A casa dos grandes pensadores
 
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

E... QUANDO SE PERDE
 
Eu estava meio assim...
Um pouco perplexa,
tropeçando em sonhos derretidos,
defensivamente convexa.
Desajeitada com meus próprios pés,
como se fossem desconhecidos,
perdida  de minha sombra.
A memória dolorida se transmutou,
negra feito enxame enfurecido,
covardemente, mordia minha alma.
Sangrei por cada poro, amores e valores,
que obstinadamente cultivei,
por todas as dores do sol que morre.
Meu corpo e minha energia brigavam,
e abrigam a exaustão inconformada da fé.
Em defesa o desejo induz ao porre sem censura,
fez-se necessário mergulhar na saudade,
para asfixiar a mágoa da perda do tanto querer.
Onde havia mel e mãos dadas, doçura pura e luz,
fez-se a dor avassaladora escurecendo o céu.
Na paisagem, antes ensolarada do amanhecer,
os braços da gélida neblina roubaram-me o ar.      
O tempo passa e me refaço, feito aço, impávida
faço-me inoxidável à inveja, maldade enferrujada.
Refeita constato, minha dignidade não foi roubada !
Tateio meu corpo, estou inteira, e sólida está a alma.
Reencontro meu prumo, ajusto com cautela o rumo.
Colho amorosamente todos os sonhos espalhados,
perdoo os desatinados e carrego os mais amados. 
Reúno em mim todas as luzes da esperança,
da crença forte e inabalável de recriar a vida. 
Amar sempre , por todos os dias, sempre mais,
teimosamente replantando minha alegria.
 

Fátima Pilla Muller  07/maio / 2009

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 21/05/2009