CAMINHANDO NAS
NUVENS ...
A vida é maravilhosa
porque nos surpreende, entre tempestades e perdas, temos
a certeza, que um dia mesmo longínquo, o céu há de
tornar-se claro, o vendaval se transformará em brisa e o
medo devastador cederá seu lugar à coragem refeita.
Quando menos se espera, as nuvens cinzas que nos
acuavam, servem de tapete para nossos passos seguros por
entre desejos e sonhos viáveis.
Pouco a pouco,
esquecemos a dor que nos maltratou, as feridas
cicatrizam ao sol, as feições dos desleais se diluem e
carregam para longe lembranças que não machucam mais.
Nestes momentos nos reconstruímos com o que há de melhor
em nós, brotam os sonhos adormecidos, os talentos
desacreditados, reencontramos o ânimo até então
desacordado. Saímos da dor silenciosa, emergindo do coma
profundo ... E como num parto inesperado, renascemos
para uma vida mais iluminada.
Entendemos o sentido do
tempo, a necessidade de experimentar a vida com
sofreguidão, aprendemos a respeitar nossas rugas como
um passaporte para a sabedoria e o usufruto de tudo que
até então, foi intensamente vivido. Nunca retoquei
minhas marcas, embora minha alma necessitasse
urgentemente de uma plástica. A vida nos presenteia com
a evolução, o amadurecimento que faz o lastro da
felicidade que tantas vezes duvidamos existir, ou
simplesmente, não lutamos o suficiente para conquistar.
Vamos somando os anos,
não mais como números que almejamos quando jovens, que
guardavam aparentemente o mistérios da liberdade, e a
chave da autonomia, com todas as ilusões que nos
sentíamos fortes para criar e conquistar . A liberdade
tem como pré requisito a autonomia, aquela magnífica
sensação de poder sobreviver por conta própria, de fazer
escolhas a partir de sentimentos e valores genuínos ,
que reconhecem a necessidade do amor a si mesmo, do
respeito aos valores construídos nesta jornada.
Não há como experimentar
o caminhar nas nuvens se não somos capazes de nos
manter , nos abastecer de sentimentos amorosos de
subsistência, ou possuir um verdadeiro orgulho de nossa
trajetória nesta vida que é um poderoso nutriente.
Muitas pessoas descuidadamente, permanecem dependentes
do seio materno e suas representações, seja em forma de
necessitar da ajuda dos outros, porque não acreditam em
si mesmos, ou se sentem incapazes de prover o próprio
sustento financeiro e emocional. São parasitas
disfarçados de vassalos, aparentes fiéis escudeiros que
se colocam à disposição mas incompetentes para
compartilhar o desafio do dia a dia, que exige um
depósito justo de ambas as partes na conta corrente do
relacionamento.
Nas relações afetivas
também temos o cheque especial ou negativo, e não há
como negar que existe um limite! E o limite se encontra
na dignidade, no respeito aos valores pessoais, ninguém
conseguirá caminhar nas nuvens se não tiver como lastro
o amor próprio, a segurança de se bastar por si .
Precisamos lutar para manter nossa conta fora do
vermelho, ter um belo saldo de afetos, de realizações e
de amor próprio. Não importa o tempo vivido nem a idade
declarada na carteira, o objetivo deverá ser sempre, um
saldo positivo, manancial de vida . Aí, então, ousaremos
caminhar nas nuvens como se elas fossem o nosso leito de
vida e de morte.
Fátima Pilla Muller
outubro/2007
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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23/10/2007

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