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PRINCESA ANJO
Diz-me o vento que
és princesa
de uma terra perdida,
mágoa acumulada, doce subtileza,
fada, linda madrinha.
Para mim, és anjo feito sangue,
cálice da paixão!
Num momento exangue,
deixas-me em transe,
coroas a minha perdição.
Que me dizes, dona fatal?
segregas veneno letal,
ou és comum mortal?
Sou uma mulher ferida,
choro por não amar,
rio para sublimar
a cor do firmamento
a vontade e o alento...
Tenho saudades do tempo:
da flor viçosa,
da frescura do jardim,
de quando estavas em mim...
Façamos então magia
retrocedamos as horas,
vivamos a nossa orgia!
Mas já não me imploras... !
Já metamorfoseei,
sou espectro do que fui,
de mim, já não sei!
Mesmo assim, princesa,
anjo da minha condição,
tu és toda pureza,
Verdadeiro quinhão,
abandona-te no meu calor...
Eu sou o teu Sansão
Tu a Dalila do ardor!
Elvira Camarinha
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
22/02/2005

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