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A REFAMÍLIA REFORMANDO A
ESCOLA
Precisamos pensar, como educadores que somos, em um projeto para a
família. Estamos no tempo em que a escola precisa ser, de forma
bem acentuada, aquela velha extensão do lar, sem as distorções que
a marcaram. Reconheçamos que o mundo contemporâneo está
descaracterizando a família. Isto vem se refletindo na escola de
uma forma que preocupa. Vemos se afigurando a cada dia uma geração
robotizada, isenta de laços e vínculos. De afeto e de compromisso.
Chega o ponto em que nada é visceral. Tudo é supérfluo, sem
compromisso e calor. Sem origem nem ponto de chegada. É a falta
que a família faz, ao deixar de ser ícone; porto; norte. Por causa
disso, a escola perde muito de sua identidade, fica desbaratada e
é bem mais difícil trabalhar sobre valores essencialmente humanos.
O amor, o compromisso afetivo e social, os conceitos de cidadania,
país e conjunto ficam falhos, ao faltar o conceito ideal de
família, endossado na escola. Endossado e, se possível, adoçado.
Urge agora o projeto da refamília. Do recomeço e da rechamada.
Para que as casas voltem a ser mais do que meras casas. Simples
antros de ajuntamento de familiares. Caixas de parentesco em
exercício de consanguinidade sem os atributos sadios de
cumplicidade mais profunda e presente. Só esse projeto é capaz de
representar a volta de uma escola mais humana. Mais pessoal.
Umbilical.
Se a velha escola tem seus defeitos, entre eles os da truculência
e a tirania, não podemos continuar permitindo que o oposto, na
nova escola, extirpe com os tais defeitos - que têm que ser
extirpados - o elo que deve unir escola e lar. Em ambas as escolas
há vícios e virtudes, e essas últimas devem ser justapostas para
uma educação global, mais próxima da perfeição que, bem sabemos, é
inalcançável. Tudo será bem melhor, se a escola se reconciliar de
vez com a família, na busca do novo.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 31/07/2008
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