NATAL MAQUINAL
Maquinalmente o menino foi posto,
Ali, sobre as
palhas da manjedoura.
Todos os anos
encontro-o formoso,
Bem opulento,
de cabeça loura.
Olhos
piedosos, divina expressão,
Dois dedos a
indicar a salvação...
Recebe reis
que lhe rendem homenagem
ou somos nós
quem precisa dessa imagem?
Outro menino
imaginei diferente,
Pobre,
franzino, de tudo carente,
De ajuda e
piedade precisado...
Este, com
tanta personalidade,
Como está,
ciente da divindade,
Não precisa
de reis magos, nem de nada!