A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FABIANA TEIXEIRA

 

 

 

Abel e Ariela

O amor os havia encontrado.

Abel e Ariela se apaixonaram assim que se viram em uma tarde ensolarada de domingo no mercado central da cidade onde vendia tapetes coloridos com desenhos de flores e paisagens. Era um jovem aventureiro que viajava o mundo não era belo, mas era gentil e com seu sorriso havia conquistado o coração de Ariela, uma bela e jovem solitária que morava em uma pequena casa, no alto de uma colina. Seu pai não aceitava que ninguém se aproximasse dela, sendo um homem de crenças, como era, via em sua filha uma áurea de santa e acreditava que ninguém  estava à altura de sua amada filha.

Mas, o destino de Ariela havia mudado naquele domingo desde que vira Abel, enquanto ela comprava especiarias no mercado central sob a proteção dos olhos atentos do pai, daquele dia em diante, seu coração nunca esquecera Abel e tinha plena certeza que ele sentia amor por ela.

Os dias se passavam e ansiosa Ariela pensava várias vezes em ir encontrá-lo, mas, sempre desistia e certo dia ao amanhecer ela acordou aflita, pois havia tido um sonho e sonhara que Abel tinha partido, resolveu procurá-lo e escreveu um bilhete dizendo onde estava, declarando todo seu amor, pedindo para que fosse encontrá-la, em seguida dobrou o bilhete e o amarrou com uma bela fita azul e suspirando pediu proteção aos deuses, abriu a janela, com um canto chamou uma águia e colocou o bilhete em seu bico dourado.

Os pássaros conversavam com ela e a águia fazia tudo o que ela pedia, atendendo aos seus desejos voou a procura de Abel  mas, não o encontrou  e ao cair da tarde a águia com suas grandes asas negras e seu bico dourado retornou, deixando o bilhete em sua janela.

Ao ver o bilhete em sua janela Ariela compreendeu que Abel  tinha partido, assim como ela havia sonhado e melancólica, passou a noite inteira chorando e prometendo a si mesma que não importava e que sempre o esperaria.

Todas as noites ela admirava a lua e cantava uma bela canção pensando em Abel, seus amigos pássaros lhe faziam companhia e dessa forma se sentia forte para suportar o tempo sem o seu amado.

Antes de dormir, ela fazia tranças em seus longos cabelos negros que contrastava com sua pele alva enquanto esperava seu pai protetor, vim lhe desejar boa noite, para logo em seguida escrever cartas para Abel, lhe fazendo promessas de amor eterno, depois guardava as cartas em uma grande caixa de veludo vermelha e colocava em um grande vaso indiano, para evitar que seu pai descobrisse seu segredo.

O tempo passou e ela continuava fiel aos seus sentimentos, até que em uma tarde enquanto Ariela se distraia tocando flauta, ouviu o canto dos pássaros e foi até a janela, verificar o que acontecia lá fora, viu que os  pássaros estavam voando em círculos e pareciam querer avisá-la de alguma coisa, então ela correu até varanda e viu alguém subindo  a colina, pode reconhecer mesmo ao longe que  era seu amor Abel.

Enquanto o esperava, seu coração sorria, sabia que nada poderia separá-los novamente, até mesmo a ira do seu pai não iria privá-la de ser feliz! Agora ela se sentia forte. Seria livre pra viver seu romance com Abel, seu pai teria que compreender que o amor é sagrado e nada pode superá-lo, Abel finalmente se aproximou de Ariela olhando-a ternamente, e nesse momento não foram preciso palavras e nem explicações, ele a beijou longamente e os pássaros voavam em círculos festejando.

Fabiana Teixeira
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 15/01/2008