DEFINIÇÕES E ORIGEM DA TROVA
Texto de Clério José Borges
(Autor do Livro "Origem Capixaba da Trova")
Trovador é uma palavra derivada do latim, acusativo singular
de "trobaire" (poeta), do verbo trobar (inventar, achar). Todo
trovador é poeta, mas nem todo poeta é trovador, pois nem
todos Poetas sabem metrificar, fazer o verso medido.
A trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: É o
poema de quatro versos setessilábicos com rima e sentido
completo. Mas, quando surgiu, não era assim. Seu aparecimento
está intimamente ligado à poesia da Idade Média, onde a trova
era sinônimo de poema e letra de música. A cultura
trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período:
as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder
espiritual do clero. Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o
que predominava. Na literatura, desenvolveu-se, no sul da
França e em Portugal, um movimento poético chamado
Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos
para serem cantados por poetas e músicos, e foram os primeiros
a serem sistematicamente publicados.
Hoje, entretanto, a trova possui a sua conceituação própria,
diferenciando-se da quadra e da poesia de cordel, da Trova
Gauchesca, do Repente, bem como do poema musicado da Idade
Média. Um movimento cultural em torno da trova surgiu no
Brasil a partir de 1950 e chamou-se Trovismo. A palavra foi
criada pelo poeta e político falecido J. G. de Araújo Jorge e
pelo escritor e historiado, Eno Theodoro Wanke.
Em 1960, foram realizados os Primeiros Jogos Florais, com
sucesso, e a fundação oficial da União Brasileira de
Trovadores, juntamente com uma plêiade de idealistas do Rio de
Janeiro.
O Dentista Gilson de Castro é considerado o maior divulgador
da Trova nos anos 50 e 60. Usava o pseudônimo de Luiz Otávio.
Era carioca, nascido em 18 de Julho de 1916 e deixou o seu
nome inscrito nas páginas literárias desse país como o
Príncipe dos Trovadores Brasileiros, pelo seu trabalho
incessante e gigantesco em prol da causa da trova. No dia 31
de Janeiro de 1977, Luiz Otávio, alçou vôo para a eternidade.
Em 1980, ao criar o Clube dos Trovadores Capixabas, o poeta
Clério José Borges fez despontar o Neotrovismo, que é a
renovação do movimento em torno da Trova no Brasil.
Trovismo: Movimento cultural em torno da Trova no Brasil,
surgido a partir de 1950. A palavra foi criada pelo poeta e
político falecido J. G. de Araújo Jorge. O escritor Eno
Teodoro Wanke publica em 1978 o livro "O Trovismo", onde conta
a história do movimento de 1950 em diante.
Neotrovismo: É a renovação do movimento em torno da Trova no
Brasil. Surge em 1980, com a criação por Clério José Borges do
Clube dos Trovadores Capixabas. Foram realizados 15 Seminários
Nacionais da Trova no Espírito Santo e o Presidente Clério
Borges já foi convidado e proferiu palestras no Brasil e no
Uruguai. Em 1987 concedeu inclusive entrevista em Rede
Nacional, no programa "Sem Censura" da TV Educativa do Rio de
Janeiro.
A Trova possui o seu conceito plenamente estabelecido: É o
poema de quatro versos setessilábicos com rima e sentido
completo. Já Quadra é toda estrofe formada por quatro linhas
de uma poesia.
Assim, não é verdade que Quadra e Trova sejam a mesma coisa e
que a Trova evoca mais os Trovadores da Provença Medieval e
que a Quadra seria uma forma de se fazer poesia mais moderna.
A Quadra pode ser feita sem métrica e com versos brancos, sem
rima. Aí então será só uma quadra sem ser a Trova que
obrigatoriamente terá que ser metrificada.
Trova, nos dias atuais, é cultuada como Obra de Arte, como
Literatura.
A Trova é uma composição poética, ou seja, uma poesia que deve
obedecer as seguintes características:
1- Ser uma quadra. Ter quatro versos. Em poesia cada linha é
denominada verso.
2- Cada verso deve ter sete sílabas poéticas. Cada verso deve
ser setessilábico. As sílabas são contadas pelo som.
3- Ter sentido completo e independente. O autor da Trova deve
colocar nos quatro versos toda a sua idéia. A Trova difere dos
versos da Literatura de Cordel, onde em quadra ou sextilhas, o
autor conta uma história que no final soma mais de cem versos,
ou seja, linhas. A Trova possui apenas 4 versos, ou seja, 4
linhas.
4- Ter rima. A rima poderá ser do primeiro verso com o
terceiro e o segundo com o quarto, no esquema ABAB, ou ainda,
somente do segundo com o quarto, no esquema ABCB. Existem
Trovas também nos esquemas de rimas ABBA e AABB.
Segundo o escritor Jorge Amado:
"Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale
diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela
que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova
e o Trovador são imortais"
Poeta para ser Poeta precisa saber metrificação, saber contar
o verso. Se não souber o que é escansão, ou seja, medir o
verso, não é Poeta.
Trova é uma composição poética clássica de forma fixa,
constante de quatro versos de sete sílabas, rigorosamente
metrificados e rimados. Uma estrofe, qualquer que seja
constante de quatro versos chama-se quadra (=quarteto). A
trova, portanto é uma quadra, mas nem toda quadra é uma trova.
Isso por que, uma quadra para ser trova deve atender as
exigências de ter sentido completo e independente, e de
possuir as rimas assim esquematizadas: ABSB; ABBA; AABB; e
ABCB. A trova mais cultivada é a elaborada com o esquema de
rimas ABAB.
POESIA
Poesia é a forma de expressão lingüística destinada a evocar
sensações, impressões e emoções por meio da união de sons,
ritmos e harmonias, utilizando-se vocábulos essencialmente
metafóricos.
A poesia surgiu intimamente ligada à música. As poesias dos
aedos gregos e trovadores medievais promoviam a união entre a
letra do poema e o som. Ao longo dos anos, este vínculo foi se
intensificando, mas houve uma distinção técnica entre a música
(que passou a ser escrita em pautas) e a poesia que preservou
a rítmica natural, e passou a ser construída por meios
gramaticais. Posteriormente, a poesia ganhou fundamentos e
regras próprias.
Existe alguma divergência entre o que significa Poema e
Poesia. Para efeito geral, considera-se que são sinônimos; mas
para a definição acadêmica, Poesia é o gênero de composição
poética e Poema é a obra deste gênero.
Para que entendamos melhor, vejamos a definição de Poema
segundo o eminente escritor, Assis Brasil:
"Poema é o "objeto" poético, o texto onde a poesia se realiza,
é uma forma, como o soneto que tem dois quartetos e dois
tercetos, ou quatorze versos juntos, como é conhecido o soneto
inglês. Um poema seria distinto de um texto ou estrofes.
Quando essa nomenclatura definitiva é eliminada, passando um
texto a ser apresentado em forma de linhas corridas, como
usualmente se conhece a prosa, então se pode falar em
poema-em-prosa, desde que tal texto (numa identificação
sumária e mecânica) apresente um mundo mais "poético", ou
seja, mais expressivo, menos referente à realidade. A
distinção se torna por vezes complexa. (...) a poesia pode
estar presente quer no poema que é feito com certo número de
versos, quer num texto em prosa, este adquirindo a qualidade
poema-em-prosa".
Já Poesia, Assis Brasil define assim:
"(...) uma manifestação cultural, criativa, expressiva do
homem. Não se trata de um 'estado emotivo', do deslumbre de um
pôr-do-sol ou de uma dor-de-cotovelo; é muito mais do que
isso, é uma forma de conhecimento intuitivo, nunca podendo ser
confundido o termo poesia com outro correlato: O poema".
VERSO
É cada uma das linhas de um poema. É a unidade rítmica da
composição poética. Existem três qualificações de verso:
VERSO AGUDO; VERSO GRAVE e VERSO ESDRÚXULO.
Verso Agudo é o que termina em palavra oxítona ou em
monossílabo tônico. Exemplos: trenó, luz.
Verso Grave é o verso que termina em palavras paroxítonas.
Exemplos: palavra, bonito, capote.
Verso Exdrúxulo é o verso que termina em palavras
proparoxítonas. Exemplos: lépido, insípido, súbito, apátrida.
POEMETO
É um poema curto. De poemetos, temos belos exemplos, como
sejam: O Melro e O Fiel, de Guerra Junqueira, e Juca Mulato,
de Menotti Del Picchia.
ELISÃO
É a fusão de duas ou mais vogais no mesmo verso, formando uma
sílaba só. Exemplo: Dei-te amor (4 sílabas) = Dei-tea-mor (3
sílabas poéticas).
HIATO
É o encontro de duas vogais, em sílabas diferentes. Nas frases
em que ele ocorre, as vogais não se fundem quando da leitura
do verso. Exemplo: Está a falar.
CONTAGEM DAS SÍLABAS
Na tradição de nossa língua, a contagem de sílabas no verso
difere da contagem gramatical das palavras na frase.
Enquanto nesta são consideradas todas as sílabas, no verso ela
se processa como se fala, com a absorção de vogais
pronunciadas. Em poesia não se contam:
- A última sílaba do verso grave. Exemplo: na palavra
membrana, não se conta a sílaba na;
- As duas últimas sílabas, no verso esdrúxulo. Exemplo: na
palavra prática, não se contam as sílabas ti-ca.
RIMA
Embora desconhecida na literatura antiga, a rima tornou-se - a
partir do início da Idade Média - um elemento fundamental da
lírica. Ela reforçava os aspectos sonoros e musicais dos
versos, além de estabelecer algumas correspondências de
sentido entre eles. A rima nasce de uma semelhança ou de uma
igualdade de sons em dois ou mais versos: calor / amor;
remédio / tédio; etc. Geralmente, ela se dá no final dos
versos, de forma alternada (AB/AB), como nesta estrofe de um
poema de Vinícius de Moraes:
Distante o meu amor, se me afigura (A)
O amor como um patético tormento (B)
Pensar nele é morrer de desventura (A)
Não pensar é matar meu pensamento. (B)
As rimas também podem aparecer duas a duas (AA/BB/CC), sendo
conhecidas como rimas emparelhadas. Existe também as que
ocorrem entre o primeiro e o quarto versos, o segundo e o
terceiro (AB/BA), recebendo o nome de rimas entrelaçadas. Há
também uma rima interior, quando uma ou mais palavras que
coincidem sonoramente estão no interior do verso. Veja-se este
exemplo de Fernando Pessoa:
E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.
Durante o século XVIII, os autores do Arcadismo, em nome dos
antigos clássicos, combateram duramente a rima na poesia.
Instituiu-se então o verso branco, onde as semelhanças ou
identidades de fonemas não apareciam. No século seguinte, a
rima ressurgiu com força, em especial nos autores do
Romantismo e do Parnasianismo. Já no século XX, ela quase
desapareceu diante do verso livre (sem rima e sem métrica),
utilizado pela maioria dos poetas contemporâneos.
ORIGEM DA TROVA
A Trova é uma forma poética milenar. Possui mais de mil anos.
É originária da Península Ibérica. Península é uma porção de
terra cercada de água por todos os lados, exceto um, por onde
se liga a outra terra. A Península Ibérica fica no Continente
Europeu, ou seja, na Europa e, é constituída pelos países
Espanha e Portugal.
Até o século passado, isto é, século XIX, a Trova era
exclusivamente popular. Feita pelo povo.
Os textos em forma de Trova se popularizavam nos cantares da
rua, nas serenatas, nos passeios, nas festas de casamento,
etc.
É certo que a Trova nasceu no período da Idade Média.
A Idade Média compreende o período de anos entre a invasão do
Império Romano pelos bárbaros, no século V, em 476, até a data
da ocupação de Constantinopla pelos Turcos, em 1453, no século
XV. Na Antigüidade, vários povos, como persas, gregos,
egípcios e romanos, dominaram vastas regiões pela força,
através de exércitos e com guerras, construindo imensos
Impérios.
A cidade de Roma, hoje Capital da Itália, foi fundada em 753
Antes de Cristo. Transformou-se na Capital do Mundo Ocidental
com a expansão do Império Romano. Graças à riqueza acumulada e
aos milhares de escravos conseguidos entre os povos
conquistados, tornou-se uma cidade rica na época, com
magníficos palácios, monumentos, chegando a uma população de
mais de 1 milhão de habitantes.
Constantinopla era a antiga cidade de Bizâncio, uma antiga
colônia grega, localizada estrategicamente entre o mar Negro e
o mar Mediterrâneo, que facilitava o comércio e a defesa de
ataques inimigos. No ano de 330, o Imperador Romano,
Constantino, que foi o primeiro a se tornar Cristão,
transferiu a Capital para Bizâncio que passou a chamar-se
Constantinopla, passando a ser a Capital de todo o Império
Romano.
A mudança foi feita, pois os bárbaros avançavam sobre a
Europa, enfraquecendo a então Capital do Império, Roma. Em
395, os bárbaros já dominavam Roma. Em 1389, os Turcos então
chamados povos bárbaros, já atacavam as províncias orientais e
em 1453 ocuparam Constantinopla. Era o fim do Império
Bizantino que recebera este nome por estar centralizado na
antiga cidade de Bizâncio. Constantinopla passou a chamar-se
Istambul, e a religião Cristã foi substituída pela religião
dos invasores Turcos, chamada muçulmana ou Islamismo.
Analisando a poesia das músicas cantadas nas cerimônias
litúrgicas, ou seja, nas atividades religiosas, lá pelo século
V, o historiador e incansável pesquisador Eno Teodoro Wanke,
acabou descobrindo muitos refrões, já em forma de quadras.
Refrão significa estribilho, ou seja, versos repetidos no fim
de um grupo de versos de uma composição poética.
A Península Ibérica, no século VII fora invadida pelos Árabes.
Segundo a Bíblia, os Árabes são descendentes de Ismael, filho
de Abraão.
Árabe, significa "aqueles que falam claramente".
Subdivididos, em princípio, em muitas tribos, a partir do
século VII, os Árabes formaram um Império baseado no
Islamismo, uma religião fundada pelo profeta Maomé e que tem o
Alcorão como livro sagrado de leis.
O Império Árabe expandiu-se através de feitos militares,
chegando a ocupar vasto território em três continentes: Ásia,
África e Europa. Os Árabes eram originários da Arábia, região
da Ásia. Os Turcos são originários da Turquia, região também
da Ásia e cuja extremidade sudeste do território ocupa a
Europa. Por professarem uma religião diferente da religião
Cristã, os Árabes e os Turcos eram chamados pelos povos
Cristãos, como os Bárbaros.
No século XI, a expansão dos Árabes ia pela Ásia Central
Soviética até o noroeste da África e a Península Ibérica.
Assim o poeta Mocadem, poeta cego, nascido em 840 da nossa
Era, em Cabra, na região espanhola da Andaluzia, foi um dos
primeiros a utilizar a Trova popular em estado rude,
utilizando-a nos seus escritos em árabe, que fechavam com um
poema curto, popular, em língua romance (a falada na
Andaluzia) denominada então de Carja.
Mocadem nasceu em plena dominação Árabe na Espanha, na
Península Ibérica e era, portanto um poeta de língua Árabe.
Faleceu em 920 D.C.
A partir do século XIII, a Trova começa a desenvolver-se com
certo requinte, ou seja, de forma mais aprimorada, mais bem
feita. Em "Cantigas de Santa Maria", livro escrito pelo Rei
Afonso X, de Castela, região da Espanha, no século XIII,
encontramos mais de 200 refrões com as características da
nossa Trova. Eis um exemplo:
Conhecidamente mostra
milagres Santa Maria
em aqueles que a chamam
de coração, noite e dia.
Os séculos seguintes estão cheios de poemas com refrões, com
as características de Trova.
No século XVI, encontramos Trovas do Poeta Camões.
Luís Vaz de Camões é considerado um dos maiores poetas épicos.
Poeta épico é aquele que faz poemas grandes, sobre assuntos e
ações heróicas.
Camões nasceu em Lisboa em 1524. Em 1552, numa batalha na
África, perdeu o olho direito. Pouco se sabe com segurança
sobre a vida de Luís Vaz de Camões. É provável que tenha
nascido por volta de 1525, talvez em Lisboa. Deve ter tido uma
educação esmerada, apesar de pertencer à camada menos abastada
da corte portuguesa. Supõe-se que tenha estudado no Convento
de Santa Cruz, no qual trabalhava Dom Bento de Camões, seu
tio. Lutando contra os mouros, na investida portuguesa em
Ceuta, em 1549, perde a vista direita, razão pela qual será
sempre representado futuramente com um tapa-olho. Preso
durante o ano de 1552 por se envolver em brigas, embarca para
o Oriente no ano seguinte em serviço militar. Vivendo na
miséria em Goa e Moçambique durante 16 anos, chega a ter o seu
Auto de Filodemo representado na Índia e, graças ao auxílio
financeiro de amigos, regressa a Lisboa em 1569. Data desse
período de dura peregrinação pelas colônias ultramarinas
portuguesas a imagem de Camões que o
s românticos haveriam de perpetuar: a do poeta miserável,
exilado e saudoso de sua terra, sofrendo humilhações no
cotidiano e escrevendo os mais sublimes versos como vingança.
A conhecida história de seu relacionamento com Dinamene,
companheira chinesa do poeta, reforça essa imagem. Navegando
pelo rio Mecon, na Indochina, o casal sofreria um naufrágio.
Diz a lenda que Camões teria conseguido salvar a si e aos
manuscritos dos Lusíadas, enquanto a infeliz Dinamene morria
afogada. Camões dedicaria à amada morta vários de seus poemas
líricos, procurando elevá-la às mesmas alturas da Laura de
Petrarca ou da Beatriz de Dante. Retornando a Portugal,
consegue publicar, em 1572, a sua obra-prima, Os Lusíadas, e
passa a viver de uma modesta pensão oferecida por Dom
Sebastião, a quem dedicara seu poema épico. Morre em 1580,
mesmo ano em que Portugal perdia sua autonomia política,
caindo sob o domínio da temível Espanha. Em carta a Dom
Francisco de Almeida, o poeta sintetiza este moment
o: "...acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à
minha Pátria que não me contentei em morrer nela, mas com
ela". Lisboa é a Capital de Portugal, país que com a Espanha
forma a Península Ibérica.
Camões escreveu o poema épico, "Os Lusíadas" que possui 1.102
estrofes e 8.816 versos. Estrofe é um conjunto de versos de
uma composição poética. Já verso, em poesia, é cada linha de
um poema. Assim os "Os Lusíadas" é um poema que possui 8.816
linhas.
O livro "Os Lusíadas" foi publicado com sucesso em 1572.
Apesar do sucesso de sua obra épica, Camões morreu na miséria
em 1580. Poemas líricos seus, só foram publicados 15 anos após
sua morte. Eis uma de suas Trovas, no esquema de rima "ABBA":
Campos bem-aventurados
tornai-vos agora tristes,
que os dias em que me vistes
alegre, já são passados.
A partir de Camões (Século XVI) até o Século XVIII, a trova
ficou, praticamente, no obscurantismo. Somente por volta de
1815, através de uma coletânea de contos folclóricos alemães
de Wilhein e Jacob Grimm foi que a trova reapareceu. Em 1859,
houve uma publicação sobre "trovas folclóricas" de Cecília
Bohl, intitulada Cuentos y Poesias Populares Andaluces. Em
1867 veio a lume a coleção de "Trovas Portuguesas", organizada
por Teófilo Braga (1843-1924). Em 1883, foi lançado em
Portugal, o livro "Cantos Populares do Brasil", de autoria do
sergipano Silvio Romero (1851-1914).
Em 1902, Antônio Correa de Oliveira (1879-1960) publicou o
livro "Cantigas", o primeiro livro de Língua portuguesa
inteiramente de trovas.
OBS.: O texto acima de autoria do Poeta, Escritor e
Historiador Capixaba, Clério José Borges de Sant Anna foi
publicado no Livro ORIGEM CAPIXABA DA TROVA, lançado no dia 03
de Outubro de 2007, na Casa do Congo Mestre Antônio Rosa, na
Serra Sede, um dia antes da Sesão Solene comemorativa do Dia
Municipal do Poeta Trovador, realizado na Câmara Municipal da
Serra.
Clério José Borges