicidade. Se a infelicidade depende de outra pessoa, logo a recíproca é verdadeira, note-se que nenhum desses sentimentos ruins, citados, são adquiridos espontaneamente ou por si, muito pelo contrário, são causados pela ação ou omissão de outras pessoas, seja esposa, filhos, irmãos, amigos, etc, mais uma vez demonstra-se que a felicidade depende de outra pessoa.
Para basear suas afirmativas Sueli Nogueira disse: “Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância, sobre a face da terra, eu estaria com sérios problemas”. As coisas podem mudar ao nosso redor, mas necessariamente não trazem mudanças na nossa felicidade. Por exemplo, eu posso ser feliz com meu filho porque ele foi promovido na empresa em que trabalha; se amanhã essa empresa vier a falir e fechar suas portas, nós podemos ficar infelizes porque ele perderá o emprego, mas isto não acaba a nossa felicidade por terem anteriormente reconhecido seus méritos, sempre nos lembraremos daquele momento feliz de nossas vidas.
Finalizo com o soneto adiante que idealizei para este momento.
 
A FELICIDADE É AMAR
 
Sou feliz sempre acompanhado!
Sozinho fica difícil de viver,
Como humano não fico isolado
Com outros é que vejo o amanhecer.
 
Encontrei carinho em cada semblante
Nas estradas por mim percorridas,
Mesmo que fosse por um instante,
Fui feliz nas experiências vividas.
 
Felicidade é sentimento profundo,
Que as mudanças não podem apagar.
Ainda que mudem tudo no mundo
 
Um momento feliz não vou esquecer,
Pois não se muda a palavra: amar
Que é tudo que preciso para viver.
 
Carlos Alberto Melo
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 05/10/2007