“O FRUTO DO
MEU VENTRE”
Chorei com a notícia, misto de
medo com felicidade.
Chorei no primeiro ultra-som, ao ver o coração batendo forte,
Percebi que daquele dia em
diante minha vida não seria mais só minha.
Além de não ser mais responsável apenas por mim.
Medo, suspense, expectativa, amor...
O mais lindo amor aflorava dentro de mim.
Um amor inexplicável.
Até doentio, que me trazia insônia e euforia.
Foi crescendo dentro de mim. Deformou-me, o corpo.
com as curvas mais lindas, e
feias ao mesmo tempo.
Curvas de quem é mãe. Curvas de quem é mulher.
De repente, nasceu com os olhos demonstrando mais medo do que
eu,
o medo da vida que se
iniciava. Meu bebê, vida da minha vida.
Senti então um dos maiores prazeres da minha vida.
Amamentei. Senti o toque dos dedinhos no meu seio, no meu
coração.
A força da vontade de viver, sugando meu leite.
Vi o fruto do meu ventre crescer.
Tivemos febre, gripe, e tudo mais que mãe tem junto dos
filhos.
Sobrevivemos nos amando cada dia mais.
Sorri junto nas suas alegrias e vitórias.
E hoje, tenho muito orgulho de você...
Uma das razões da minha existência.
Personagem da minha história.
História esta interrompida aos
15 anos quando você foi embora.
Era tudo tão lindo e
maravilhoso. Você cresceu, criou asas e voou.
E acabou cortando os laços que
havia entre mãe e filha.
Quero que você saiba, que eu
jamais vou deixar de te amar,
mesmo sentindo que você não
faz questão de me amar como eu gostaria.
Foram tantos aniversários sem
a minha presença, que você nem
vai se importar com a minha
ausência hoje.
Quisera eu nesta data, que
sempre foi tão especial para mim,
junto de você, te aplaudindo,
abraçando e
beijando aquele bebe que era
meu, e hoje não tenho mais.
Te amo muito.
Desejo muita luz em seu
coração.
Um grande beijo.
Cléia Carvalho
Pensionista Aerus-Varig