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UM MUNDO MELHOR A PARTIR DO
AFETO
Se todos nós adultos, exigirmos um pouco mais de nosso espírito e
de nossa noção de cidadania, veremos uma verdade básica sobre a
criança que sofre algum tipo de abandono, que nos ajudará na busca
do ideal de um mundo melhor. Poderemos ver, a partir disto, que a
criança é um arbusto que requer um olhar mais presente. Um
compromisso desse afeto que o mundo quase sempre empana em nós.
Dessa voz escondida que tenta sacudir a consciência dormente,
insensível ao que ocorre à nossa vista, contribuindo para um mundo
cada vez mais frio, violento e distante do amor que devemos uns
aos outros.
Qualquer menino pode vingar por entre a relva desse abandono,
sufocado pelas trepadeiras de falsas oportunidades ocasionadas
pelo tráfico de drogas e outros tipos de atividades criminosas.
Ele pode sobreviver definhando por essa realidade, mas esse não
tem, efetivamente, que ser o seu destino, quer seja de classe
pobre, rica ou "remediada". Isso vai depender de todo o mundo,
desde o lar à escola. Desde as ruas aos demais meios sociais. Eis
aí uma responsabilidade que é conjunta, e ninguém pode se negar a
contribuir para o futuro de uma nação e do próprio mundo,
socorrendo de alguma forma uma dessas criaturas que pedem socorro
em qualquer parte deste planeta.
O menino e a menina que se apresentam aos nossos olhos a cada dia,
onde quer que estejamos, são estrelas que se apagam no céu desse
descaso, se não aprendermos a olhar além do agora. Se não
convertermos esse olhar imediatista e dotado de puro egoísmo que
nos a uma corrida desenfreada pelo "cada um por si". Precisamos
esticar as vistas para o infinito, visualizando esses pequenos
além do horizonte e de nossa perspectiva de vida. Eles têm que
estar lá, junto aos nossos, aos de nosso sangue, para serem todos
parceiros na construção de um tempo de paz e igualdade.
Seja ela daqui ou de além-mar, cada criança que perde um novo
sonho, uma nova chance de ser feliz, pelas nossas mãos, é um filho
nosso que se perde. Que vê se esvaindo as esperanças. Fica sem
rumo e sentido... Perde o chão. Tudo isso, porque nossa busca do
infinito se restringe a nós. Não conseguimos nos ver entre os
sonhos, os anseios, as angústias e os gritos de socorro de nossas
crianças e nossos adolescentes.
Estamos no cio de uma dura realidade social. Essa realidade já não
permite que sejamos responsáveis, como seres humanos mesmo, apenas
pelos nossos filhos. É urgente que o magistério, o magistrado, os
executivos, o legislativo, a iniciativa privada e a livre
sociedade aprendam a fazer mais que o profissional, formal e
obrigatório pela infância e a adolescência.
Pode não ser possível nem prudente abrirmos as portas de nossas
casas para os meninos e meninas carentes (de tudo) que cruzam
nossos caminhos. Mas podemos ajudá-los a abrir para si mesmos as
portas de uma sociedade viável à sua cidadania. Nosso afeto,
quando existir de fato, poderá nos dizer como.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 11/06/2008
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