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PARCERIA QUE SUSTENTA... OU "SUSTENTABILIZA"?
Tenho certa paúra de palavras da moda, ou de ordem. A tal de
sustentabilidade, por exemplo, que passeia nos lábios de quem
sabe, mas também dos que não sabem o que significa. É o que leva
muitos, por exemplo, a usá-la tão somente nas questões ambientais.
No entanto, é algo tão simples que não queremos crer como não
queremos ver que significa sustentação, equilíbrio, firmeza,
embora o contexto queira se negar na burocracia dos discursos.
Especialmente dos discursos escritos.
Gosto da palavra parceria, mesmo sabendo que ela também é um
modismo. Felizmente, um modismo que aos poucos é substituído pelo
primeiro vocábulo deste artigo, o que me deixa à vontade para
falar a respeito, dentro de minha visão, deixando em segundo plano
as visões política, empresarial e institucional. Dela depende a
própria sustentabilidade, que não existe solitariamente. Depende o
próprio mundo, que só avançou quando se descobriu o poder do
coletivo, da união de forças, da cooperatividade, a junção de
talentos e aptidões em favor do bem comum, para que todos possam
desfrutar, individualmente, das conquistas de classes.
Parceria nada mais é do que a simples ação de todos por um todo.
Juntam-se os sonhos que pairam dispersos, unem-se as mentes, os
braços e as direções opostas, para que se conquiste um pacote de
realizações. Depois do pacote conquistado, faz-se a divisão por
características e porções pessoais. É aquela coisa simples da
família na qual todos trabalham, têm suas individualidades, seus
métodos e filosofias, mas o produto de cada um é depositado no
montante que só será distribuído no fim do mês, depois que a
família, em si, tiver feito uso do necessário para se manter como
instituição que a mesma é.
É este o segredo das sociedades bem sucedidas: Estabelecer
parcerias simples, como nas famílias. Isto quer dizer que tais
sociedades têm sua sustentação na filosofia do lar onde impera a
filosofia dos três mosqueteiros (um por todos, todos por um).
Sociedades com altos índices de famílias estruturadas são também
sociedades estruturadas. Nascem nos lares o bom e o mal caráter.
As índoles corretas e as corruptas. As mentes sãs e as doentias,
que contribuem para o bem das sociedades ou as destroem. Os lares
distribuem para o mundo os conceitos retos e distorcidos que
nenhum bando de facínoras poderá deteriorar nem as igrejas poderão
corrigir, lá no âmago, ainda que possam conter pelo temor do
inferno e dos castigos divinos por aqui mesmo.
Não é vazio este discurso. Ele apenas não é empresarial,
institucional nem político. É visceral. Pode-se extrair sua
essência e fabricar os discursos amplos, de alcance classista ou
até mesmo universal, com os resultados próprios da eficiência de
cada um que o fizer. Mas o essencial, mesmo, é que essa
consciência já venha das famílias, em forma de ação, muito mais do
que de palavras arrumadinhas como estas, que serão inúteis para
conceitos já cristalizados.
Tomara que a instituição familiar avance em todo o mundo, para que
o próprio mundo saia do ponto em que parou quando as famílias
resolveram distorcer os conceitos de modernidade, tornando-se
casas de membros individualistas, onde cada um leva seus tombos e
muitas vezes não se levanta, por falta de parceria. Quando isso
acontecer, o mundo refletirá outra realidade. Aí sim, será
possível aderir, na prática, ao conceito eficiente de
sustentabilidade, que não será somente uma palavra da moda.
Se a ingenuidade lingüística destas considerações incomoda,
transforme-o dentro de si, quem quiser, em um desses discursos
políticos que impressionam pela empolação e a burocracia das
construções. Fazendo isto, continue complicando a vida, mesmo no
que há de mais simples, óbvio e viável.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 26/06/2008
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