O vestido de
noiva
Branco
de cetim, todo bordado com madrepérolas, tules e delicados
brilhos, lá estava o vestido, em cima da cama a espera de sua
dona que suspirava encantada enquanto pensava que o grande dia
havia chegado.
O vestido estava perfeito, Marta dizia a si mesma.
Tudo ficaria bem pensava, sempre tivera tudo o que desejava,
era filha única e seus pais sempre a mimavam dando-lhe tudo o
que ela sonhasse.
De repente uma batidinha na porta a fez abandonar seus
pensamentos, era sua mãe, uma senhora simpática e elegante com
seus cabelos grisalhos e em suas mãos trazia os sapatos de
cetim branco para filha.
A
mãe da noiva estava feliz com a escolha da filha sempre fora
uma mulher ambiciosa desejava que sua filha tivesse uma vida
de rainha, e sabia que com Pedro isso se realizaria. Apenas o
pai não aceitava o casamento, pois ele não queria que sua
filha se casasse, algo lhe dizia que não daria certo o
casamento, e triste ele esperava a noiva com seu paletó preto
e com seu bigode branco engraçado, seus cabelos estavam bem
arrumados e brilhantes, usava sapatos novos e caríssimos que
apertavam seus pés, era um homem bom, um médico respeitado e
avesso as badalações, apenas tolerava a situação por causa da
filha, pois não queria decepcioná-la.
Sua insatisfação o levou a beber naquele dia, precisava
encarar a situação com calma e agarrava uma garrafa de whisky
nas mãos desesperadamente e as escondidas dava grandes goles
dentro de sua limusine preta, enquanto bebia se sentia mais
confiante e estava pronto para levar a filha ao altar, já que
assim era o seu desejo ele não iria interferir.
Na catedral os convidados impecáveis esperavam a noiva, a
igreja estava repleta de flores rosas e brancas, as daminhas
corriam pela igreja com seus vestidinhos azuis enquanto as
mães as repreendiam para que não se sujassem. O belo noivo
arrependido do grande passo que iria mudar sua vida olhava as
pessoas ao seu redor, relembrando os anos de noivado e de como
havia conhecido Marta, ele não entendia como havia deixado as
coisas chegarem a esse ponto. Pedro nunca pensou em se casar
com ela, pois não a amava, e analisando os fatos ali no altar
da igreja não encontrou uma solução, olhou seus pais, seus
amigos sorridentes, e se resignou a não decepcionar a todos,
pois seu casamento seria perfeito e todos achavam que eles
formavam um belo casal. Se desistisse naquele exato momento
seria um desastre, então achou melhor resolver tudo com calma,
depois do casamento conversaria com Marta e pediria uma
separação sem tormentos e magoas, tinha certeza que ela iria
compreender e com esse pensamento continuou no altar a espera
da noiva.
Mas enquanto Pedro estava decidido, em seu quarto Marta não se
decidia, os minutos passavam enquanto ela olhava o vestido de
noiva com angustia, e quanto mais ela olhava o vestido mais
parecia um pesadelo, sua mãe esperava na sala ingenuamente sem
saber o que se passava com a filha, sem saber que Marta tinha
um segredo e que por isso estava infeliz e não desejava casar.
Para Marta havia chegado o momento da verdade, por mais que
fosse doloroso não poderia levar esse segredo a diante,
minutos depois ela sai do quarto com seu lindo véu e seu
vestido de noiva branco belíssimo, estava linda com seus
cabelos dourados presos com uma coroa de brilhantes, enquanto
as lágrimas teimavam em cair borrando sua maquiagem.
Marta olha para a mãe que orgulhosa, a sua espera na sala com
um buquê de delicadas rosas brancas nas mãos, e enquanto desce
as escadas pensativa Marta se transforma, seus olhos fuzilam a
sua mãe, e num ataque de histeria incontrolável diz que odeia
o noivo, e que não vai casar, aos berros diz que está grávida
de outro homem, rasga seu próprio vestido o chamando de
maldito, tira o buquê das mãos da mãe e o faz em pedacinhos
jogando as pétalas em sua face e a acusando de ser
interesseira, enquanto sua mãe desesperada pede a filha para
se acalmar, a noiva se descabela e aos gritos quebra tudo o
que encontra, até perder os sentidos, enquanto seu pai bêbado
a espera na limusine.
Fabiana Teixeira