A casa dos grandes pensadores
 
 

DEMÉTRIO PEREIRA SENA

 

PARA LAURA CARDOSO

Já te odiei muitas vezes. Tantas outras te amei. Senti raiva, ternura, nojo, piedade, simpatia e desprezo. Mescla indizível de sentimentos, todos eles acompanhados de um em particular: Emoção. Sempre muita emoção.
Tive tudo isso por ti, porque teu talento fez ter. Continua fazendo, à guisa das damas e indigentes, heroínas e vilãs, peruas e matriarcas, camponesas e faveladas que tiveram a honra de ser vividas (e continuam sendo) pela tua excelência e magnitude.
Quando assumes tuas personagens, não apenas atuas. Tu as és interinamente, no espaço em que as câmeras te focalizam fazendo recordar que nós, expectadores, aguardamos convictos que nos farás viver intensamente as tramas fantásticas do faz-de-conta. Tramas tristes e alegres, hilárias e sérias, profundas e superficiais, todas muito bem assumidas por tua genialidade.
Não sou teu fã, porque fã é "nanico" e quer pedaços do ídolo, pontas da estrela, cascalhos do astro. Sou admirador silente e dispenso autógrafos, abraços, conhecer pessoalmente, ser papagaio de pirata, roubar casquinha do teu brilho de primeira grandeza.
Minha crônica só quer desatar o nó, eclodir a manifestação, fazer modesta justiça. Juntar-te nestas pautas a outros veteranos que estão no teu patamar, mas que são bem mais alardeados, embora imagine que nem busques alarde, badalação, grandeza.
Quero manifestar meu ódio, amor, desprezo, ternura, nojo e raiva por ti, sempre amando a maestria com que me fazes sentir tudo isso.
E te amando em cada personagem.

Demétrio Pereira Sena

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 07/05/2008