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CLAUDE MONET |
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CLAUDE MONET
(1840-1926) FONTE: JORNAL A TARDE MONET
E A FOTOGRAFIA
Para
verificar a relação existente entre o impressionismo de Monet e a
fotografia, ambos inseridos no âmbito da comunicação visual, parti do
princípio de que a comunicação visual é realizada através da percepção
pessoal do artista e do fotógrafo sobre os mais diversos temas. Escolhi
Monet, dentre os diversos pintores, inclusive impressionistas, para ser
objeto de comparação à fotografia. Monet pintava ao ar livre, de modo
a lhe permitir uma captação mais próxima da realidade, das manifestações
da luz sobre os objetos. O processo de trabalho de Monet assemelha-se ao
processo fotográfico: a fotografia registra as manifestações da luz
sobre os objetos. Como parecia impossível à Monet pintar duas vezes
mesmo quadro, apesar de fazer várias tentativas, ocorre o mesmo com a
tentativa de obter duas vezes a mesma fotografia. Monet
desenvolveu um trabalho intitulado de impressionista, buscando retratar,
da forma mais fiel possível, a incidência da luz sobre as coisas,
traduzindo, na pintura, seu próprio sentimento e visão ante a
realidade. Salientam-se, pois, a luz e a cor natural, capturada em
ambiente externo, de maneira que qualquer desvio no ângulo dos raios
solares implica em uma mudança concomitante das cores e tons. Nesse
contexto, apesar de retratar o mesmo cenário várias vezes, os
resultados obtidos seriam sempre diferentes. Fotografar
é imortalizar um momento único, ao qual não se poderá mais voltar,
senão através daquele registro. Nada mais que um simples clique, um
momento, um único e eterno registro. Imagens que serão para sempre não
a mera realidade apreendida, mas a que foi captada pelo olhar do fotógrafo.
Mesmo tentando fazer um enquadramento igual ou conservando o mesmo ângulo,
torna-se impossível tirar duas vezes a mesma fotografia, por que as
condições de luz são mutáveis e variam de segundo a segundo. São
evidentes as semelhanças entre os dois processos de comunicação
visual: a pintura impressionista de Monet e a fotografia. A luz é a
fonte, o início de ambos trabalhos: Monet procurava ser fiel às suas
nuances, à impressão que deixava nos objetos; fotografar é um
processo que capta a configuração da luz; onde há luz, percebe-se a
formação do objeto, onde não há, percebe-se a sombra. Em suma, foi tomada como pressuposição a idéia de que as imagens reproduzidas, seja pela fotografia ou pela pintura, não são a mera realidade apreendida, mas uma configuração única, obtida segundo a visão de quem assim a configurou. FONTE: JORNAL A TARDE |
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