Eu vou contar o meu caso
O meu jargão de viver
Correndo dos homens e leis
Já não me deixam crescer
Eu sou o alcunha menor
E tenho nome bacana
Mas tomo muito cuidado
Pois sei que a vida é sacana
Eu aprendi a ser torto
Levado da breca e matreiro
Cresci no meio de malandros
Pivete de janeiro a janeiro
E sou aquele garoto
Que limpava com jeito o seu carro
Meio molhado e com fome
Lustrei seu sapato do barro
Ri, a sociedade que diga
Nada melhor pra contar
Eu sou o moleque de rua
Roubando aqui e acolá
Cresci assim meio perdido
Aprendendo tudo de mal
Num mundo repleto de gente
Bang-bang e policial
Nessa estrada sempre sou réu
Assim me explicam pro mundo
E vivendo como gato de rua
Ai Deus, um eterno vagabundo
Sei sou bastante pivete
Pois fui criado assim
E pra macular toda raça
Sou o início, o meio, e o fim.
Albertino Fernandes ( Pensa-me)