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GRITOS DO PLANETA
Os tempos de nossa teimosia extermina todos os ensejos do após.
Hoje, seria de fato moderno retornar ao passado e resgatar a
ciência simples, mas verdadeira, de nossos avós avisando que o
mundo não seria eterno. Falta em nossos atos aquele grito que mora
no silêncio interno e tem medo de sair. A verdade acordada, mas
eternamente espreguiçando em nós, na certeza inconsciente do poço;
do abismo; do inferno que geramos pelo excesso de arbítrio e de
voz que a nossa arbitrariedade nos deu e não quer abrir mão.
Pelo visto, chegaremos ao fim tal como passa um cometa no silêncio
de uma noite fria. Logo nada nos restará, nem mesmo um planeta
para destruirmos; uma geóide que abrigue a nossa espécie torta e
convencida de sua retidão nos caminhos de um avanço que não é mais
avanço. É a volta ao nada. É esse o triste horizonte, o cenário de
um futuro que se apresenta sombrio, mas não queremos ver. Está
claro que nos restará vagar no escuro quando a vida, cansada e sem
perspectiva, for cinzenta e morta.
Não tem que ser assim, mas será, se profecias como esta não
cumprirem a contento sua missão de fazer com que se evite o que
está escrito pelas letras de nossos atos. Profecias não têm que
ser cumpridas. São gritos de alerta, pedindo que o homem as torne
inválidas, adiantando-se a elas, quando são medonhas. A terra
grita, pedindo por si mesma e pela vida que a povoa na forma de
quem destrói pelo construir desenfreado e sem um projeto vital
para as gerações futuras. Gerações fadadas a não ter presente, se
depender da mentalidade que predomina.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 27/08/2008
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