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BIOGRAFIA
No dia 19 de junho de 1944,
nasceu, no Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda. A
família logo muda-se para a rua Haddock Lobo, em São Paulo, em 1946. Ao
partir de viagem para a Europa, se despediria da avó com um profético
bilhete: "Vovó, você está muito velha e quando eu voltar, eu não vou ver
você mais, mas eu vou ser cantor de rádio e você poderá ligar o rádio do
Céu, se sentir saudades".
Em 1959, já mostrava um grande interesse pela música. Além dos sambas
tradicionais de Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, também
ouvia canções estrangeiras. Seu sonho, na época, "era cantar como
João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e letra como
Vinícius de Moraes". É deste ano sua primeira composição de que ele
se lembra, Canção dos Olhos.
Em 1964, apresenta-se pela primeira vez em um show, no Colégio Santa
Cruz, cantando Canção dos Olhos. A música
Tem Mais Samba também é desse ano e o show de TV então era O Fino
Da Bossa, onde se apresentavam, entre outros,
Alaíde Costa, Zimbo Trio, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Nara Leão,
Sérgio Mendes e Os Cariocas. No auditório do Colégio Rio
Branco, Chico mostra a sua canção
Marcha Para Um Dia de Sol.
Em 1965, é lançado seu primeiro compacto com Pedro Pedreiro e
Sonho de Um Carnaval, sua primeira música inscrita em um festival, o
da TV Excelsior. A canção defendida é depois gravada por Geraldo
Vandré e não se classifica. O primeiro lugar vai para Arrastão,
de
Edu Lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina.
No Juão Sebastião Bar, reduto paulista da bossa nova na época, conhece
Gilberto Gil. Nesse mesmo ano, conhece Caetano Veloso, que se
entusiasmara ao ouvir Chico cantando Olê, Olá num show
estudantil. Em 1966, A Banda divide com
Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré, o primeiro
lugar no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela
Record.
Mesmo morando no Rio, continua mantendo vínculos com São Paulo, onde
passa a gravar, ao lado de Nara Leão, o programa musical Pra Ver a Banda
Passar, da TV Record. Carolina fica em terceiro lugar no II FIC -
Festival Internacional da Canção - promovido pela Rede Globo. Roda
Viva também se classifica em terceiro no III Festival da MPB,
promovido pela TV Record.
Em 1968 vence o Festival Internacional da Canção, com Sabiá, feita em
parceria com Tom Jobim, com quem compõe, no mesmo ano, Pois É e
Retrato Em Branco e Preto. Em janeiro de 1969 deixa o Brasil e se
apresenta na grande Feira da Indústria Fonográfica, em Cannes, na
França. Parte depois para um auto-exílio na Itália.
Retorna ao Brasil em 1970 e afasta-se do samba tradicional, variando
mais a linha das composições e revelando novas influências como a toada,
em Rosa dos Ventos, o iê-iê-iê italiano com Cara a Cara, e o
protesto político com Apesar de Você. Em abril de 1975 é vetado
integralmente pela censura seu samba Bolsa de Amores. Rompe com a
TV Globo e cancela sua inscrição, junto com outros convidados, no VI
Festival Internacional da Canção, em sinal de protesto contra o fato de
a emissora criar uma inscrição especial para que os mais famosos não
precisassem passar pelas fases eliminatórias.
Em 1972, compõe quase todas as músicas do filme Quando O Carnaval
Chegar. Voltaria a fazer músicas para mais dois filmes de Cacá
Diegues: Joanna, a Francesa, em 1973, e
Bye Bye, Brasil, de 1979. Em 1973, a música Cálice, feita
em parceria com Gilberto Gil, é proibida pela própria Phonogram. Com
medo de represálias, a gravadora desliga os microfones do palco e impede
Chico e Gil até mesmo de tocarem a melodia da música.
Em 1972, a censura proíbe a capa do disco Chico Canta, com as
músicas da peça Calabar. Para driblar a censura, cria o
personagem heterônimo Julinho da Adelaide. A artimanha dá certo e
as canções Acorda, Amor, Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro
passam sem grandes problemas pela censura. Julinho da Adelaide
concede ao escritor e jornalista Mario Prata uma longa entrevista para o
jornal Última Hora. O público só tomaria conhecimento da verdade por
meio de uma reportagem publicada em 1975 pelo Jornal do Brasil.
Em 1975, resiste às tentativas dos que querem transformá-lo em um
símbolo da luta política contra o regime militar. Em 1976, compõe O
Que Será, para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno
Barreto. Sai o disco Meus Caros Amigos.
Em 1978, estréia a peça Ópera do Malandro. No mesmo ano, ganha o
Prêmio Molière como melhor autor teatral pelo seu trabalho em Gota
d´Água e lança o LP Chico Buarque 1978, e Chapeuzinho
Amarelo, o primeiro livro infantil de sua autoria, ilustrado por
Donatella Berlendis, além do álbum duplo Ópera do Malandro.
Em 1980, lança o LP Vida, que traz, entre outras, a música
Eu Te Amo, feita especialmente para o filme homônimo de Arnaldo
Jabor. Lança ainda os discos: Almanaque e Saltimbancos
Trapalhões. Em 1982, em parceria com Edu Lobo, compõe as
canções para o balé O Grande Circo Místico, que seria lançado em
disco no ano seguinte.
Em 1983, compõe o samba Vai Passar, que no ano seguinte se tornaria uma
referência na campanha pelas Diretas Já, da qual participa ativamente.
Lança o disco Chico Buarque 1984. Em 1986 comanda, ao lado de
Caetano Veloso, o programa de televisão "Chico e Caetano", que
permaneceu por sete meses na programação da Rede Globo. Em 1987, lança o
disco Francisco e volta aos palcos dirigido por Naum Alves de
Souza. Em 1989, lança o disco Chico Buarque.
Em 1992, lança seu primeiro romance, Estorvo, publicado pela
Companhia das Letras, com o qual ganha o Prêmio Jabuti de Literatura e
vende 7.500 exemplares em apenas três dias, surpreendendo a Editora Dom
Quixote. Em 1995, escreve o segundo romance,
Benjamim, que, lançado em 1995, recebe críticas desfavoráveis de
parte da crítica literária, não obstante o sucesso de vendas e os
elogios de grandes nomes da literatura.
Em 1997, participa do disco Chico Buarque de Mangueira, com
regravações de clássicos dos compositores da escola e com duas canções
inéditas (Levantados do Chão e Assentamento) e, em 1998, é o
homenageado no desfile em que a Mangueira sagrou-se campeã do carnaval
de 1998. De Paris, escreve artigos para os jornais O Estado de S. Paulo
e O Globo durante a Copa do Mundo. O CD As Cidades, com sete canções
inéditas e quatro regravações, chega às lojas cinco anos depois de
Paratodos. É seu primeiro trabalho lançado na Internet.
www.chicobuarque.com.br
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