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- Distância de si mesmo
Talvez o pior sentimento seja o de estar distante de si
mesmo. Viver sem saber quem é e o que quer é algo que
desmotiva qualquer um, e às vezes, leva até a depressão ou
mesmo ao suicídio.
O ser humano sempre precisou de explicações, sempre buscou
sentido para a existência. Desde os primórdios, quando os
povos eram, em sua maioria, politeístas e se regravam sob a
égide de seus deuses, até hoje: onde a lei da atração - o
segredo - se alastra pelas casas tentando dar maior sentido
à vida, uma vez, que a idéia de certo e errado, céu e
inferno, pregada pelo cristianismo está muito maçada diante
do avanço do conhecimento e também do cansaço de esperar
pelo tal messias que prometeu voltar e não volta nunca (e de
promessas de políticos, cá entre nós, já estamos fartos!).
Tenho a impressão de que vivemos os nossos modelos de vida,
apenas para camuflar as nossas várias, se não eternas,
dúvidas, nossas intensas incógnitas. Ao longo da vida, vamos
nos adaptando aos dogmas sociais já prontos e
estereotipados: estudar, trabalhar, casar, ter filhos... O
fato é que alguns escolhem esse ou aquele caminho, outros
quebram alguns dos dogmas, aceitam outros, criam suas
próprias idéias e as aceitam como verdade.
Quando um ser humano se depara com essa realidade, quando
percebe que tem sido apenas mais um em meio à multidão,
percebe também que está longe de si. Afinal, qual seria a
sua realidade se não vivesse na realidade coletiva? Isso me
faz pensar na alegoria da caverna, de Platão...
Mas afinal, é assim que tenho me sentido: tão longe da minha
realidade... Casar, ter filhos? Bolas! Pra quê? Vejo e ouço
muito disso: "você está namorando"? Porra! Por que deveria?
Por que tenho que correr atrás do que todos correm? Tem
gente morrendo de fome! Por que preciso me preocupar com meu
próprio umbigo? Distancio-me assim de mim... Talvez por não
querer enfrentar a dura realidade de não ter respostas pra
me dar. Por não aceitar aquelas prontas, por serem tão
superficiais.
"Cada um por si, Deus por todos". Nota-se! Por pensarem
assim os tolos, é que o mudo está esse caos sem fim!
...
Ellen Vieira
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