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PARA LAURA CARDOSO
Já te odiei muitas vezes. Tantas outras te amei. Senti raiva,
ternura, nojo, piedade, simpatia e desprezo. Mescla indizível de
sentimentos, todos eles acompanhados de um em particular: Emoção.
Sempre muita emoção.
Tive tudo isso por ti, porque teu talento fez ter. Continua
fazendo, à guisa das damas e indigentes, heroínas e vilãs, peruas
e matriarcas, camponesas e faveladas que tiveram a honra de ser
vividas (e continuam sendo) pela tua excelência e magnitude.
Quando assumes tuas personagens, não apenas atuas. Tu as és
interinamente, no espaço em que as câmeras te focalizam fazendo
recordar que nós, expectadores, aguardamos convictos que nos farás
viver intensamente as tramas fantásticas do faz-de-conta. Tramas
tristes e alegres, hilárias e sérias, profundas e superficiais,
todas muito bem assumidas por tua genialidade.
Não sou teu fã, porque fã é "nanico" e quer pedaços do ídolo,
pontas da estrela, cascalhos do astro. Sou admirador silente e
dispenso autógrafos, abraços, conhecer pessoalmente, ser papagaio
de pirata, roubar casquinha do teu brilho de primeira grandeza.
Minha crônica só quer desatar o nó, eclodir a manifestação, fazer
modesta justiça. Juntar-te nestas pautas a outros veteranos que
estão no teu patamar, mas que são bem mais alardeados, embora
imagine que nem busques alarde, badalação, grandeza.
Quero manifestar meu ódio, amor, desprezo, ternura, nojo e raiva
por ti, sempre amando a maestria com que me fazes sentir tudo
isso.
E te amando em cada personagem.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 07/05/2008
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