AGNUS DEI
(1)
Daniel Cristal
Estão à minha espera os
arcanjos
num céu muito estelar,
sorrindo sempre;
lêem-me como a virgem no
altar
com as damas que cuidam do
rebanho.
Quando escrevo, escuto sons
de banjos,
uma ou outra lira
benquerente,
a voz de várias divas a
amar,
pedindo mansidão pelo seu
anho.
"Agnus Dei" assim crente,
em ti me cerro,
anho mais céu que terra, sem
pecado,
tirai a imperfeição que nos
sobeja!
A tua mão me proteja quando
erro,
corrige-me na crença este
meu fado,
ampara-me no acto quando
aleija.
02.04.2006
AGNUS DEI
(2)
Daniel Cristal
Ampara-me no acto que aleija,
neste, nesse ou noutro passo incerto.
Ampara-me na vida e fica perto
quando a alma já não sabe o que almeja.
Não
te afastes de mim, mantém a Luz,
mantém a crença viva sem parar...
Corra eu no meu rio, ou no teu mar,
garante o direito de ser a quem tem jus.
Oferece a palavra a quem a lavra,
não
deixes que abalroem esta senda,
porque o erro aconselha a sua emenda...
Ajuda-me a amansar a gente brava;
essa
gente que nunca encontrou
a
via, onde feliz, me (a)firmo e vou.
03.04.2005
AGNUS
DEI
(3)
Daniel
Cristal
Menino,
me recordo das tuas asas,
da tua
mão protectora, teu sorriso,
que
transformava o monte em plano liso,
e uma
maré-cheia, numa maré-rasa.
A tua
mão conduzia-me com prudência
por
veredas brincando com amigos,
à escola
da Igreja entre trigos,
e o
desvio indicavas na urgência.
Vigilante, oravas pela criança,
por toda
a criança, certamente,
pois que
todas te amavam cegamente;
E hoje
sem já ter muita esperança
dum
mundo feito à tua semelhança,
vejo-te
à minha frente bem presente.
04.03.2005