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Político em campanha
Apregoando alegria e juventude o político em
campanha faz tratos com os eleitores usando sempre o "mindinho"
num gracejo tradicional. Depois coça o "seu vizinho" como se por
aí pudesse expurgar todos os possíveis vírus contraídos com o
povo. Especialmente o vírus da pobreza (mal sabe ele que a sua, de
caráter, é incurável).Para garantir a imagem de pessoa perfeita
(bom marido, pai exemplar e cidadão honesto), o candidato é
vezeiro em apontar o "fura-bolo" para os concorrentes, enumerando
seus erros, defeitos e deméritos. É a sua trapaça para roubar-lhes
os votos. Feito isto, abre um sorriso largo na cara-de-pau e exibe
o "mata-piolho", anunciando que tudo está bem (para ele, é claro,
que iludido ou não, já se vê eleito).De repente o sujeito ganha.
Toma posse. É um homem (ou mulher) de posse. Logo sente o sabor da
mordomia, do salário invejável, do nada fazer em troca de suas
benesses e negociatas. E quando ainda pensa no povo é porque olha
para um certo dedo da mão, recordando que aquele não atuou na
campanha. Incomodado com a injustiça, decide repará-la de uma vez
por todas e com infinita vantagem. O político, agora, passará
quatro anos mostrando o "pai-de-todos" a todos que acreditaram nos
outros dedos.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 27/05/2008
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