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VÍCIOS FINDANISTAS
Crônica
Fim do ano parece fim dos tempos, quando só existe a intenção
festeira de ostentar um sentimento superficial. Natal é o caos,
quando os sentimentos estão confusos e desesperados para competir
no mercado das manifestações que nos conectam com o momento. Com a
moda findanista. O corre-corre do consumo com o qual pretendemos
comprar uma vaga na ventania festeira da ocasião.
Não haverá um novo tempo, de ano novo a ano novo, enquanto hão
existir a sinceridade que desconhece datas, porque está sempre em
ação. O que deixa sempre um buraco no coração da humanidade é essa
indefinição de sentimentos. São esses folguedos que declaram no
grito amores de lojas, de artifícios que piscam nos pinheiros de
plástico e nos tons multicoloridos de presentes comprados que
tentam compensar a falta de presença dos trezentos e muitos dias
decorridos.
O natal será verdadeiro quando não tiver classe social, alegrias
vizinhas de tristezas, arroubos forjados, religiões em conflito e
separatismo racial. Tudo será novo quando o ser humano se reformar
a partir do íntimo, desprezando as convenções e a obrigação de
estar alguém melhor. É hora de sermos melhores, e isso não pode
apenas figurar no velho círculo feito em nosso calendário. Um
círculo vicioso.
Demétrio Pereira Sena
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 24/11/2008
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