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O MUNDO NÃO
PRECISA DE MISÉRIA
Por: Demétrio Pereira Sena
Acho que a exclusão social não se ameniza com os programas de
combate à fome, por meio de doações ou benefícios. Se a inclusão
ocorre com a aplicação dos dispositivos de cidadania, que incluem
o poder de consumo, quem vive à custa de benefícios ou doações não
está inserido neste contexto. Os maiores beneficiados, de fato,
com essa política de assistencialismo, são os políticos. Isso
garante seus currais e cabrestos, que rendem mais votos do que a
lavoura rende produtos essenciais à vida.
O povo se arrasta numa crise interminável, pela falta de recursos
financeiros, advindos da escassês de emprego e renda. Os
governantes se mostram alarmados com a situação, afirmam não
dispor de dinheiro para garantir uma política de igualdade social,
mas têm dinheiro para dar cesta básica, bolsa-família, outros
tipos de ajuda financeira a milhares de brasileiros sem ocupação,
quando tudo isso deveria ser trocado por serviços que ajudassem a
manter o progresso do país. É claro que não entramos no contexto
da corrupção, do dinheiro concentrado entre grupos, dos recursos
desperdiçados com medidas desnecessárias, que também contribuem
grandemente para o caos em que vivemos.
Porque será que os governos não empregam agricultores para
trabalhar em terras ociosas da oficialidade, por exemplo? Por que
será que ao invés de dar, os governos não negociam com os hoje
beneficiados, esses valores? Há inúmeras ocupações que poderiam
justificar o que é disponibilizado para as famílias em estado de
miséria e fome. Famílias que além de ter com o que viver, teriam
dignidade; honra; orgulho.
Um país de gente que tem trabalho não precisa de vale idoso,
porque o idoso, com uma aposentadoria digna, tem dinheiro para
pagar sua passagem. Com o idoso pagando sua passagem, as empresas
de ônibus têm mais vagas para funcionários. Com mais funcionários
empregados, o comércio vende bem mais. Com o comércio vendendo bem
mais, há mais emprego para comerciários. Não há nada mais
eficiente para fazer dinheiro, do que o próprio dinheiro em
circulação. A chance do fim da pobreza está na possibilidade de
uma mudança de postura de todos os lados.
O cidadão precisa ter mais orgulho e exigir dos governantes as
condições de trabalho e sustento próprio, para não precisar de
seus favores, devendo-lhes votos obrigatórios. Os políticos
precisam ser mais honestos, menos preguiçosos e corruptos,
deixando que o dinheiro que não lhes pertence cumpra sua função de
promover o progresso, a divisão de renda e a igualdade social.
Falo de progresso da nação, nação mesmo, em seu quesito povo;
pessoas; cidadãos. Sou um leigo e quase nada sei, mas sei que o
mundo não precisa ter fome. Não há motivo para miséria. O que
produz tudo isso é a ganância de alguns, que dominam e tomam tudo
para si. A crise que vivemos é de vontade política. De boa fé dos
que estão no poder. Sobretudo, de brio ou vergonha na cara, dos
cidadãos comuns, que aceitam viver mal. Sob o jugo da injustiça do
poder.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 15/10/2008
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