Reflexões na noite solitária
23h26min:
Hoje resolvi sair da gaveta,
Jogar fora os preconceitos,
Esquecer meus medos,
E sair no meio da noite.
Tomei um banho demorado,
Vesti uma roupa confortável,
Calcei meu scarpin,
E saí assim...
Na bolsa pendurada no ombro as chaves de casa e do
trabalho.
Na mão um caderno e uma caneta de ponta fina.
Queria ver o céu. Queria descrever a minha alma.
Hoje resolvi caminhar nas ruas da cidade e contemplar a
solidão.
Quis sentir a carícia do vento e abraçá-lo enquanto meus
cabelos negros se misturavam com essa noite escura.
E agora estou aqui: sentada no meio da praça. E ao som
de alguns poucos carros, grilinhos e papéis sendo
carregados, deixo fluírem os meus pensamentos. Minhas
idéias soltas.
Ouço uma música que vem lá de longe. Tento
identificá-la, mas não consigo. O vento, que antes me
acariciava, agora me deixa com frio.
Vejo as árvores ao meu redor e lembro vagamente das
aulas de biologia: elas estão inspirando ou expirando a
noite?
Olho as estrelas no céu e posso jurar que uma delas, a
minha favorita desde a infância, muda de cor.
Dois rapazes lá embaixo riem e falam coisas sem sentido.
Devem estar drogados. Isso me faz pensar no porquê de eu
estar aqui, no porquê da noite e da solidão, no porquê
do silêncio.
Só queria ficar aqui longe de tudo; sentada pensando na
vida. Só queria um tempo pra mim mesma. E agora vejo que
a busca pelas respostas e explicações só me levam a crer
que nada faz sentido.
Hoje resolvi sair da gaveta,
Jogar fora os preconceitos,
Esquecer o medo...
Hoje decidi parar de buscar as respostas e descobri que
a solidão só me faz mal. Agora quero a normalidade. Vou
é pra casa dormir. Quem sabe assim, no vácuo do meu
sono, eu esqueça tudo por algumas horas?
23h51min:
Passos.
Ellen
Vieira