ALÍVIO
É um
banho morno no final do dia,
ensaboado por mãos macias.
É o
cobertor de um denso colo,
acolhedor que me consola.
É
deitar e dormir, sem rolar na cama,
livre
da tensão e da agonia,
quando
se pensa em quem se ama.
É
gastar aquilo que se ganha,
colher
aquilo que se planta,
e
conseguir ser feliz assim.
É
sonhar o viável, desejar o possível,
amar o
merecido, porque gosto de mim.
Alívio
é abrir mão do que me oprime,
de
tudo que é corda no pescoço,
que
tira o ar e deprime.
Quero
me livrar destas amarras,
que
não tem mais o menor sentido,
vou
voar alto, dançar solta,
alforriar meus sentimentos.
Saborear o doce gosto da justiça,
quando
a fome é quase insuportável.
Alívio
é reencontrar um amor perdido,
num
fim de tarde ao pôr do sol,
exatamente como tudo começou...
Ter
outro beijo roubado,
fitar
os olhos mergulhados num sorriso...
e não
sentir aquela infinita saudade.
Alívio...
Fátima
Pilla Muller - 01/ abril / 2007