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SÍNTESE DO UNIVERSO
A máxima de que o mundo é pequeno se evidencia no poder de síntese
do haikai. Não é só o mundo. O universo é pequeno e pode ser
decantado com perfeição nas 17 sílabas desse poema que se traja de
frieza e burocracia. Só se traja, porque mesmo sob esse pano,
emociona; sensibiliza.
Têm o mesmo poder as artes plásticas. Elas desenham ou modelam o
mundo, o universo, a vida, fazendo-os caber na moldura ideal dos
olhos. Na janela ocular do raciocínio e da sensibilidade,
misturando cores, traços e formas e harmonizando a pluralidade
caótica do que existe.
Quando letras e artes ficam juntas é como se esse todo,
hermafrodita, fizesse amor consigo mesmo e gerasse a profusão do
verbo, dos tons, os sulcos e relevos que o explicam.
Inexplicavelmente explicam.
O artista plástico Fiuza e a escritora Benedita Silva de Azevedo*
unem haicai e artes plásticas numa exposição surpreendente. O
haikai é um poema visual. Retrata um momento, um cenário, como se
fotografasse. As artes plásticas escrevem o mundo em suas cores
e/ou formas, como se poetassem. Nada mais harmônico, então, do que
o casamento de ambas as modalidades.
Na exposição síntese, as letras e as artes não têm nomes. Têm
assinaturas, mas não nomes. São assinaturas universais, como a
síntese das peças em lua-de-mel nesse evento que nos convida a
pensar; vivenciar; sentir.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 07/10/2008
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