DO
LIMBO AO OLIMPO
Cores diáfanas, espíritos disformes,
Vagando em nuvens por céu multicor,
Descendo a vales, montanhas e escarpas,
Tatear solidão, alçar esplendor.
Em só estar só, encontrar, buscar só,
Debruar natureza, desmentir ilusão,
Avançar para si, e em si encontrar,
Afagar-se corpóreo, entregar solidão.
Deglutir-se em palavras, amar-se,
matar-se...
... dar-se em alma, dar-se em matéria,
Forjar-se forte, hercúleo gigante,
Alvejar sem vida, encorpar tal
quimera.
Descer do Olimpo, galgar outro limbo,
Emaranhar suas carnes ao fogo sempre terno,
Toldar-se ao novo e ao velho toldar,
Nascer para a vida em novo seio materno.
Albertino Fernandes – Pensa-me