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-
- Sobre a leitura
É fato que a mídia e os seus diversos meios de comunicação
têm exercido forte influência na mente do público em geral.
Principalmente em se tratando do público adolescente, que
facilmente se adapta a ideologia contida em séries do tipo
"Malhação" e "Rebelde". As pessoas estão tão acostumadas em
aceitar idéias prontas; tão acostumadas a não ver as coisas
com um olhar crítico e investigador; tão acostumadas a
apenas aceitar "a vida como ela é" (como disse certa vez o
ilustre Nelson Rodrigues) sem querer mudar; acostumadas a
respirar idéias prontas dos noticiários e não analisar se é
uma verdade aceitável ou não, que, enfim, estão
esquecendo-se dos sentimentos. Arnaldo Jabor faz menção a
isto, com a seguinte afirmação: "o terrível bombardeio que a
cultura americana está fazendo nos sentimentos é invisível,
mas é pior que as bombas contra o Iraque". Os homens têm
vivido seus dias como meras construções sociais, não estão
vivendo, estão apenas vivos no meio da massa.
O problema é ainda maior no que diz respeito à literatura.
Livros como Harry Potter, estão substituindo as nossas
grandiosas obras recheadas de sentimentos, recheadas daquilo
que mais falta ao ser humano dos nossos dias. Os livros vêm
sendo escolhidos pela capa e não pelo conteúdo - aliás, até
as pessoas têm sido tratadas assim.
Antes de admitir qualquer informação há a necessidade de se
analisar, de se olhar com olhos críticos, analíticos e
sensíveis. É preciso para tal, praticar o hábito da leitura.
A leitura muda as pessoas. Só acrescenta. Mas, como já dito,
é preciso escolher o livro certo. E literatura, não nos
falta. Nistzsche dizia amar somente os livros que haviam
sido escritos com sangue. Os livros escritos com sangue
lidam corpo e a alma, enquanto os outros, mexem apenas com a
cabeça. As escolas têm que buscar semear as sementes da
esperança, e não apenas os meros conceitos prontos.
Ora, não esqueçamos nosso Machado de Assis, nosso Monteiro
Lobato, nem os nossos bons poetas nas gavetas! Busquemos
suas obras e leiamos! Porque, "as palavras se dissolvem no
silêncio geral, mas ficam ecoando na mente". E esse "eco"
fará com que nos tornemos realmente indivíduos, no fiel
sentido da palavra: individuais e únicos, e não somente mais
alguém em meio à multidão.
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Ellen
Vieira
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