A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FABIANA TEIXEIRA

 

 

 

O vestido de noiva

       Branco de cetim, todo bordado com madrepérolas, tules e delicados brilhos, lá estava o vestido, em cima da cama a espera de sua dona que suspirava encantada enquanto pensava que o grande dia havia chegado.

O vestido estava perfeito, Marta dizia a si mesma.

Tudo ficaria bem pensava, sempre tivera tudo o que desejava, era filha única e seus pais sempre a mimavam dando-lhe tudo o que ela sonhasse.

De repente uma batidinha na porta a fez abandonar seus pensamentos, era sua mãe, uma senhora simpática e elegante com seus cabelos grisalhos e em suas mãos trazia os sapatos de cetim branco para filha.

         A mãe da noiva estava feliz com a escolha da filha sempre fora uma mulher ambiciosa desejava que sua filha tivesse uma vida de rainha, e sabia que com Pedro isso se realizaria. Apenas o pai não aceitava o casamento, pois ele não queria que sua filha se casasse, algo lhe dizia que não daria certo o casamento, e triste ele esperava a noiva com seu paletó preto e com seu bigode branco engraçado, seus cabelos estavam bem arrumados e brilhantes, usava sapatos novos e caríssimos que apertavam seus pés, era um homem bom, um médico respeitado e avesso as badalações, apenas tolerava a situação por causa da filha, pois não queria decepcioná-la.

            Sua insatisfação o levou a beber naquele dia, precisava encarar a situação com calma e agarrava uma garrafa de whisky nas mãos desesperadamente e as escondidas dava grandes goles dentro de sua limusine preta, enquanto bebia se sentia mais confiante e estava pronto para levar a filha ao altar, já que assim era o seu desejo ele não iria interferir.

Na catedral os convidados impecáveis esperavam a noiva, a igreja estava repleta de flores rosas e brancas, as daminhas corriam pela igreja com seus vestidinhos azuis enquanto as mães as repreendiam para que não se sujassem. O belo noivo arrependido do grande passo que iria mudar sua vida olhava as pessoas ao seu redor, relembrando os anos de noivado e de como havia conhecido Marta, ele não entendia como havia deixado as coisas chegarem a esse ponto. Pedro nunca pensou em se casar com ela, pois não a amava, e analisando os fatos ali no altar da igreja não encontrou uma solução, olhou seus pais, seus amigos sorridentes, e se resignou a não decepcionar a todos, pois seu casamento seria perfeito e todos achavam que eles formavam um belo casal.  Se desistisse naquele exato momento seria um desastre, então achou melhor resolver tudo com calma, depois do casamento conversaria com Marta e pediria uma separação sem tormentos e magoas, tinha certeza que ela iria compreender e com esse pensamento continuou no altar a espera da noiva.

Mas enquanto Pedro estava decidido, em seu quarto Marta não se decidia, os minutos passavam enquanto ela olhava o vestido de noiva com angustia, e quanto mais ela olhava o vestido mais parecia um pesadelo, sua mãe esperava na sala ingenuamente sem saber o que se passava com a filha, sem saber que Marta tinha um segredo e que por isso estava infeliz e não desejava casar. Para Marta havia chegado o momento da verdade, por mais que fosse doloroso não poderia levar esse segredo a diante, minutos depois ela sai do quarto com seu lindo véu e seu vestido de noiva branco belíssimo, estava linda com seus cabelos dourados presos com uma coroa de brilhantes, enquanto as lágrimas teimavam em cair borrando sua maquiagem.

Marta olha para a mãe que orgulhosa, a sua espera na sala com um buquê de delicadas rosas brancas nas mãos, e enquanto desce as escadas pensativa Marta se transforma, seus olhos fuzilam a sua mãe, e num ataque de histeria incontrolável diz que odeia o noivo, e que não vai casar, aos berros diz que está grávida de outro homem, rasga seu próprio vestido o chamando de maldito,  tira o buquê das mãos da mãe e o faz em pedacinhos jogando as pétalas em sua face e a acusando de ser interesseira, enquanto sua mãe desesperada pede a filha para se acalmar, a noiva se descabela e aos gritos quebra tudo o que encontra, até perder os sentidos, enquanto seu pai bêbado a espera na limusine.

Fabiana Teixeira
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 27/12/2007