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Marcela
Trabalhava em um restaurante para
ajudar a família e em suas mãos calosas, as marcas do trabalho
árduo mostravam-se incontinente. Mas ela não reclamava, apenas
se conformava e dava continuidade ao seu viver de mulher
laboriosa. Todos os dias pegava o metrô lotado, era uma longa
trajetória do trabalho até sua casa, chegava sempre tarde e
muito cansada não pensava em outra coisa além de deitar em sua
cama e dormir envolta em seus lençóis coloridos.
Marcela era jovem e bonita, com
seus cabelos curtos vermelhos como o fogo e sua pele alva como a
neve, simpática, com seus inseparáveis brincos de lua e seus
pequeninos olhos pretos, era graciosa.
Em seu coração ainda doía as
lembranças de um amor fracassado. Embora houvesse feito o
possível para esquecer seu ex namorado, o passado lhe perseguia.
Ainda o amava e tinha fotos dele em seu quarto, na mesinha de
cabeceira, onde todas as noites antes de apagar a luz do abajur,
olhava as fotos, melancólica e com saudades.
Aos sábados era sua folga e ela
dormia o dia inteiro, à noite se arrumava e saia para dar uma
volta na cidade, tomava sorvete de chocolate, seu preferido, e
parava na padaria onde comprava queijos e pães para o jantar.
Fazia longas caminhadas,
olhando as vitrines das lojas observando o vai-e-vem das pessoas
apressadas, e vez ou outra olhava para o céu a procura da lua
que teimava em esconder-se. Ela gostava de admirar as belezas
das noites e o céu era um bálsamo para suas lembranças tristes.
Por mais que evitasse, o
pensamento lhe transportava àquela noite triste, quando dentro
do cinema, entre pipocas e filme, sem que esperasse, ele que era
tão bonito, a fitou seriamente dizendo que não a amava mais.
Mesmo não entendendo o que
havia acontecido de errado entre os dois, ela sabia que
precisava dar um tempo para ele, pensando talvez, que pudesse
ser uma fase de insegurança. Tinha esperanças que ele sentisse
saudades e a procurasse arrependido. Mas isso não aconteceu, e
ele desapareceu sem mais explicações, foi inútil procurá-lo.
Um vento frio fez
estremecer os lábios dela, fazendo-a retornar ao presente, ela
olhou a sua volta confusa, se fazia tarde e as lojas da cidade
começavam a fechar e pouco a pouco as luzes das vitrines se
apagavam.
Marcela decidiu retornar a
casa com seus pães e queijos nos braços, as lágrimas caiam em
seu rosto gelado pelo vento e enquanto caminhava absorta em seus
pensamentos, os manequins das vitrines sorriam de sua tristeza.
Fabiana Teixeira
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
19/12/2006