A casa dos grandes pensadores
 
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

ALÍVIO
 
É um banho morno no final do dia,
ensaboado por mãos macias.
É o cobertor de um denso colo,
acolhedor que me consola.
É deitar e dormir, sem rolar na cama,
livre da tensão e da agonia,
quando se pensa em quem se ama.
É gastar aquilo que se ganha,
colher aquilo que se planta,
e conseguir ser feliz assim.
É sonhar o viável, desejar o possível,
amar o merecido, porque gosto de mim.
Alívio é abrir mão do que me oprime,
de tudo que é corda no pescoço,
que tira o ar e deprime.
Quero me livrar destas amarras,
que não tem mais o menor sentido,
vou voar alto, dançar solta,
alforriar meus sentimentos.
Saborear o doce gosto da justiça,
quando a fome é quase insuportável.
Alívio é reencontrar um amor perdido,
num fim de tarde ao pôr do sol,
exatamente como tudo começou...
Ter outro beijo roubado,
fitar os olhos mergulhados num sorriso...
e não sentir aquela infinita saudade.
Alívio...
 
Fátima Pilla Muller -  01/ abril / 2007
 

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 10/04/2007