A casa dos grandes pensadores
 
 
 

CLÉIA CARVALHO

 

 

 

“O FRUTO DO MEU VENTRE”

Chorei com a notícia, misto de medo com felicidade.
Chorei no primeiro ultra-som, ao ver o coração batendo forte,
Percebi que daquele dia em diante minha vida não seria mais só minha.
Além de não ser mais responsável apenas por mim.
Medo, suspense, expectativa, amor...
O mais lindo amor aflorava dentro de mim.
Um amor inexplicável.
Até doentio, que me trazia insônia e euforia.
Foi crescendo dentro de mim. Deformou-me, o corpo.
com as curvas mais lindas, e feias ao mesmo tempo.
Curvas de quem é mãe. Curvas de quem é mulher.
De repente, nasceu com os olhos demonstrando mais medo do que eu,
o medo da vida que se iniciava. Meu bebê, vida da minha vida.
 
Senti então um dos maiores prazeres da minha vida.
Amamentei. Senti o toque dos dedinhos no meu seio, no meu coração.
A força da vontade de viver, sugando meu leite.
Vi o fruto do meu ventre crescer.  
Tivemos febre, gripe, e tudo mais que mãe tem junto dos filhos.
Sobrevivemos nos amando cada dia mais.
Sorri junto nas suas alegrias e vitórias.
E hoje, tenho muito orgulho de você...
Uma das razões da minha existência.
Personagem da minha história.
 
História esta interrompida aos 15 anos quando você foi embora.
Era tudo tão lindo e maravilhoso. Você cresceu, criou asas e voou.
E acabou cortando os laços que havia entre mãe e filha.
Quero que você saiba, que eu jamais vou deixar de te amar,
mesmo sentindo que você não faz questão de me amar como eu gostaria.
Foram tantos aniversários sem a minha presença, que você nem
vai se importar com a minha ausência hoje.
Quisera eu nesta data, que sempre foi tão especial para mim,
junto de você, te aplaudindo, abraçando e
beijando aquele bebe que era meu, e hoje não tenho mais.
 
Te amo muito.
Desejo muita luz em seu coração.
Um grande beijo.

Cléia Carvalho

Pensionista Aerus-Varig

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 19/03/2008