A casa dos grandes pensadores
 
 
     
 

FABIANA TEIXEIRA

 

 

 

 
O lago
 
Ada tinha o mesmo sonho todas às noites e eram como uma doce perseguição.
Acordava feliz e não comentava com ninguém a razão de sua felicidade, pois não queria parecer estranha e achava que as pessoas não iriam compreender.
E depois, o sonho era seu e não queria dividi-lo com ninguém.
Sentia que alguma coisa estava mudando dentro dela, mas não sabia explicar o que estava acontecendo.
Seus amigos começaram  sentir a sua ausência nos finais de semana, achavam até que ela estaria de namoradinho novo e por isso fazia tanto mistério. Os dias passavam e os sonhos continuavam e Ada ficava intrigada, não entendia nada, mas sentia que algo iria acontecer e que ela deveria estar pronta.
Isso a estava deixando atordoada, não trabalhava direito e se sentia exausta. Não telefonava aos amigos, chegava em casa, jogava as chaves no sofá, comia maçã e sempre abria a janela e ficava observando lá fora. Gostava de observar as pessoas, sempre observava uma velhinha que caminhava com seus gatos.  Vez ou outra a velhinha parava e remexia o lixo da vizinhança e quando achava comida, alimentava os seus companheiros famintos.
Ada sempre se emocionava com a velhinha, acreditava que ela era um verdadeiro anjo sobre a terra e sorria quando pensava assim.
Certo dia Ada acordou esquisita, pois o sonho dessa vez tinha sido diferente e resolveu até escrever o que tinha sonhado.
E depois disso não sonhou mais, acordava muito triste todos os dias, sentia falta dos sonhos
Estava começando a se preocupar com tudo o que estava acontecendo com ela e resolveu por um fim nesse mistério. Pegou o papel em que anotara o que tinha sonhado e saiu depressa.
Ficou horas dirigindo sem saber para onde o caminho iria lhe levar, mas não
Sentia medo, e de repente parou o carro e sentiu-se muito feliz como jamais se sentira na vida: lá estava o lago com que tanto sonhara!
Saiu do carro encantada com que via, aproximou-se, fitou o lago por um longo tempo e eles se amaram. O lago então abriu seus braços e ela se entregou àquele amor pra sempre.

Fabiana Teixeira

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 16/10/2006