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ABAIXO O DIA DOS PAIS
Nos últimos meses, têm sido fartas as notícias de pais que cometem
atrocidades contra os filhos. Um atira pela janela do prédio;
outro violenta; um outro espanca e expulsa de casa; houve um que
aprisionou uma filha durante anos, estuprando-a e tendo filhos com
ela. Na cidade onde moro, um pai recebia do governo Quatro Mil
Reais mensais para o tratamento de uma doença degenerativa do
filho (o que foi conquistado graças a um processo), mas não pagava
o tratamento. Comprou carro do ano, equipou-o, torrava dinheiro em
festas, e o filho continua precisando do tratamento.
Estamos próximos do dia instituído por lei para homenagear os
pais. Dia triste pra mim, como pai e educador que tem assistido a
tantas atrocidades. Um dia deteriorado em sua essência, pois a
figura paterna, de alguma forma tornou-se um ícone de crueldade,
frieza, egoísmo e desconfiança.
Este ano, o dia dos pais não deveria ser festivo. Nada de compras,
presentes, comemorações e homenagens. Deveria ser sim, senhor, um
dia dedicado à revisão do conceito de paternidade. À reflexão
sobre o que significa ser pai, quais são as nossas
responsabilidades, além do amor que devemos aos nossos filhos. Se
os pais monstros não merecem esse dia, pelos comportamentos
trágicos, os que não cometem atrocidades também não merecem, por
algumas razões. Todos estamos contribuindo com atitudes de
indiferença, passividade e recolhimento, para este quadro social
que se afigura, extinguindo a essência do ser pai.
E dentro de nossas casas, a cada dia damos menos atenção aos
nossos filhos, porque nos dizemos ocupados demais para o afeto, a
presença, o diálogo, a admoestação e o amor. Amor com pernas,
braços, olhos, voz, alma, coração e solicitude.
Quando merecermos novamente o amor, a admiração e a confiança de
nossos filhos a cada dia de todos os anos, aí sim. O dia dos pais
há de fazer sentido outra vez.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 23/07/2008
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