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E... QUANDO
SE PERDE
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Eu estava meio assim...
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Um pouco perplexa,
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tropeçando em sonhos derretidos,
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defensivamente convexa.
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Desajeitada com meus próprios pés,
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como se fossem desconhecidos,
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perdida de minha sombra.
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A memória dolorida se transmutou,
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negra feito enxame enfurecido,
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covardemente, mordia minha alma.
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Sangrei por cada poro, amores e valores,
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que obstinadamente cultivei,
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por todas as dores do sol que morre.
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Meu corpo e minha energia brigavam,
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e abrigam a exaustão inconformada da fé.
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Em defesa o desejo induz ao porre sem censura,
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fez-se necessário mergulhar na saudade,
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para asfixiar a mágoa da perda do tanto querer.
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Onde havia mel e mãos dadas, doçura pura e luz,
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fez-se a dor avassaladora escurecendo o céu.
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Na paisagem, antes ensolarada do amanhecer,
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os braços da gélida neblina roubaram-me o ar.
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O tempo passa e me refaço, feito aço, impávida
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faço-me inoxidável à inveja, maldade enferrujada.
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Refeita constato, minha dignidade não foi roubada !
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Tateio meu corpo, estou inteira, e sólida está a alma.
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Reencontro meu prumo, ajusto com cautela o rumo.
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Colho amorosamente todos os sonhos espalhados,
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perdoo os desatinados e carrego os mais amados.
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Reúno em mim todas as luzes da esperança,
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da crença forte e inabalável de recriar a vida.
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Amar sempre , por todos os dias, sempre mais,
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teimosamente replantando minha alegria.
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