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PELO AMOR IDEAL
Já deixei acertado em meu coração que não serei personagem da
história nelsonrodrigueana que teceste pra ti. Nenhuma tragédia
passional me arrolará como personagem de centro nem coadjuvante.
Sequer o mais invisível dos figurinistas.
Buscarás outras linhas para compor teus triângulos patológicos.
Meu olhar já divisa o segredo bizarro que te sombreia e toma
consciência das fantasias só tuas, mas que lanças sobre os teus
alvos fingindo que eles jogam teu jogo. Às vezes jogam, mas nem se
dão conta. Não conseguem fugir da sedução desenhada por teus
caprichos.
Tenho vida o bastante pra conhecer teus caminhos. Meus anos de
mundo, estrada e dissecação dos fatos me deu bagagem para
discernir um ser humano de outro, sabendo estudar a fórmula de
cada comportamento. Descobrir a química dos vícios d´alma,
evitando os nefastos.
Há na tua beleza um veneno oculto que só a mais profunda
observação desvenda. Tua mansidão é bote armado e a sensibilidade
ostensiva é canto de sereia. Sei dos outros ouvidos que esse canto
fisga, para colecionar no fundo escuro do teu rio os espectros de
apaixonados infelizes.
Determinei-me a fugir do abismo emocional; desse hospício afetivo
destinado aos que se deixam levar por teu poder. Pela tua doença.
Pela força imensa da fraqueza do espírito. Pelo mal que manipulas
tão bem, forjando o bem que não fazes.
Meu coração me obedecerá. Minha razão regerá meu corpo. Será
melhor companheira minha solidão. Continuarei no alpendre desta
esperança que nutro, do amor ideal. Faço desta espera o motivo
maior de jamais desistir de mim mesmo.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 19/06/2008
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