Coração de Menina
Mais
parecia um anjo sentada nas escadarias da Igreja em seu vestido
de linho branco e suas sandálias azuis, com seus cabelos
castanhos presos em doces laços de fitas brancas. Seus olhos
atentos sorriam observando as brincadeiras das crianças que se
divertiam, com euforia na praça.
A moça
morava em uma cidade pequena do interior, onde todos se
conheciam e todos os dias eram iguais, aos domingos, dia de
missa à cidade acordava mais feliz, e todos se encontravam na
Igreja, alguns para falar da vida alheia, outros por pura
devoção e fé.
A mãe olhava com
reprovação quando a moça fugia no meio da missa para sentar-se
nas escadarias da igreja. Sapeca desde pequena ela sempre
aprontava, contrariando sua mãe, que saia pela vizinhança
desesperada com um lencinho bordado na mão, que vez ou outra
agitava enquanto resmungava a procura da filha fujona.
Mãe severa foi
esposa submissa aos desejos do marido coronel de temperamento
forte onde as palavras dele sempre tinham razão.
Desde que tinha
ficado viúva, D. Marta dedicava toda sua vida apenas à filha
adorada, que era moça bem
educada e na escola era a primeira da classe. Sempre bem arrumadinha com fitas nos cabelos e uniforme azul, a moça
gostava dos poemas que a professora declamava no final da aula,
e sonhava um dia ser igual a ela. Vez ou outra levava doces que
sua mãe preparava para a professora, que lhe agradecia
carinhosamente beijando sua face.
A moça
tinha alma doce e seu coração de menina, não conhecia a maldade.
Depois da aula corria com suas amigas até a beira do rio e por
lá ficava fazendo pulseirinhas de flores, descansando a sombra
da mangabeira depois tirava os sapatos e banhava os pés no rio e
quando lembrava de retornar à casa era já tardinha, ela então
corria com os sapatos nas mãos, dando gargalhadas com as amigas,
tentando adivinhar o que sua mãe iria dizer do seu
desaparecimento e quando ela chegava em casa, sua mãe lhe dava
um belo puxão de orelhas, mas ela esperta como era, logo pedia
desculpas e a abraçava, fazendo D. Marta esquecer o acontecido e
as preocupações.
A moça era um
encanto e permanecia ali na escadaria da igreja olhando o rapaz
que tinha saído da praça e vinha em sua direção sorrindo com
timidez, fazendo seu coração de menina florescer, enquanto D.
Marta parada a porta da igreja, os observava com seus olhos
vigilantes e o rosário nas mãos.
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Fabiana Teixeira
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
11/12/2006