A casa dos grandes pensadores
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

 
               A FUNÇÃO “ZEN” DO ESCREVER
 
          Vivemos em um mundo cada dia mais estressante, onde pessoas silenciosas sofrem suas angustias, sufocam suas emoções, fazem estoques de mágoas e rancores. E, assim adoecem, sem saber porque.
         A solidão é o elo comum á todas elas, que envolve a falta de confiança, de um alguém com que possam realmente contar...seus segredos, sonhos, desejos, ou simplesmente dar espontâneas risadas.
        A cerca de um ano, li uma reportagem em uma revista de circulação nacional, que estava virando “moda”, em um país europeu, as pessoas comprarem imensos papéis de paredes, com cenas em tamanho natural, de pessoas sentadas à sala, ou outras cenas típicas do cotidiano doméstico, para poder amenizar a solidão em que vivem.
       Fiquei estarrecida, não só por ser psicóloga, mas principalmente, por ser humana e sensível ao sofrimento das pessoas, não importando em que parte do mundo elas se encontrem, fazem parte do universo que é meu, que nosso.
      Como parte deste todo, cada acontecimento nos atinge, alguns simplesmente ignoram, outros, mesmo com pequenos gestos, influenciam na busca de um equilíbrio maior, de uma justiça mais firme, formam correntes de solidariedade, que de uma maneira ou outra, contribuirão para que aqueles que sofrem, possam se sentir um pouco apoiados e aliviados de sua carga.
      Acredito que o ato de escrever, é um instrumento mágico, poderoso,  que atinge milhares de pessoas e, muitas dessas, tomam as palavras como seus verdadeiros parceiros na luta para amenizar a solidão.
      Temos uma grande responsabilidade quando escrevemos, poderemos tornar o dia de alguém mais iluminado, fazer brotar uma esperança esquecida, estimular a resgatar um amor perdido, a refletir algumas escolhas inadequadas, a desabrochar um intenso desejo de viver em plenitude.
       Escrever é um ato Zen... Quando nossas palavras estão despidas de sentimentos egoístas, narcisistas, mas  carregadas de desejo de espalhar a paz e a esperança no coração das pessoas, pelas iluminadas portas de nossos olhos sedentos de luz interior.
       Todos nós somos escritores em potencial, escrever para nós mesmos, a respeito de nossos sentimentos, e de tudo aquilo que gostaríamos de ser ouvidos, e não temos coragem de falar, ou não temos quem nos escute, é um ato terapêutico . No mínimo, não nos sentiremos tão só com a gente mesmo, escutaremos duas vezes, nosso coração e, assim, mais uma oportunidade para a reflexão.
      Do ponto de vista dinâmico, quando retiramos nossos sentimentos de nossa alma, colocando-os no papel, ou na tela do computador, já estamos dando o primeiro passo para a cura de nossas dores. Toda a energia asfixiante, vinda de emoções boas ou ruins, mas estancadas, tem a oportunidade de se libertarem, de serem administradas e repensadas assim, linha por linha. O que era caos, torna-se luz.
           Imaginemos que nossas palavras possam preencher o vazio de tanta gente, as de amor, acolhem a alma, as de paz, a tranqüilizam, as de forças, incentivam, as de solidariedade, consolam, as de ternura, aquecem, as de esperança alimentam a vida, enfim, escrever é um grande gesto de amor e compaixão.
          O ato de escrever é leve, é libertador, requer coragem, sem dúvida, mas despertada a paixão por ele, acontecerá com fluidez, naturalidade e será um companheiro fiel, de todas as horas, para o resto de nossos dias, e jamais nos sentiremos sós, outra vez.
        Escreva ! Sempre...
 
Fátima Pilla Muller - 10/07/05
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 10/07/2005