
- FÉ
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- Tem fé irmão
- E teu esforço não será
em vão
- Como não será em vão
- O suor que agora
derramas
- Em teu solo querido
- Este chão
-
- Tuas faces hão de
libertar-se
- De tamanha ditadura
- E em tuas preces
- Não repetirás
- Cândidas lamúrias
-
- Estas tuas mãos que ora
salpicam
- Sangue-rubro-sangue
- Levantarão com orgulho
- Teus filhos como tu
- Sertanejo exangue
-
- Lavra a tua áspera
terra
- Sem nunca esquecer
- Que a brutal semeadura
- Fora deitada por
mandarins
- Em sua malfadada
loucura
-
- Em tuas mãos a
calosidade
- Duma desgraçada vida
- De mal contida
esperança
- E teu coração guardado
- Em couraça de peles e
ossos
- Pulsa muito, muito
pouco
- Artífice incólume
- Jardineiro louco
-
- É triste muito triste
irmão
- Ver o leito de rio
- Por onde descia
caudaloso manancial
- Transformado agora
- Em leito de recordações
- E sombrias lembranças
-
- Em carne viva os teus
pés
- Pisam mansamente este
chão agreste
- Pois já não tens força
- Para assentar com mais
vibração
- Teu corpo cansado e
esvaído
- à míngua servidão
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- Albertino Fernandes
(Pensa-me)
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