A ECONOMIA DO AMOR
A
filosofia popular diz que só conhecemos realmente a pessoa
com quem casamos, quando nos separamos dela.
Lamentavelmente, é uma grande verdade, que se comprova
principalmente nos processos de separação tornados públicos.
Em um movimento humano de defesa, em geral, saltamos dizendo
que conosco, isso jamais aconteceria. Vivenciamos com
grandes
amigos
, separações que nos surpreendem pelo jogo desleal entre as
partes, até que a vida, de golpe, nos surpreende com a
sofrida experiência própria da causa.
A mulher, normalmente fica com os filhos,
usando-os como infalíveis armas de extorsão. Passam a
freqüentar uma escola inadequada, cuja principal matéria do
currículo, é a manipulação apoiada pela mentira. Vítima
assumida e amparada por amigas irresponsáveis, faz crescer
assustadoramente um plano de vingança arrasador. O homem,
obrigado por seu instinto paternal, quando sai com as
crianças, assume o papel de papai Disney World agravando a
situação dos filhos, não colocando limites, tudo vira
brincadeira e diversão, escondendo provas de seu padrão
privilegiado, endossando o jogo. Para o homem, que fica um
reduzido tempo convivendo com os filhos, as conseqüências
são menores e a possibilidade de sustentar as mentiras é
favorecida. Muitos tornam-se verdadeiros artistas de novelas
mexicanas, comportando-se num misto entre o dramático e o
patético, não se poupam do ridículo.
Os filhos, embora sendo as únicas
verdadeiras vítimas desta guerra, aparentemente lucram com
as desavenças dos pais. Aproveitam toda e qualquer brecha
para tirar um algo mais, uma festa que a mãe não deixa ir,
um passeio que não estava no orçamento, a roupa fora de hora
e valores negociados. Como se valores fossem
negociáveis. Aqui reside o grande risco, quando os pais não
conseguem entrar em um acordo como pais, esquecem que são
apenas ex-marido e mulher, ex pais, não existe .
Um conflito cruel é detonado na alma das
crianças, ou jovens, o conflito da lealdade. Lealdade às
mentiras de quem? Se questionam os filhos. Eles acreditam
naquilo que enxergam no dia a dia, a mãe que argumenta não
ter dinheiro para levá-los ao médico, mas compra roupas
novas, o pai que afirma não ter condições de saírem de
férias mas vai para o Caribe com a namorada nova. Esta
conduta agressiva e incoerente dos pais, gera uma profunda
confusão nos filhos, com graves consequências, inclusive a
perda da autoridade. Porque, mais cedo ou mais tarde, eles
vão refletir como um espelho, o que estão aprendendo aqui e
agora.
No entanto, o que está por trás de toda esta
guerra, é um único e não admitido aspecto : o amor. O amor
que deixou de existir entre um homem e uma mulher e, por
razões que o nosso narcisismo é capaz de compreender, passa
a ser equivalente a bens e dinheiro. Estabelecemos
mentalmente uma equação, o amor que perdemos será igual aos
bens que obtivermos . Não podemos quantificar a nossa dor e
mágoas, os sacrifícios realizados na base da cumplicidade,
as expectativas frustradas. Nossos sonhos, os projetos
idealizados na vida a dois, cada investimento de ternura e
afeto, e demonstrações de paixão ganham um valor material e
se transformam em poderosas armas. Pode ser uma casa, um
barco, carro, mesa, cinzeiro, quadro ou qualquer outro
objeto, por vezes, bizarro. O valor de mercado não
interessa, vale o valor afetivo ou o transtorno emocional
que esta perda irá causar no outro.
A intenção é o revide pelo prejuízo emocional,
é o montante de libido que foi depositada em um fundo de
ações agora percebido como fraudulento, que não tem
perspectivas de rentabilidade ou lucros e, que queremos
insanamente ser indenizados, custe o que custar.
Esta é a dolorosa e deprimente economia do
amor, quando o amor termina...
Fátima Pilla Muller -
23 de junho de 2007