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A MORTE DOS IMORTAIS
Nestes tempos em que a genialidade é banalizada e se cultua o
supérfluo, não cabem mais os mitos de fato e direito... Logo não
seremos o chão de estrelas de Silvio Caldas e a imortalidade será
restrita aos epitáfios de museus cada vez menos visitados pela
vertiginosidade urgente das vanguardas.
Não condeno essa realidade, porque entendo que tudo tem seu tempo,
até mesmo o que parece eterno. Talvez a própria eternidade.
Chegamos ao tempo da substituição abrupta dos valores que pareciam
invencíveis. Os deuses da humanidade estão ruindo e dando lugar
aos breves, aos rasos e passageiros, porque o mundo está
superlotado. Não há mais vagas na galeria dos heróis de seja lá o
que for, porque as memórias estão falindo; os chips estão gastos e
sobrecarregados.
A sentença é clara e indiscutível: Somos o ápice de um mundo em
extinção. Construímos a máxima de que os imortais morrem, porque
entulham. O espaço precisa de si mesmo e é necessário reciclar
tudo aquilo que restou do que já não atrai a nostalgia. O universo
é uma fila. Interminável, mas anda... E como anda!...
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 22/09/2008
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