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BRASIL DE NÃO BRASILEIROS
Nada ou quase nada sei sobre as bolsas de valores
daqui, de Ohio ou de Tóquio. Sou, talvez, a pessoa mais leiga
entre as de alguma bagagem cultural, no que diz respeito a produto
interno, produto externo e mercado global.
O que sei (agora posso dizer que poucos sabem mais do que eu), é
sobre o inferno que o supermercado deflagrou em meu bolso, vazio
faz tempo. Enquanto as fichas padrão variam nas pesquisas que
fazem, para satisfazer burocratas e simpatizantes populares, vou
às compras e compro menos. O plano de saúde se torna inviável.
Esse Brasil melhor do qual falam fica sempre mais distante. Vejo-o
na falação dos noticiários, como imagino que um macaco olha o
mundo ao se ver cercado pelo vai e vem da metrópole à qual muitos
símios são condenados.
Pesquisadores desenham meu país com rabiscos ligeiros, frios,
calculando-o por metro quadrado. Entregam suas impressões colhidas
em alguns dados e elementos aos que mandam nos destinos sociais de
milhões. Com isso, como que decidem o futuro na utopia dos que
sorriem aliviados porque ouvem dizer que o Brasil está melhor. Não
sentem isso no bolso, no estômago, no dia-a-dia, mas ouvem dizer.
Os meios de comunicação é que sabem. A oficialidade ordena esse
conceito, essa crença, esse consolo psíquico dos que se cansaram
da realidade
Nessa realidade indesejada, quem sabe se a pobreza está em alta ou
baixa é a própria pobreza, perante a paisagem colorida ou deserta
no mapa da mesa simbólica, pois quase sempre nem mesa existe.
Somente os que vêem as vidas de entes queridos serem estancadas
nos traços de balas perdidas é que sabem de fato quais são os
índices de mortalidade por violência urbana. É como a mortalidade
por desnutrição e fome, abandono, doença. Fichas e números,
discursos otimistas na tevê, ufanismos patriotas de mandatários
políticos não correspondem ao quadro real das periferias e dos
recônditos do Brasil.
O povo espera o dia em que fará parte desse país dos noticiários
institucionais. Das matérias pagas. Das notícias de uma terra
distante que o fazem pensar que está a seus pés, nos brados
sórdidos em coretos de todas espécies. Especialmente os
televisivos.
Nada ou quase nada sei sobre as bolsas de valores daqui, de Ohio
ou de Tóquio. Sou, talvez, a pessoa mais leiga entre as de alguma
bagagem cultural, no que diz respeito a produto interno, produto
externo e mercado global.
O que sei (agora posso dizer que poucos sabem mais do que eu), é
sobre o inferno que o supermercado deflagrou em meu bolso, vazio
faz tempo. Enquanto as fichas padrão variam nas pesquisas que
fazem, para satisfazer burocratas e simpatizantes populares, vou
às compras e compro menos. O plano de saúde se torna inviável.
Esse Brasil melhor do qual falam fica sempre mais distante. Vejo-o
na falação dos noticiários, como imagino que um macaco olha o
mundo ao se ver cercado pelo vai e vem da metrópole à qual muitos
símios são condenados.
Pesquisadores desenham meu país com rabiscos ligeiros, frios,
calculando-o por metro quadrado. Entregam suas impressões colhidas
em alguns dados e elementos aos que mandam nos destinos sociais de
milhões. Com isso, como que decidem o futuro na utopia dos que
sorriem aliviados porque ouvem dizer que o Brasil está melhor. Não
sentem isso no bolso, no estômago, no dia-a-dia, mas ouvem dizer.
Os meios de comunicação é que sabem. A oficialidade ordena esse
conceito, essa crença, esse consolo psíquico dos que se cansaram
da realidade
Nessa realidade indesejada, quem sabe se a pobreza está em alta ou
baixa é a própria pobreza, perante a paisagem colorida ou deserta
no mapa da mesa simbólica, pois quase sempre nem mesa existe.
Somente os que vêem as vidas de entes queridos serem estancadas
nos traços de balas perdidas é que sabem de fato quais são os
índices de mortalidade por violência urbana. É como a mortalidade
por desnutrição e fome, abandono, doença. Fichas e números,
discursos otimistas na tevê, ufanismos patriotas de mandatários
políticos não correspondem ao quadro real das periferias e dos
recônditos do Brasil.
O povo espera o dia em que fará parte desse país dos noticiários
institucionais. Das matérias pagas. Das notícias de uma terra
distante que o fazem pensar que está a seus pés, nos brados
sórdidos em coretos de todas espécies. Especialmente os
televisivos.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 06/10/2008
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