A casa dos grandes pensadores
 
 

DEMÉTRIO PEREIRA SENA

 

 

Demetrio P. Sena

GRITOS DO PLANETA

Os tempos de nossa teimosia extermina todos os ensejos do após. Hoje, seria de fato moderno retornar ao passado e resgatar a ciência simples, mas verdadeira, de nossos avós avisando que o mundo não seria eterno. Falta em nossos atos aquele grito que mora no silêncio interno e tem medo de sair. A verdade acordada, mas eternamente espreguiçando em nós, na certeza inconsciente do poço; do abismo; do inferno que geramos pelo excesso de arbítrio e de voz que a nossa arbitrariedade nos deu e não quer abrir mão.
Pelo visto, chegaremos ao fim tal como passa um cometa no silêncio de uma noite fria. Logo nada nos restará, nem mesmo um planeta para destruirmos; uma geóide que abrigue a nossa espécie torta e convencida de sua retidão nos caminhos de um avanço que não é mais avanço. É a volta ao nada. É esse o triste horizonte, o cenário de um futuro que se apresenta sombrio, mas não queremos ver. Está claro que nos restará vagar no escuro quando a vida, cansada e sem perspectiva, for cinzenta e morta.
Não tem que ser assim, mas será, se profecias como esta não cumprirem a contento sua missão de fazer com que se evite o que está escrito pelas letras de nossos atos. Profecias não têm que ser cumpridas. São gritos de alerta, pedindo que o homem as torne inválidas, adiantando-se a elas, quando são medonhas. A terra grita, pedindo por si mesma e pela vida que a povoa na forma de quem destrói pelo construir desenfreado e sem um projeto vital para as gerações futuras. Gerações fadadas a não ter presente, se depender da mentalidade que predomina.
 
Demétrio Pereira Sena

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 27/08/2008