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A FUNÇÃO “ZEN” DO ESCREVER
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Vivemos em um mundo cada dia mais estressante, onde pessoas
silenciosas sofrem suas angustias, sufocam suas emoções, fazem
estoques de mágoas e rancores. E, assim adoecem, sem saber
porque.
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A solidão é
o elo comum á todas elas, que envolve a falta de confiança, de
um alguém com que possam realmente contar...seus segredos,
sonhos, desejos, ou simplesmente dar espontâneas risadas.
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A cerca de
um ano, li uma reportagem em uma revista de circulação
nacional, que estava virando “moda”, em um país europeu, as
pessoas comprarem imensos papéis de paredes, com cenas em
tamanho natural, de pessoas sentadas à sala, ou outras cenas
típicas do cotidiano doméstico, para poder amenizar a solidão
em que vivem.
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Fiquei
estarrecida, não só por ser psicóloga, mas principalmente, por
ser humana e sensível ao sofrimento das pessoas, não
importando em que parte do mundo elas se encontrem, fazem
parte do universo que é meu, que nosso.
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Como parte
deste todo, cada acontecimento nos atinge, alguns simplesmente
ignoram, outros, mesmo com pequenos gestos, influenciam na
busca de um equilíbrio maior, de uma justiça mais firme,
formam correntes de solidariedade, que de uma maneira ou
outra, contribuirão para que aqueles que sofrem, possam se
sentir um pouco apoiados e aliviados de sua carga.
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Acredito que o
ato de escrever, é um instrumento mágico, poderoso, que
atinge milhares de pessoas e, muitas dessas, tomam as palavras
como seus verdadeiros parceiros na luta para amenizar a
solidão.
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Temos uma
grande responsabilidade quando escrevemos, poderemos tornar o
dia de alguém mais iluminado, fazer brotar uma esperança
esquecida, estimular a resgatar um amor perdido, a refletir
algumas escolhas inadequadas, a desabrochar um intenso desejo
de viver em plenitude.
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Escrever é um
ato Zen... Quando nossas palavras estão despidas de
sentimentos egoístas, narcisistas, mas carregadas de desejo
de espalhar a paz e a esperança no coração das pessoas, pelas
iluminadas portas de nossos olhos sedentos de luz interior.
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Todos nós
somos escritores em potencial, escrever para nós mesmos, a
respeito de nossos sentimentos, e de tudo aquilo que
gostaríamos de ser ouvidos, e não temos coragem de falar, ou
não temos quem nos escute, é um ato terapêutico . No mínimo,
não nos sentiremos tão só com a gente mesmo, escutaremos duas
vezes, nosso coração e, assim, mais uma oportunidade para a
reflexão.
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Do ponto de
vista dinâmico, quando retiramos nossos sentimentos de nossa
alma, colocando-os no papel, ou na tela do computador, já
estamos dando o primeiro passo para a cura de nossas dores.
Toda a energia asfixiante, vinda de emoções boas ou ruins, mas
estancadas, tem a oportunidade de se libertarem, de serem
administradas e repensadas assim, linha por linha. O que era
caos, torna-se luz.
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Imaginemos que nossas palavras possam preencher o vazio de
tanta gente, as de amor, acolhem a alma, as de paz, a
tranqüilizam, as de forças, incentivam, as de solidariedade,
consolam, as de ternura, aquecem, as de esperança alimentam a
vida, enfim, escrever é um grande gesto de amor e compaixão.
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O ato de
escrever é leve, é libertador, requer coragem, sem dúvida, mas
despertada a paixão por ele, acontecerá com fluidez,
naturalidade e será um companheiro fiel, de todas as horas,
para o resto de nossos dias, e jamais nos sentiremos sós,
outra vez.
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Escreva !
Sempre...
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- Fátima Pilla Muller - 10/07/05
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
10/07/2005

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