Abel e Ariela
O amor os havia encontrado.
Abel e Ariela se apaixonaram
assim que se viram em uma tarde ensolarada de domingo no
mercado central da cidade onde vendia tapetes coloridos com
desenhos de flores e paisagens. Era um jovem aventureiro que
viajava o mundo não era belo, mas era gentil e com seu sorriso
havia conquistado o coração de Ariela, uma bela e jovem
solitária que morava em uma pequena casa, no alto de uma
colina. Seu pai não aceitava que ninguém se aproximasse dela,
sendo um homem de crenças, como era, via em sua filha uma
áurea de santa e acreditava que ninguém estava à altura de
sua amada filha.
Mas, o destino de Ariela
havia mudado naquele domingo desde que vira Abel, enquanto ela
comprava especiarias no mercado central sob a proteção dos
olhos atentos do pai, daquele dia em diante, seu coração nunca
esquecera Abel e tinha plena certeza que ele sentia amor por
ela.
Os dias se passavam e
ansiosa Ariela pensava várias vezes em ir encontrá-lo, mas,
sempre desistia e certo dia ao amanhecer ela acordou aflita,
pois havia tido um sonho e sonhara que Abel tinha partido,
resolveu procurá-lo e escreveu um bilhete dizendo onde estava,
declarando todo seu amor, pedindo para que fosse encontrá-la,
em seguida dobrou o bilhete e o amarrou com uma bela fita azul
e suspirando pediu proteção aos deuses, abriu a janela, com um
canto chamou uma águia e colocou o bilhete em seu bico
dourado.
Os pássaros conversavam com
ela e a águia fazia tudo o que ela pedia, atendendo aos seus
desejos voou a procura de Abel mas, não o encontrou e ao
cair da tarde a águia com suas grandes asas negras e seu bico
dourado retornou, deixando o bilhete em sua janela.
Ao ver o bilhete em sua
janela Ariela compreendeu que Abel tinha partido, assim como
ela havia sonhado e melancólica, passou a noite inteira
chorando e prometendo a si mesma que não importava e que
sempre o esperaria.
Todas as noites ela admirava
a lua e cantava uma bela canção pensando em Abel, seus amigos
pássaros lhe faziam companhia e dessa forma se sentia forte
para suportar o tempo sem o seu amado.
Antes de dormir, ela fazia
tranças em seus longos cabelos negros que contrastava com sua
pele alva enquanto esperava seu pai protetor, vim lhe desejar
boa noite, para logo em seguida escrever cartas para Abel, lhe
fazendo promessas de amor eterno, depois guardava as cartas em
uma grande caixa de veludo vermelha e colocava em um grande
vaso indiano, para evitar que seu pai descobrisse seu segredo.
O tempo passou e ela
continuava fiel aos seus sentimentos, até que em uma tarde
enquanto Ariela se distraia tocando flauta, ouviu o canto dos
pássaros e foi até a janela, verificar o que acontecia lá
fora, viu que os pássaros estavam voando em círculos e
pareciam querer avisá-la de alguma coisa, então ela correu até
varanda e viu alguém subindo a colina, pode reconhecer mesmo
ao longe que era seu amor Abel.
Enquanto o esperava, seu
coração sorria, sabia que nada poderia separá-los novamente,
até mesmo a ira do seu pai não iria privá-la de ser feliz!
Agora ela se sentia forte. Seria livre pra viver seu romance
com Abel, seu pai teria que compreender que o amor é sagrado e
nada pode superá-lo, Abel finalmente se aproximou de Ariela
olhando-a ternamente, e nesse momento não foram preciso
palavras e nem explicações, ele a beijou longamente e os
pássaros voavam em círculos festejando.
Fabiana Teixeira