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O FIO DO MACHADO... DE ASSIS
Machado não rui. Jamais rui. Sua obra, tijolo por tijolo, foi
construída sobre alicerce não perecível. É um escritor que nasceu
eterno. É, porque não morreu. Descobriu a imortalidade nas nossas
letras e a dividiu sem medo. Soube de chofre, que a imortalidade é
divisível sem ter como efeito final a sua subtração.
Foi Machado de Assis quem desbravou, sem desmatar, a selva
literária em que tantas "feras" do meio se digladiavam buscando
posições destacadas. Fez-se rei da "selva" sem ter de trasladar o
trono. Reinou - e reina - em harmonia com os que o aclamaram - e
aclamam -reconhecendo o valor, o alcance e a consistência de seu
legado.
Há um século Machado de Assis mudou de lado. Ou de plano. Tanto
tempo depois, ele continua moderno. Ainda revoluciona. De todos os
clássicos, por exemplo, é o escritor predileto entre os jovens
estudantes de nossos dias.
O fato é que Machado corta o tempo com o gume afiado de quem
conhece o tronco e a seiva de uma sociedade que não muda, em
essência. Trocam-se o vestuário, as condições de moradia, os
costumes, o linguajar e a cultura, mas a essência é a mesma. Ele
sempre escreveu sobre a essência. O comportamento íntimo e
insondável do ser humano.
Nosso Machado vence os anos, porque sua trajetória é superior.
Derruba o mito inconcebível, no seu caso, do vencido e
ultrapassado. Seu corte não nos legou lenha. Deixou diamantes
literários. Históricos. Um passado com futuro perpétuo.
Para sermos sinceros sobre Machado de Assis, nada mais podemos do
que delirar sobre ele. Descrevê-lo de modo menos subjetivo seria
injusto. A objetividade o remortalizaria em nossas tintas. Ele não
só está no além. Está além de nossas descrições.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 30/04/2008
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