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UM CRAVO EM ABRIL
Um cravo rubro numa vila ou na ponta
Da espingarda, por certo uma bala
Silenciada
Mas podia ser só o aceno duma nova
E pronta madrugada, uma pétala
Desfolhada, num botão de caule
Verde, com um espinho
Daninho, a precisar
de carinho
Podia ser outra bandeira
Verde e vermelha
Mais humana, em cima duma azinheira
Ou mesmo da oliveira
Podia ser um novo Sol a dar vida
Ao caminho da mediania
Já que está longe a via
Da sabedoria
Podia, podia ser
Uma gota ígnea de chuva, uma baga
De alegria perene, a extinguir
Uma lágrima vertida
De sangue, rubra.
25.04.2003

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