EM UM
CÁLICE DE VINHO
Me misturo ao
teu encanto vermelho negro,
como se me
tornasse teu próprio sangue.
te bebo como se
bebesse teus segredos,
penetrando no
teu íntimo amoroso.
Me confundo com
o cálice em tuas mãos...
Nos
descobrimos, tímidos e fascinados,
corajosos e
audaciosos.
Corres em
minhas veias,
com a
velocidade da paixão.
Gole a gole
embriago meus freios,
deixo a censura
adormecida,
e solto todas
as palavras contidas.
Flutuo no
aconchego da sensação de liberdade,
aguardo teus
braços e abraços com desejo,
teu beijo com
sabor de vinho tinto.
Rio, sorrio,
rodopio, me deixo solta levar extasiada.
Me guias à
paisagem excitante do teu pensar,
brilhante,
perfumada pela tua delicadeza ao falar,
onde jorra
apenas o que é pura verdade.
Um lugar
qualquer, livre dos desencontros,
da tristeza e
da maldade.
Brindamos a uma
terna amizade,
ao encontro
inesperado, às afinidades,
que descobrimos
em um cálice de vinho sangue.
Fátima Pilla
Müller