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DANIEL CRISTAL

 

Portugal

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BIOGRAFIA - Daniel Cristal

Daniel Cristal, um dos heterónimos de Armando Figueiredo é Licenciado em Línguas e Literaturas Românicas pela Faculdade do Porto, diplomado pela Universidade da Sorbone (Paris) e Royal Society of Arts (Londres), ex-Professor Efectivo dos Liceus do Porto (Portugal), escritor, poeta, contista, ensaísta e cronista laureado. Está editado em antologias, jornais e revistas. Editou um livro de poesia na juventude e prepara uma oportunidade para editar o segundo. Tem muita da sua obra editada na Net em dois sites e em Websites escolhidos e prestigiantes, que pode acessar pelo currículo do site oficial.
 http://daniel.cristal.planetaclix.pt/index.html ] com poesia declamada.
Dirige também na Internet o grupo O FÓRUM DOS MESTRES APRENDIZES, ver link:

http://br.groups.yahoo.com/group/o_forum_dos_mestres_aprendizes/
 

 

POEMAS

 

CRÔNICAS

POEMAS DE NATAL

 

CITAÇÕES

 

1. A sintonia entre humanos, é utopia... Todavia, na sinfonia, é harmonia.

2. O respeito pelos outros, pelas suas opiniões e opções, e pelas suas decisões, é um acto de amor. Desejar andar arredado dos néscios maledicentes e da toda a malignidade, merece indiscutivelmente o maior respeito e aceitação; pois que amar é também amar-se, e cuidar da eleita boa companhia.

3. Continua na senda da felicidade: os grãos de amor que hoje semeaste, multiplicar-se-ão amanhã numa vasta colheita de alegrias e prazeres anímicos.

4. A grandeza da alma não é evidente aos olhos de toda a gente. Essa grandeza é mais ou menos pequena, diante dos que possuem a alma em grau mais ou menos pequeno reduzido.
Quando alguém se manifesta em frente do que é superior e belo, espelha no comentário a sua própria alma; pela positiva se encorpar uma alma desenvolvida, ou pela negativa se a tiver num plano subdesenvolvido. Com efeito, a grandeza da alma é sempre apreciada de acordo com a dimensão anímica de cada um.

5. Na maldade há sete deformidades venais do fabrico original: A INVEJA, O RESSAIBO, A RETALIAÇÃO, A JACTÂNCIA, A AVIDEZ, A PERFÍDIA E O LUDÍBRIO.
São as mais maléficas, as mais destrutivas, as mais perniciosas ao género humano!
Eia, amigos, o futuro é quase amanhã! Anda por aí muita gente assustada com a sua chegada rápida e triunfal! E no estertor da sua chegada irresistível, potenciam desajeitadamente as sete deformidades capitais.
É esta a melhor prova, a meu ver, de que o Futuro está prestes a futurecer!...

6. Amigo, faz-me arauto do conhecimento e da sabedoria, e não da vulgaridade ou da futilidade; não me provoques, não acordes em mim a ira e o ressentimento que habitam na minha sensibilidade em estado letárgico; expressa, ao invés, pela tua boca sagrada, as palavras justas que nos conduzem ao amor para com o próximo... Procura sempre dar-me a tua mão, porque a minha vive o sonho do Futuro que tarda a chegar. E porfia, outrossim, em fortalecer os elos da amizade, que nos levam à concretização do sonho acalentado desde a origem do e no holomundo.

7. Há pessoas que têm uma ânsia ávida de protagonismo; nessa ânsia são capazes de bajular Mestres e seduzi-los com o intento de ascenderem à fama e irem depois a reboque das simpatias. Porém, a deformidade é mais forte do que a virtude, e, por isso, não ficam satisfeitas por muito tempo. Aí chegadas traem a confiança nelas depositada, e tentam maldosamente superiorizarem-se. Contudo, como a verdade e a equidade vêm sempre ao de cima, ficarão consequentemente para sempre no rol dos ressabiados. Esse rol de gente defeituosa e deficiente, que até nem sequer deveria existir, porque mereceria, isso sim, o olvido total.

8. O azar manifesta-se preferencialmente em quem deixou em si a porta aberta e disponível para que entre na sua individualidade sem grande resistência! Nesta conformidade, o receptor do azar submete-se-lhe num acaso que bem parece ser inato e merecido... Ao invés, a sorte bafeja os que preparam todo o seu ser,estar e agir para recebê-la no instante em que ela faz a mais pequena tentativa para despontar

9. O meu espírito está sempre propício a receber-te como um(a) Amigo(a) especial. Não percas, por conseguinte, a oportunidade de conviver comigo, evidenciando um sorriso franco e uma postura elegante, semelhantes às características com que recebo toda a gente, a fim de nos merecermos ambos num convívio fraterno e profícuo, sem nenhum de nós, não só hoje como também amanhã, se decepcionar.

10. Afinal, a outorga de um certificado com valor, a um bom escritor, e não creio que vá espantar ninguém com o que vou transmitir (mas é só para lembrar), começa mesmo pelas palavra e a frase, que ele exibe no acto público de se fazer ler. Quem erra as morfologia e sintaxe, está excluído à partida duma avaliação honesta e consciente. Mas se as cuidarem e dominarem, então a partir destes pressupostos requeridos, então, teremos que avaliar se as ideias expostas são novas, atractivas, ou se pelo contrário, estamos em presença dum bom mestre gramatical, um correcto escriba simplesmente. A diferença a este nível, situa-se no plano das ideias e da arte, esta a executora da sua transmissão; o que disse assim considerado, é válido seja em que género literário for.

11. Há literatos amadores que são maus aprendizes, e pensam que os Mestres precisam deles para se afirmarem e expandirem, popularizarem e mediatizarem pelo público leitor ou ouvinte. Há desta gente ingénua e jactante, provinciana e autoconvencida! Gente que vai perdendo qualidades, essas que um dia inadvertidamente lhes foram outorgadas erradamente por leitores ou receptores generosos com o intuito de que dessas não carecessem simplesmente como prova de fé na pessoa humana. Não obstante, à medida que o tempo vai decorrendo, gente dessa vai-se reduzindo ao espaço precário, que lhe cabe e serve por mérito próprio decrescente, até conseguir arrepiar caminho; em suma, o literato será redimido, se conseguir superar-se pela humildade duma aprendizagem contínua, baseada no aperfeiçoamento permanente da sua psico-intimidade.

12. Não te esqueças de semear hoje um grão de amor, para que o futuro seja brevemente futurecido, e reforçado com a tua importante contribuição na partilha.

13. Bem-hajam, bons companheiros! A utopia é o saboroso pão dos idealistas natos, construtores do Futuro.
Continuai, destarte, na senda da felicidade! Olhai sempre em frente, que é por aí que se encontra o caminho da verdade mais pura, não nos deixeis perturbar pela maldade!

14. Viva e bem-haja, meu bom companheiro!
Obrigado pela tua palavra-sorriso; hoje, logo ao abrir o PC, dei graças por não te esqueceres de mim, e fiquei feliz pelo teu gesto de benquerença, a palavra sorridente... Exultei no acto por me sentir mais pleno na emoção!
Como é bela a amizade, o amor, ou a tua mão dada!
Continua, pois, na senda da felicidade, rumo ao futuro puro! Graças a ti, o dia de hoje é mais radioso...
Tudo acontece no primeiro instante da aurora; aí revela-se o mágico sinal em que a Humanidade futurece, aos pouquinhos... é uma futurecência progressiva, ainda que imperceptível.

15. A Maldade ainda é vitoriosa, porque a sociedade vigente e determinante, é comodista, e moralmente apática, facilitando por essa postura, a sua acção; a verdadeira culpa de ela ter apêndices imperativos, não provém da sua força, mas da demissão e entorpecimento dos que a toleram e não se unem para a vencer numa luta incrivelmente fácil de ganhar pela união.

16. O génio é um estado peculiar máximo da mestria; peculiar porque inimitável e porque está carregado de carácter singular. Para além de mestre, o génio marca uma época pelos seu estilo e sua idiossincrasia; é o mestre dos mestres que a ele recorrem na aprendizagem contínua. Todavia, só quem estiver muito por dentro destas questões que se movem entre os intérpretes de vozes, sons e formas únicas, é que tem capacidade de discernimento para distinguir o que é singular e inimitável, sedutor e deslumbrante, ou seja, pontuar o gene que marca uma obra na memória colectiva. Na realidade, o génio conduz e leva a humanidade a dar mais um passo em frente na senda da felicidade global.

17. As pessoas sábias discutem ideias, sistemas e psicarquétipos; as medianas polemizam acerca de factos adjuvantes à construção do aperfeiçoamento da Humanidade no Holomundo; pessoas medíocres discutem acontecimentos, que não acrescentam nada à nossa natureza evolutiva; os estúpidos e os idiotas, ou sejam: os jactantes, os ressabiados e os invejosos maldizem das pessoas com quem inditosamente se cruzam.
Teste com estes pressupostos o seu poder intelectual!

18. Na vastidão do mar, convivo sem dificuldade com os Amigos que reconheço facilmente por empatia, mesmo quando não trocamos galhardetes nem mimos de cores dúbias...
Todavia, há indisfarçável um lago muito próximo onde os que não são, invejam e cobiçam as alegrias das ondas que fiz minhas, essas que afagam as areias da minha costa, cantadas por uma poesia eternamente enamorada.

19. Tende cuidado, amigos, há espíritos maléficos de cariz torpemente devastador na Net. Ofendem e caluniam, esfarrapam-se todos por vos menosprezar, se virem em vós algum valor.
Distanciai, amigos, estas criaturas mafarricas e chulas, deixai-as criar e individualizar o núcleo onde se sentem bem: a destruírem-se umas às outras.
Cuidai das vossas amizades saudáveis e dos vossos bons relacionamentos, senão ficareis conspurcados pela malsanidade, por algum tempo...
Pelo menos até vir à tona a verdade da vossa palavra (essa que virá sempre à superfície).

20. Faço a viagem do ser na perspectiva prísmica da visão elementar, e encontro um labirinto de círculos por onde o éter ou o neutrino da nossa energia flui e reflui harmoniosamente na fracção e na refracção... Para volatilizar e se tornar perfume ou melodia, trasfego à velocidade máxima, as sensações rudes de modo ao corpo ficar intra-uterino e expando o perfume da essência, fase derradeira em que pode atrair quem nos e se deseje. O lado de fora neste exercício holístico, concomitantemente centrípeto e centrífugo, dilui e congrega a imanência actual, assemelhando-a na dimensão anímica presente à forma anterior à matéria; esta que foi e é sempre a última concretização da via evolutiva. Sem ela não viveríamos a existência concreta e pontual.

21. Aristóteles reconheceu como inconfundivelmente humanos o exercício e até o esgotamento do desejo de compreender e a ânsia de se maravilhar com a sua natureza específica. A leitura da consciência pela própria consciência é desconcertante e uma maravilha da natureza. Foi a descoberta da consciência que permitiu ao Homem a sua própria evolução pela criação de noções abstractas que se tornaram arquétipos estratificados na mente, originando comportamentos humanos universais: a consciência moral preceituada, a religião estabelecida e instituída, a organização social e política consensoada, as noções elaboradas de Arte, Ciência e Tecnologia.A consciência estruturou assim como que uma função biológica. Não é, porém, unicamente um acto autónomo o poder de agir segundo a consciência, porque a emoção também é subsidiária daquela na esquematização das premissas culturais vigentes, e regula igualmente os nossos comportamentos.
Aristóteles frisa que o efeito purificador, catedrático, deveria fazer parte de todas as tragédias, isto é - ele é, está, na suspensão súbita de um estado de medo e comiseração mantido até final... Dito isto, o que atravessa a humanidade, até ao fim do século XX , é uma consciência platónica e aristotélica.
A consciência alargada do tempo de hoje, segundo António Damásio, não equivale mais ao conceito de nós, nem de «psiche», que envolviam já para aqueles aspectos essenciais orgânicos : a respiração, o sangue. p. ex., e outros aspectos ligados à noção de mente/alma.
«Psyche» não responde mais ao conceito actual de consciência.

22. O PODER DA PALAVRA
"...Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida,
ninguém, excepto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses
que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custar-te-ia a tua própria pessoa;
tu hipotecar-te-ias e perder-te-ias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o..."
Frederico Nietzsche - "Só tu"

Quantos morreram em Auschwitz, quantos morreram por causa do poder da palavra que irou uma raça? Neste e noutros campos de concentração nos tempos do holocausto, quantos foram tratados como subproduto da humanidade? Seis ou onze milhões de seres humanos? Que forças ocultas vitalizaste que me encheram do poder da destruição? Que outra raça dizimaste pelo poder encolerizado que desenvolveste? Quantos assassinatos foram provocados pelas forças diabólicas que se me despoletaram na mente sem que eu me apercebesse de tanta enormidade? Nem eu sei a dimensão e potência das palavras que geram valores, sistemas, filosofias e ideologias que me espantam pela sua consequência e repercussão final ! Não domino, que não sei, as potencialidades daninhas que se criam na mente separada do coração de todo um povo!

Sigo-te noutra onda, ah, isso sim, na onda da inversão e nos paralelismos subterrâneos que não mais geram evasivas e hesitação! não sigo a morte mas a vida da empolgação! vou na senda do amor, da generosa compreensão... sigo a estrada que os humildes percorrem penosamente com uma mente de ternura, a via aberta para que todos atinjamos o estado da dignidade... Sigo a vida da purificação! Não me alimentes as veias da intolerância nem me geres ódios que levam à maldição e à danação... eu caminho ao lado da humilhação, daqueles que são humilhados todos os dias por não terem direito a receber qualquer plausível justificação pelos males que empestam a sua nossa humanidade.

Meu lema inscreve-se na dignidade a que todos os meus concidadãos têm direito, meu lema e emblema! minha bandeira da justiça! estas não são palavras vãs, dirijo-me aos descrentes...meu hino é de amor, um hino que se há-de construir pelo respeito à dignidade e à felicidade, por esta ordem! A felicidade de cada um de nós, depende da promoção e ascensão da dignidade de todos os habitantes deste planeta onde convivemos.

Realmente, há alguns aforismos a precisar de ser invertidos a favor dos que estão desprotegidos e são ofendidos sem defesa! não deturpem por isso o sentido da carga emotiva dos signos, eles não vieram para criar ódios nem ressentimentos no espírito alheado do coração! os que assim nasceram serão expulsos da minha visão, corrijo-os, inverto-os, subalternizo-os... porque, antes pelo contrário, as máximas criam-se outrossim para purificá-lo e para nos colocar a todos bem unidos na mesma barca. A barca da salvação!

Esta onde ainda lutamos contra as marés da prepotência, da impunidade e do vandalismo, contém náufragos a precisar de socorro, ela ainda não é a ideal. Vamos dar as mãos para construir uma que aguente qualquer dilúvio.

Há bem perto o som dum búzio!

É este o meu pregão!

23. A Arte é um Templo sagrado, assim como é a Religião. Nem toda a gente que escreve, está preparada para entrar na sua Catedral humildemente, tão pouco respeitosamente apta a orar por e com Ela; vivê-la em sintonia; senti-la! Há efectivamente, vendilhões ignorantes ou negligentes neste Templo. E há quem aí vá também para exibir vaidades; há, ainda, quem a mercantilize, a conspurque, menosprezando e agredindo, indignificando-a na prática...
Jesus ainda não passou pela Net! Todavia, não é só aqui; na sociedade global também se padece de notórias enfermidades e deformidades e deficiências na Cultura revelada pelos comportamentos hodiernos, na Educação testada quotidianamente nos locais públicos e privados, numa moral hipócrita ocultada pelo fingimento, evidenciada nas áreas jornalística e intergrupal. Há quem garanta que Cristo há-de voltar... se calhar, é preciso rezar mesmo para que volte!

24. Andamos uma vida inteira a estudar e a fazer experiências pela nossa felicidade, e quanto mais estudamos, mais nos convencemos que somos insuficientes para conhecer toda a Verdade que o âmago do Universo nos transmite por vagos e profundos sinais ; e é assim que quanto mais estudamos e estamos atentos à voz da leitura e do estudo do pensamento dos cientistas e filósofos, e perscrutamos nesta observação a existência desses sinais, os quais vamos descodificando, mais nos convencemos que somos insuficientes para abarcar o conhecimento de toda a Verdade universal, essa que vive no nosso exterior .
Mas a felicidade ansiada e verdadeira, essa não, ela encontra-se no nosso interior, no nosso espírito, lá nos encontramos, e este simples conhecimento enche-nos de confiança e esperança.
Efectivamente, ao alcance de todos os que têm humildade para se autotransformarem, por esta via, neste processo criador de auto-estima (e transposta esta descoberta da paz interior ), ditado pela Ética e Harmonia universais, em princípio, já seria, é , e será para qualquer pessoa a realização absoluta do ser.
Por conseguinte, estamos convencidos de que é mais razoável adoptar a postura do mestre aprendiz, e dar maior valor ao nosso íntimo satisfeito e alegre, sem disparar para a euforia desmedida, esta sim parecendo hipócrita, do que lutar tenaz e ingloriamente por conhecer todo o Enigma do Universo. A aprendizagem livresca é, muitas vezes, depressiva e deprimente, porque a finalidade é tentar conhecer tudo o mais rapidamente possível ; todavia a paz e o equilíbrio interiores são, ao invés, pelo conhecimento de regras basilares, mas profundas e simples - porque estão mesmo dentro de nós - extremamente reconfortantes, propedêuticas e terapêuticas.

25. O que nos perturba, quando ouvimos a voz profunda da terra, é a nostalgia da pureza original.
Todavia, quando dialogamos com os outros seres humanos, sentimos a incomodidade
de termos de respeitar o código linguístico que se foi desviando, desde o primitivo, de toda a originalidade.

26. Parcelar o Tempo é um acto físico-matemático. Contá-lo em parcelas é uma preocupação existencial, só metodificada pelo Homem para dominar o Tempo, e expressamente com essa finalidade. Mas, no fundo, quem nos domina é o mesmo Tempo infinito, liberto da nossa segurança ou da tentativa da posse virtual.

Parcelar o Tempo, e também o Espaço (logicamente, sem um, o outro não existiria conceptualmente), é a ilusão humana do domínio sobre uma abstracção física, tornada para esse fim num conceito fugaz, finalmente pueril.

Somos, efectivamente triturados pela dupla tirania temporal e espacial, sem que nos apercebamos bem das suas dimensões. Mas, verdadeiramente, somos dignos dela, porque sonhamos e continuamos a realizar parte dos sonhos que nos acalentam, e enfrentamos os obstáculos à medida mais ou menos justa da nossa dimensão, nem sempre muito clara, todavia na maior parte das vezes com coragem, determinação e ousadia.

Não somos, por conseguinte, indignos da vida efémera, essa que temos de suportar sem que para tal fôssemos chamados nem ouvidos nem achados antes do enigma da vida e da nossa existência.

Curiosa e felizmente, na labuta semelhante à de Sisifo, ainda há quem se comporte como as árvores que não conhecem essas abstracções, contudo morrem sempre de pé numa grandiosidade que a tirania irreconhece, dado que esta também vive duma ilusão pior do que a nossa. É que a tirania é escrava desprezada de si-mesma !


27. A M(a)estria é plagiável; porém, a Genialidade é inimitável; a primeira serve a matéria prática de aprendizagem, todavia a segunda aprofunda e desenvolve a teorização da Arte.

28. Sê feliz em cada instante
Aproveita bem o dia
Mostra um sorriso radiante
E atrairás a alegria.

29. Não aceitamos nenhum motivo que nos pressione para o desastre, nem para o trabalho defeituoso, dado que temos todo o tempo do mundo para as tarefas que executamos com paixão. Afinal, sendo elas bem examinadas, só nos importa desempenhá-las apurada e livremente, mantendo diariamente a convicção de que o mundo não acaba hoje !

30. Se quiseres saber a quantidade de amigos que tens, convida-os para uma festa; mas se quiseres conhecer a qualidade dos que o são, finge e divulga que estás doente !

31. O nosso elã vital conduz-nos para a evolução no aperfeiçoamento. O nosso destino é, consequentemente, a perfeição possível num tempo presente; por mais secular ou milenar que seja, é essa a via para a felicidade! Entretanto, desfruto-a, talvez um pouco adiantado no tempo: nunca me sinto vazio; cá dentro, a geneadeusa e o geneodeus restituem-me permanentemente o equilíbrio animicossomático. Destarte, completo estou, imperecível no holomundo. O contrário é aparência.

32. Os cultores da Arte percorrem um trajecto como a pesada tartaruga. São lentos para não se acidentarem. As luzes da ribalta não os atrai; são até muito temerosos dos entusiasmos frenéticos e populistas. Atribuem as conquistas supérfluas e pouco duradouras (as vogas intermitentes), a uma necessidade oculta que leva os mais ou menos amestrados, a desejarem ser amados com a avidez proporcional ao sentimento colhido por terem sido mal-amados na infância e/ou na adolescência. Mas a Arte não é uma vingança contra passado adverso e frustrado. Ela nunca é vingança contra coisa nenhuma. É, exactamente, o contrário, ela não possui finalidade imediata, sendo profunda e duradoura, e procura adentrar no âmago do saber. E, assim sendo, ela é o alfa e o ómega simultaneamente de todas as essências!

33. A obstrução activa e o muro ocasionado e a maledicência particularmente à minha pessoa, reacções estas que combato abertamente, com veemência, frontalidade e sem pudor, e que exponho como quem iça um emblema a favor da benquerença, não são casos raros nas relações humanas em Literatura; são, muito ao contrário, a consequência lógica do seu estado psicopatológico e da moral imperfeita, materializada em preconceito habilmente difundido, ainda vigente. Esse preconceito, vive abundantemente da inveja e do ressaibo; da aleivosia, para ser mais preciso; da mediocridade para ser mais abrangente... todos estes aleijões disfarçados ou dissimulados no amor sem barreiras. São também uma consequência da ânsia de liderança, em alguns casos, de quem não tem competência para liderar nesta área do saber.

A maior parte dos fingidores de literatos da Net, são amorosos cibernautas que deveriam preferencialmente relacionar-se em salas de "chat", porque são sublimes criaturas apaixonadas da Humanidade e de Deus, porém medíocres na Arte literária. Nesta, e já que insistem em alistar-se, deveriam render-se à evidência do que são, e desse modo evitar atitudes arrogantes, reprimir a ânsia de domínio na matéria, adoptar a postura do aprendiz tirocinando, tomar consciência do seu estado deficiente sob a capa da Literatura, que, vez ou outra, pela sua pena é maltratada. Numa reflexão última: deveriam saber suportar as dificuldades duma evolução condutora à mestria que muito humanamente almejam. Custa muito dizer e certamente ouvir o que digo, desde que entrei nestes espaços virtuais, mas é assim que penso, e se pensarem diferentemente que me saibam corrigir, pois estou entre todos para aprender aberta e continuamente. E exemplifico esta continuidade do que afirmo: no início actuei com mais dureza do que ultimamente, sem, todavia, nunca me desviar da rota traçada - consciencializar, consciencializando-me.

34. AMIZADE - INIMIZADE - FALSA-AMIZADE

Depois de algum tempo de meditação, cheguei à conclusão que o inimigo não existe. É um subproduto criado pelo espírito conservador. Por uma ideia de afirmação de valores que não aceitam a novidade que se transmite. A forma para existir apenas se concretiza se se verter num conteúdo. Ou ter um molde que a contenha. E por isso digo: o inimigo é uma ideia que só se despoleta por oposição, mas sem oposição não existe. Não enfrentando a inimizade, ela passa despercebida. Vive num submundo, é subterrânea, marginal, coabita mal no seu mundo fantasmagórico.
O antídoto para esta suposta eventualidade, é passar ao lado, viver e rodear-se com e de amigos. E se houver perseguição, por mais insistente que seja, o mundo é largo, e passamos adiante. É a actuação que fazemos perante um diabo inexistente no nosso supermundo. Ele não existe para nós porque não coabitamos com ele, nem lhe reconhecemos identidade.
A inimizade não precisa de comemoração, ela é uma ideia falsa. Existe sim o desacordo, a diferença. A inimizade só se imagina tenuamente quando a aceitamos como real. Porque ela é um mal desnecessário, e perde todo o seu poder pela hipocrisia sobretudo conservadora desvelada. Ninguém aceita a mentira, a jactância, a má-formação. E os que dela fazem o convívio diário, maldosamente, não são aceites no mundo saudável e artístico, e por isso ela é inócua. Não vale a pena perder tempo a opor-se ao que é dificilmente aceitável.

Há os que cultivam a inveja, o rancor, o jogo do que é fútil, mas é um mundo onde não vivemos, por isso esse micro-universo para nós, não existe. É deles. Joga a seu desfavor. Vejam com que sabedoria o homem cria o dia do Amigo, e despreza o dia do inimigo. A sabedoria exclui do universo a inimizade. Eis a melhor prova para colocá-la nas velharias entre as relíquias da memória.

Afinal como muitos de vós, os mais avisados, concluí que não tenho inimigos. Nem que eles teimem em ser o que para não são para mim.
Um inimigo só é, se deixar que ele seja. E não nos dispomos a aceitá-lo como tal. Ele vive num vasto universo, desejoso para ser notado, porém, assim vivendo, em estado de desejo, não conseguirá brotar diante da minha recusa, e irá certamente melhorar de igual forma como sempre tentamos, todos os dias, aprendendo mais um chisquinho. Ele ira imitar esta frequência absorvente e não estará interessado em ser um inimigo que nunca foi, não é, nem será.
Ele quer ser inimigo, mas não é, porque não deixamos que seja. Inimigos eram os persecutores de ideais novos. Eram os depredadores dos valores da novidade, da liberdade, da responsabilidade e do respeito pelos outros. Eram os inquisidores que perseguiam e matavam ideias e assassinavam pessoas. Hoje não há por cá dessa espécie abominável. Não existem. O mundo tende a ser outro, diferente.

Quando ele quer ser inimigo, não deixamos que ele seja. E ele apaga-se. Não consentimos que se imiscua, que meta bedelho, na nossa vida. Que incomode, que interpele, que persiga. Trocamos-lhe as voltas, desaparecemos, e ele desaparece também.
Recolhemos sempre ao convívio da Amizade, aos amigos que granjeamos na viagem da existência pessoal, ela é o suporte, a garantia de que a inimizade é uma aparência de fraqueza, de futilidade, fútil, inexistente por consequência, ela não tem razão de ser, até porque e principalmente não deixamos que seja. Ela é-nos indiferente, o mundo que nos une é o da amizade, da paz, e do amor. Não é um mundo de perseguições, vaidades desmesuradas, orgulhos desproporcionados, e de estultícias frívolas.


Os Amigos são pessoas importantes para todos nós, procuram ser a nata da Humanidade. Sabem que se destinam à vanguarda do que fica para ser exemplar e imitado. Os Amigos são extraordinários, porque não vivem da fofoquice, da bisbilhotice, do mau-olhado, da crítica verrinosa, destrutiva, frívola. Eles nem sabem o que é um esgar de inveja nem de cobiça. Não exercem o gesto obsceno como esse de excluir uma pessoa importante ou extraordinária do nosso convívio, ou uma pessoa que se preza do seu saber exemplar.

A inimizade é um subproduto forjado duma cultura que denota enfermidades várias. Mas não existe realmente. Só existiria se consentíssemos que existisse. Na realidade é um mundo subliminar que vai perdendo o sentido de ser aquilo que desejaria ser, mas não é. Nem se lhe concede o estatuto da sua existência.
Outros concluirão como nós. A existência de inimigos é uma miragem, nefasta diga-se em abono da verdade. Na realidade não existem. São subprodutos fabricados na nossa mente que ainda não viu nem experimentou tudo. Eles seriam o que autorizamos que fossem, e por consequência não são veridicamente. Eles procuram viver dum sofisma tradicional que não tem mais razão de ser, e insinuam-se para se afirmarem pela diferença. E só mantêm uma diminuta e virtual estatura possível, porque os deixamos considerarem-se como tal.

Outros concluirão certamente como nós, depois de alguma maturação. Só existe aquilo em que acreditamos. E nós deixamos de acreditar no que nos pode acarretar a bruma da maldade. A crença na existência de inimigos, é uma miragem nefasta. Na verdade, não existem. Apenas parecem ser para se afirmarem contra, e se consentirmos que se considerem como tal. Mas desconsideramo-los.
E repetimos: os inimigos não existem, são um subproduto potencial irreal, virtual, inventado pela sua afirmação. Pela necessidade de se tornarem visíveis e afirmativos pela diferença que não lhes outorgamos. Logo, não existem.

Eles parecem ser desse modo, por não lhes concedermos o valor que requerem sem validade. Só nós o podemos validar. E recusamos a sua validade. Deixamos inelutavelmente que se enganem, pois um dia chegarão à conclusão, idem aspas, que se enganaram, e têm de mudar o seu comportamento e o seu estatuto, nunca aceite.

Interiorizado este preceito: os inimigos extinguem-se. Serão hipotéticas almas danadas, atormentando quem acredita em recantos de mar de expiação de culpas,de pecados e perseguições fantasistas. Definitivamente, não acreditamos neles. Seria acreditar em fantasmas que racionalmente não existem. Com efeito, eles vestem-se de roupas brancas ou pretas, escondem-se nelas, deixam dois buracos para que só se lhes veja dois olhos, mas quando despidos são inofensivos, envergonhados, não nos fazem mossa nenhuma.

O inimigo não existe, tire isso da cabeça, ele navega num espaço irreal, porque o anulamos.

Sabes quem te deixará morrer num naufrágio? Não é o teu inimigo, porque sabes que não existe e assim te conduzes, e consideras a sua existência noutro micromundo inventado, o de fantasias que não fazem mal a ninguém porque são previsíveis na sua irrealidade, e também te afastaste dos potenciais sucedâneos. Quem te deixará naufragar? Pode ser, isso sim, o teu falso amigo. Com esse deves precaver-te, porque é o mais perigoso. Esse ajudará a afogar-te mesmo no momento em que menos esperas e mais precisas duma mão adjuvante.
O falso-amigo é mais perigoso porque é falso, não é verdadeiro, e não é um amigo de igual modo, e por consequência nem é falso nem é amigo: é um ser que deixa de o ser, se com igual arte o anularmos pelo mesmo processo de separação e rejeição. Anular um falso amigo é fácil, basta algum pouquinho de tempo de espera até ele se revelar. Ele revela-se numa ou noutra palavra que se lhe escapa inadvertidamente, pela socapa. Por um gesto que notamos ser forjado. É uma das suas palavrinhas forçadas, aquela que se lhe sai da boca traidora, e que não corresponde ao seu pensamento, nem à sua postura. É um estado de parecença que se descortina, se estivermos atentos. O falso-amigo revela-se nos mínimos pormenores para quem se habituou a estudá-los, a observá-los com acuidade. Com efeito e em suma, eles são bastante fáceis de identificar e uma vez identificados deixam de existir, porque os anulamos, procedendo nós no momento próprio como procedemos com os inimigos. Não percorremos o mesmo trajecto. O nosso percurso é o do convívio com os Amigos. Com os bons-companheiros. Aqueles de quem nos orgulhamos. Os que nos prestigiam e nós prestigiamos porque têm valor. São o escol da Alegria pura, da solidariedade original. Esses mesmo que todos vocês estão a imaginar: os que se diferenciam por um estatuto inefavelmente positivo.

35. A chacota da velhice é um aleijão anímico que continua a desmerecer a civilização ocidental. Primeiro, porque fazer chacota é merecê-la quem a faz, considerando que é espelho de azedume e vileza. Seguidamente, ela enraíza-se em parcelas arquetípicas de educação e formação insalutares, ainda activas, muito embora questionadas por espíritos atentos e esclarecidos. Em função da conservadora visão apolínea ou venusta, a criança deficiente ou o velho decrépito, deveriam ser eliminados. Esparta assassinava os velhos e crianças, porque não serviam para a guerra. Esta faceta psicológica prevaleceu na cultura ocidental, diferenciada da cultura hindu ou budista. Efectiva e distintamente, nesta, a velhice é um posto superior na escala da hierarquia do saber e da harmonia universal. Estando nós no estádio de uma cultura a globalizar-se com os contributos de outras, haverá hoje mais razão do que nunca para uma aprendizagem que confronte filosofias e religiões, e se democratizem as premissas desajustadas duma concepção de vida colectiva imperfeita, contudo evolutiva.
Há pessoas que nunca pensaram na imperfeição moral em que vivem. Mas alertadas, muito ajudam depois à reconstrução da sabedoria à escala global.

36. AMIGOS

Eu tenho tantos amigos, que não os consigo enumerar! Amigos de todas as idades: da infância, da juventude, da adultidade, da velhice. E também tenho uma legião de tantos amigos desconhecidos, que vejo os rostos deles num só com um sorriso pleno e perene; alguns destes, de vez em quando, acenam-me; outros estão do outro lado da vida transparente, e apenas sorriem nesse rosto único, como ícone perpétuo. Não se aproximam fisicamente, não me dirigem uma palavra, mas sorriem seraficamente, e eu sei que estão lá e cá. São os que preparam a imortalidade da presença amiga. Nesta não é preciso acenar de nenhum lado, mas apenas sorrir.

Tenho tantos amigos que às vezes nas minhas deambulações, vou ao riacho do Juncal, e vejo-os a sorrir, perfilados num amalgamado rosto singular, à superfície do espelho das suas águas! São rostos todos iguais num permanente rosto, muito belo, muito puro. Como lhes aceno e eles não respondem, na visão espelhada, reage, muito perto, um canteiro geométrico cheio de cores amarelas, vermelhas e brancas. O seu odor atrai à distância, a sua fragrância é florescente, e esta sente-se em redor. No centro do cenário, o marulhar do riacho canta os hinos de amor, que melhor sabe.

Tenho muitos amigos; todos eles me ajudam a viver, e eu não posso viver sem eles. Se um deles desaparece, murcha uma flor entre as demais, e com ela me murcho um pouco também, todos nós ficando à espera da Primavera logo advinda. Se algum deles fica triste, há uma legião de sorrisos que o atrai à distância com a sua fragrância odorosa e musical.

Os meus amigos não choram, nem se entristecem longo tempo, mas sorriem com preferência quase todo o tempo, ao redor. Especialmente, quando nos encontramos do lado de cá ou de lá, e se estivermos distantes a melhor sensação, que há à volta de nós, aproxima-se. Como sou grato, por isso, aos amigos que tenho!


37. O PLÁGIO


O plágio só é indecoroso para o plagiador. Para o plagiado é um fenómeno motivador de orgulho e distinção. Há efectivamente plagiados que se insurgem violenta e agressivamente contra o plagiador. Estão no seu direito! Obedecem a um impulso de repulsa, de rejeição pela atitude vil; criminosa no fim de contas. Todavia, eu nunca o faço, fico a observar a evolução do imitador, porque pode vir a ser Mestre também.

Desta arte, eu equaciono o problema emergente de outra forma. O plagiado permanece sempre na equação, enaltecido, e motivo de redobrada notoriedade.

Pois é, não me perguntem se já fui plagiado? Claro que sim, de todas as formas e feitios. Na poesia, na prosa, na voz, no gesto, no vestuário, nos adereços. Até no corte de cabelo. Sinto-me feliz, por isso. Alimenta o meu "ego", de tempos a tempos, carecido, como em qualquer ser humano de alguma admiração. Os meus títulos têm sido copiados ultimamente mais do que nunca: «mea culpa», «elegia», «madrigal», «veranil», «ode triunfal», etc..

São títulos (os três primeiros), que passam de geração em geração, logo isso é irrelevante. Os restantes não são, são da minha lavra. Tenho até entrado em duetos com o mesmo título, ora escolhido por mim, ora pelo/a acompanhante. Aliás, até me sinto feliz por ver meus signos novos expandidos e generalizados, e com toda a facilidade adoptados. Um dos exemplos que me alegram é ver a junção de palavras que criei, AmigAmor, PoetAmigo, AmadAmiga, Bondia, etc.. Só me resta ver a gemiparidade, e a gemipar, serem adoptadas também, o que certamente irá acontecer mais dia menos dia.

Não é, com certeza, por estes acontecimentos que o mundo vai acabar, nem encolher, quer seja hoje, quer seja amanhã, nem para mim, nem para o plagiador ou o imitador, ou ninguém envolvente; porque, ademais, estou convicto, e nunca contrito, que o plágio é um fenómeno inútil, se não for com a intenção de aprender e exercitar a aprendizagem da Arte, e só é indecoroso para quem o faz à socapa. Tudo deve ser bem comedido e tolerado, consequentemente, a não ser que o plágio (e aí pára o baile, e começa a admoestação), seja uma cópia do texto todo com outra autoria. Ah, sim nesse caso, é causa para lembrar que qualquer texto está defendido pela Reserva dos Direitos do Autor, essa que sanciona o Autor, e exige ao infractor a sanção respectiva, e a indemnização ajustada! A rescrita de um texto, peça única e individual, inter-relacionada com outros textos do mesmo autor, pelo intratexto e pelo intertexto, com estilo próprio e inconfundível, pela mão imperita de um escrevinhador ou escriba, fascinado pela ideia do Mestre, rebaixa quem comete tamanha rasura e insensatez; redu-lo à categoria de imitador sem originalidade, e valoriza, até à excelência, a obra exemplar do plagiado.

O plagiador auto-suficiente foi, é, e será , enquanto o mundo for mundo, um ser frustrado, invejoso, cobiçoso, medíocre, que em vez de adoptar o texto de que gosta, mantendo os créditos que advêm do facto de ser uma peça pertencente a outrem : título, texto e autoria, e assim o divulgar com todas essas componentes, decide ingloriamente alterá-lo, mimetá-lo, aproveitando dele elementos indissociáveis, frases que não podem ser distorcidas, querendo nessa imitação dar-lhe um cunho pessoal e diferenciado. Mas, esse cunho nota-se à distância, e nota-se que é enfermo, que nele há um carácter mal formado, uma débil e amaneirada apropriação inferior, embrionária, e que o autoconvencimento vaidoso e pueril de que pode fazer igual, não passa senão disso mesmo: um autoconvencimento repulsivo.

Porém, se a cópia de títulos não é convencionalmente qualquer coisa de grave, porque os temas renovam-se, e o título é quase sempre um tema a desenvolver, isso já não acontece no plano das ideias. Se um literato decidir reincorporar literariamente, adoptando-a na temática do amor, a teoria platónica ou existencialista, no fundo ele vai plagiar uma ideia, vai glosá-la numa outra forma. Também, por este facto, não se pode dizer que seja tal feito de extrema gravidade comportamental no plano literário. Fica como sendo uma obra pouco original, não tem nada de «sui-generis», aponta-se-lhe a falta de criatividade. Não alcandora nunca o signatário do feito a nenhum pedestal. Pode ler-se com agrado, mas jamais com fascínio, exactamente por não ser novidade.

O importante está na feitura do texto reavaliando as premissas inovadoras em termos aceites por uma modernidade avançada para o futuro, para mais uma década ou um centénio. E repito para que não se esqueça, é nessa feitura original que se revela a mestria ou o génio, e esta tem de vir acompanhada da criatividade na forma, assim como na ideia, impreterivelmente.

Depois que comecei a divulgar os meus textos na Internet, apareceram pelos écrans palavras que ninguém usava antes e repetidas de textos meus: o plexo, o tolo no meio da ponte, o jardineiro do amor, a precisão simbólica do Sol e da Lua, a referência ao fruto especificado, à flor adequada no contexto harmonioso, a cor profusa, a musicalidade, o recurso ao solfejo, a vegetação apropriada ao contexto, as significações absolutas do gesto, do olhar, do encontro, da divindade revelada pelo amor-sexo, a redundância necessária de sinestesias para criar certas ambiências, de fonemas em linhas costurados com certo propósito, e apareceram até em poetas que eu considero bons. Não é grave, eu próprio devo ter adoptado inconscientemente um ou outro signo, uma ou outra substância significante que achei ser magistral. Mas tive o cuidado, e isso é o mais importante, em alterar a forma de o expressar em contextos muito pessoais... Cuidei em falar pela própria voz. E creio mesmo que é aqui que reside o cerne da questão que me levou a escrever esta peça. Dizer, outrossim, seja o que for no estilo pessoal: avançar pela criação, avançar pela inovação, até onde for possível, até ao ilimite, mantendo o estilo que é próprio da individualidade e que foi produto de reflexão, de trabalho, de apropriação peculiar, porque é essa forma que vai servir para aferir quem se é, ou se deixa de ser.

Dou-vos outro exemplo: o neologismo
«futurecer», que criei, além de outros, aparece já glosado em várias poesias de outros autores, bons poetas e atentos literatos, o que me deixa privilegiado pela sua adopção esmerada, e é motivo de redobrada vontade minha de avançar por outras significâncias criativas. Não obstante, peço atenção, porque este neologismo tem novas significações, e não pode ser utilizado como um mero sinónimo de amanhecer! Significa isso também, mas leva toda uma carga filosófica, a que se tem de estar atento e interiorizar. O poema FUTURECER, editado na Távola Literária, com nove poesias, glosando o tema, marca uma diferença, creio eu, entre a pretendida conotação extrapolada e a singela denotação ideológica. Gostaria até de debater a retro-afirmada ideia com alguém que se dispusesse a fazê-lo.

Fernando Pessoa necessitou de heterónimos, porque certamente verificou que podia enveredar por distintos modos de ver, sonhar, interpretar, conceber o mundo e a humanidade, e além disso, dotar cada heterónimo com um estilo próprio. Não é tarefa fácil, mas realmente consegui-o, ainda que parcialmente, contudo, e na parte bem sucedida teve grande mérito e genialidade. E, como referencio ainda este Poeta, o Poeta com letra maiúscula, a quem o Mestre Miguel Torga chamou muito propriamente assim mesmo: o Poeta, para individualizá-lo e perenizá-lo como o Príncipe dos Poetas, o melhor e o maior, tendo-lhe dedicado um poema único, a ele unicamente se referindo, expando mais uma ideia: muito se tem dito sobre Pessoa, algumas vezes erradamente. Se é bem verdade que ele avançou pelo versolibrismo, do qual muita gente se arroga no direito de imitar e expandir pela facilidade e liberdade que dá ao aprendiz, não é menos verdade que mesmo nesta área, ele conservou um dos pilares mais valiosos da Poesia - o ritmo cadenciado do verso num contexto próprio. De facto, a rima não era muito importante para ele, quando versejou livremente, desde que a musicalidade não fosse irradicada do verso. Contrário a ele, pessoalmente, concebo a Poesia como um exercício lúdico, onde há lugar também a rima, sendo esta um factor a valorizar a ideia e especialmente um enriquecimento na Arte da emoção. Como a poesia de Fernando Pessoa é muito intelectualizada (racional), é muito natural por isso que ele não quisesse apropriar-se muito da essência das sonoridades quando enveredou pelo verso solto e livre, especialmente com o heterónimo Alberto Caeiro. Eu digo que a rima é a Língua a segredar. E que é preciso um grande domínio em relação a ela para retirar dela todo o seu encanto poético.

O estilo num plagiador, num imitador, não existe, é uma mistura de estilos, uma manta de retalhos, uma confusão de colagens significantes. É um discurso em ziguezague feito de pinceladas à toa e caligrafias muitas. Eventualmente, aparece no tecido textual um lampejo de suficiência, todavia logo a seguir aparece uma nota borrada de imbecilidade, desajustada, ou um segmento pardo a destoar qualquer possível e hipotética harmonia. Escreve textos que não se revêem uns nos outros. Não são do mesmo Autor, porque esse autor não tem consistência. Uns esborratam fonogramas e semantemas, outros estremecem estridências arrepiantes, e todos os pedaços que vão reunindo, chiam pelas dissonâncias, filhas de tentativas remendadas. Os filamentos não harmonizam, o sangue não é da mesma identidade, a mão é tomada por empréstimo a vários corpos diferentes. O cérebro é desaparelhado ou desaparentado. São coisas tão evidentes que até me constranjo quando penso que há plagiadores a querer ser o que não são. Porque realmente é uma imbecilidade monstruosa. E julguei, enfim, que pessoas que pegam numa caneta, ou digitam num computador, fossem sensíveis a toda esta problemática.

Um bom texto agarra o leitor desde o início. Basta ler as duas primeiras frases, se não forem transcritas por imitação de algum mestre. Contudo, quem tem traquejo nestas andanças literárias sabe à partida também, se o texto inicia um corpo de linhas miméticas, ou revela um estilo peculiar.

Tenhamos, no fundo, pena ou compaixão, e sejamos tolerantes com os plagiadores de estilos e conteúdos. Realmente os mais novos começam mesmo por aí, e podem vir a ser mestres também. Sejamos severos, isso sim, com os copiadores de textos integrais, esses que apõem neles outra autoria, ou suprimem-na. Estes são os chacais merecedores de imperdoável denúncia, a precisar de serem punidos por pesadas indemnizações a favor dos Autores plagiados. Isso, assim, produzido, é roubo, é crime, é infame!

2003-05-08

(Texto originalmente editado no grupo Ateneu, revisto e melhorado posteriormente)

38. A malignidade desperta do mundo da inércia; ganha vida ao alojar-se na célula energética. O cérebro vivo é o seu hospedeiro e nele ganha força, se este estiver desarmado de valores defensivos, e propenso, sequente e consequentemente, à sua recepção. E ela reproduz-se, ainda seguidamente, pela psicopatologia.

39. A melhor correspondência e satisfação que podemos ter nesta existência, é conservar os nossos amigos próximos por afinidades várias; se houver um ou outro atrito, uma eventual desinteligência ou desaguisado - o valor, o respeito e a simpatia trazem de volta o bom relacionamento muito depressa, restabelecendo-se sempre uma relação de benquerença. São estes verdadeiramente os nossos amigos. Há outros ainda que sabemos que são dignos de o ser, mas vivem separados do nosso convívio; porém, não é por isso que deixam de o ser. Eles são muitos e por eles temos o maior respeito e admiração.

Os insatisfeitos conhecidos e os mais ou menos ilustres desconhecidos, relacionando-se noutros tipos de comportamento social, expõem à distância o espaço e a convivência, correspondentes ao seu ser, estar, pensar e agir; satisfaz-nos essa distância... O nosso tipo comportamemtal diferencia-se pelos limites assisados, aos quais nos obrigamos, e são fáceis de reconhecer. Que ninguém os invada agarotada e imaturamente, pois é esse também um limite salvaguardado com prudente e previdente cuidado!

40. Se alguma dúvida houver sobre o meu trajecto na Net, eu esclareço: nela recebi mais do que dei. Por isso estou grato a todos por ter sido tão bem acolhido. O que correu mal, ou o que não correu tão bem quanto o almejado, não conta verdadeiramente no cômputo geral e final. Fez apenas parte de um percurso que se foi aperfeiçoando, até onde pôde. E foi decisivo, diga-se conscientemente. Neste momento, em que delineio o meu recolhimento, o prudente retiro estratégico, apenas quero dizer que convosco fui feliz quando vos vi no meu lugar, o espelho onde me vi. Houve toda a sintonia nesta sinfonia. Foi muito mais generosa e abrangente, do que a que julguei ser possível. É esta a memória que ficará para sempre.
 

41. O que nos perturba, quando ouvimos a voz profunda de nós-próprios, é a nostalgia da pureza original. Todavia, quando dialogamos com a sociedade, sentimos a incomodidade de termos de respeitar o código lingüístico que se foi desviando, desde o primitivo, de toda a originalidade.
 
Daniel Cristal

 

(É TERMINANTEMENTE PROIBIDA A REPRODUÇÃO, COMPLETA OU PARCIAL, DESTA OBRA SEM A PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR)

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